Minas no Imprio e na Repblica
Em todos os momentos e atos importantes Minas se far presente e influente na construo da nacionalidade brasileira.  reconhecida a presena de mineiros nos atos de fundao da nao, na formao do sentimento nativista, na Independncia, na construo das instituies do Primeiro Imprio, nos entendimentos que levaro ao fim do perodo da Regncia e a decretao da maioridade de Dom Pedro II, em 1840, como tambm na Proclamao da Repblica. Regressando Dom Joo VI a Portugal, a 26 de abril de 1821, permanece no poder seu filho, o prncipe regente Dom Pedro.
Jovem, impetuoso, Dom Pedro ir protagonizar momentos difceis de transio do absolutismo imperial para a monarquia constitucional. Na Declarao do Fico (Diga ao povo que fico), de 9 de janeiro de 1822, ato precursor da Independncia, Dom Pedro resistiu ao chamado para retornar a Portugal, aps terem as Cortes portuguesas cassado autonomias e direitos legislativos, fazendo o Brasil voltar  condio de simples colnia. Em 1820, a Revoluo do Porto renovou o governo portugus sob o regime das Cortes Deliberativas, restringindo o absolutismo do poder monrquico e valorizando o Legislativo. Foi marcante a atuao do mineiro Jos Joaquim da Rocha, nascido em Mariana em 1777. Transferindo-se para o Rio em 1808, com banca de advogado, tornou-se deputado e foi o grande articulador do Fico junto a Dom Pedro. A atuao de Jos Joaquim, bem como de outros mineiros, est muito bem estudada pelo historiador marianense Salomo de Vasconcelos (O Fico  Minas e os mineiros na Independncia, 1937), como tambm por Souza Sobrinho (A importncia de Minas na poltica nacional, 1973), obras fundamentais para elucidao do perodo e das discusses do Fico e o momento vivido pelo Brasil. Salomo de Vasconcelos, filho de ilustre famlia de historiadores, deixou vrias obras fundamentais para o estudo da formao mineira. Obra mais recente, de 2013, Minas Gerais  E o processo da Independncia do Brasil, de Helvcio Nascimento, descreve e ilustra a atuao dos mineiros no perodo. 
Estes autores examinam um perodo agitado e frtil da Histria do Brasil, de evidente transformao liberalizante em direo  construo dos fundamentos e instituies do Brasil independente. Esse perodo comea com a Inconfidncia Mineira, de 1789, que elaborou um iderio de independncia, de autonomia e de repblica, passa pelo levante de Pernambuco, de 1817, alcana o episdio do Fico, em 1822, e se encerra com a Proclamao da Independncia, a 7 de setembro do mesmo ano. Tiveram papis importantes, nos atos preparatrios da Independncia, alm do conselheiro Jos Joaquim da Rocha, os patriotas mineiros Pedro Dias Pais Leme e Paulo Barbosa da Silva, emissrios da conspirao em Minas e So Paulo, o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, amigo e conselheiro de Dom Pedro e sempre presente nos momentos de deciso, inclusive o ato de Independncia de 1822, e tambm Joaquim Jos de Almeida, Juvncio e Inocncio Maciel da Rocha, que cumpriram misses consideradas precursoras da Independncia. 
E vrios outros, parlamentares e homens de influncia no Rio, que integraram clubes de resistncia ao absolutismo de Dom Pedro I e os atos de opresso das Cortes Portuguesas, empoderadas. O principal deles criado pelo prprio Jos Joaquim da Roca, em sua residncia, local de constantes encontros e debates, de onde saram decises e manifestos. O Fico representou o rompimento com os elos de subordinao a Portugal, ocasionando a organizao de um ministrio brasileiro e a expulso das tropas portuguesas. Da  Independncia, um breve passo. A participao dos mineiros, vocacionados para a poltica, sempre foi marcante e decisiva nesses momentos de construo da nao independente, assim como tambm o ser na Repblica. 
O Fico provocou reao em Minas, liderada pela Junta Provisria conservadora, que acabara de ser eleita em razo da Revoluo Constitucional portuguesa de 1820. A revolta em Vila Rica tem carter autonomista e ameaa com separao, passando a no mais reconhecer o governo central. Resultante de uma postura reacionria e elitista da Junta, no encontrou apoio popular at porque contrariava toda a histria libertria de Vila Rica. A repercusso, fora de Minas,  grande por tratar-se da terra de Tiradentes, cujo sonho republicano ainda era lembrado. Impunha-se ao prncipe Dom Pedro aplacar logo a revolta, no momento em que a sua autoridade se circunscrevia ao Rio, pois era tambm negada ao Norte, discutida em So Paulo, problemtica no Sul, colocada fora da lei em Lisboa. Tratava-se ainda de assegurar a integrao poltica de uma nao com to amplo territrio, evitando revoltas em momento de dificuldades, de transio e busca de novos caminhos.
Com pequena comitiva, Dom Pedro deixou o Rio a 25 de maro em direo a Vila Rica, viagem que durou por todo abril e parte de maio de 1822. Sua jornada, os caminhos seguidos, esto bem registrados por Eduardo Canabrava Barreiros no seu Dom Pedro  viagem a Minas Gerais em 1822. Dom Pedro encontrou apoio e aplausos por onde passou: Barbacena, So Joo del-Rei, So Jos del-Rei, (hoje Tiradentes), Prados, Ouro Branco, Itatiaia. Alcanou Vila Rica pelo Capo do Lana, passando pelo Tripu e entrando na cidade pelo bairro das Cabeas (aluso s cabeceiras dos crregos do Funil e Tripu). 
Em Vila Rica, com firmeza e prudncia, evitou conflitos, destituindo os chefes revoltosos. Antes de entrar na cidade, na Fazenda do Capo do Lana, chama o chefe da conspirao, o tenente-coronel Jos Maria Pinto Peixoto, que acaba escoltando a entrada da comitiva em Vila Rica. Sai vitorioso e fortalecido da cidade, mas toma conscincia dos anseios de liberdade do povo. Retorna ao Rio mais forte. Os cronistas desta viagem, os mais prximos da poca, afirmam que o contato com Vila Rica, com a expresso cvica de seu povo, assim como de outras cidades mineiras por onde a comitiva passou, reforou no monarca o sentimento de autonomia e que esta seria inevitvel como mostrava claramente o nimo popular, sob pena de perder o controle da nao. Minas, mais uma vez, com sua vocao autonomista, influi no destino brasileiro. Os muitos movimentos e posies de Minas nos atos que antecedem a Independncia so detalhamentos relatados em Autonomismo, contratualismo e Projeto Pedrino  Minas na Independncia, de Wlamir Silva, de 2002.
Cinco meses depois, em setembro, indo Dom Pedro a So Paulo, ir proclamar a Independncia no dia 7 de setembro, com o famoso Grito do Ipiranga. Tem papel destacado no momento do Grito da Independncia o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, mineiro e conselheiro do prncipe e que se encontrava ao seu lado. Nascido em Diamantina mas que exerceu, por 42 anos, seu sacerdcio em Pitangui, onde at hoje  lembrado por suas palavras que teriam sido decisivas na deciso de Dom Pedro. s margens do Ipiranga, Dom Pedro recebe correspondncia de Portugal, na qual as Cortes exigiam seu imediato regresso a Lisboa, entregando-se como prisioneiro, condio a que j se encontrava Dom Joo VI. Outro documento cassava sua qualidade de regente autnomo e o rebaixava  simples funo de delegado temporrio. Viu-se, ento, Dom Pedro com duas opes: voltar a Portugal ou proclamar a Independncia. Os mineiros, atuantes no Fico, j vinham preparando o esprito do prncipe e a quebra dos laos com Portugal tornou-se praticamente inevitvel. No esforo preparatrio, o grupo conspirador do Rio j enviara emissrios s principais cidades mineiras, que retornaram trazendo unnime manifestao favorvel  independncia. Em 20 de maro de 1823, por ato rgio assinado por Dom Pedro I, Vila Rica  elevada  condio de Imperial Cidade de Ouro Preto, capital da Provncia de Minas Gerais, em reconhecimento  sua atuao pela Independncia do Brasil. 
Conquistada a Independncia, a luta se transfere para a instalao de uma monarquia constitucional, uma vez constatada a impossibilidade de estruturar-se, desde j, uma repblica. No primeiro momento, era preciso evitar que se organizasse, no Brasil, um novo tipo de absolutismo desptico, nos moldes de Portugal, que parecia ser o gosto de Dom Pedro. Os mineiros se envolvem na campanha por uma Assembleia Constituinte e Legislativa, efetivamente convocada por Dom Pedro a 3 de junho de 1822, mas que s se instalar a 3 de maio do ano seguinte. Minas ter 20 deputados  Constituinte, a maior representao, seguida de Bahia e Pernambuco, com 13 parlamentares cada. Faziam parte da representao mineira Jos Joaquim da Rocha, padre Belchior e dois inconfidentes  nicos que retornaram a Minas, o padre Manoel Rodrigues da Costa, que ficara recluso por dez anos em Portugal, e Jos de Resende Costa Filho, que morreria somente em 1841. A Assembleia Constituinte logo entrar em choque com o governo e a vocao ditatorial de Dom Pedro. Os parlamentares no s apresentaram vrios projetos, cerceadores do poder governamental, como comearam a exercer a fiscalizao dos atos executivos. O governo, acostumado com o poder absoluto, reagiu  fiscalizao de seus atos. No estava o pas preparado para o regime constitucional ou parlamentar. Travou-se logo uma batalha entre a Assembleia e os integrantes do governo, levando Dom Pedro, cedendo aos absolutistas, a dissolver a Constituinte em ato de 12 de novembro de 1823, aps cerc-la com tropas. Foram presos, e mandados para o exlio na Frana, os deputados Antnio Carlos e Martim Francisco, paulistas, Montezuma, baiano, e os mineiros Jos Joaquim da Rocha e padre Belchior Pinheiro de Oliveira, com destacada atuao liberal na Constituinte. Jos Bonifcio, paulista, preso antes, tambm foi enviado para o exlio. A 25 de maro de 1824, Dom Pedro outorga a Constituio Poltica do Imprio do Brasil. Embora resultante do trabalho da Assembleia Constituinte, com clara orientao liberal, no ser respeitada, levando a nao a novos conflitos.
J como imperador, Dom Pedro I voltar a Ouro Preto uma segunda vez, em 1831. Foi recebido friamente, em protesto contra seus insucessos polticos e atitudes absolutistas. E essa recepo ter influncia, mais uma vez, no seu nimo, reforando a sua deciso de ir para Portugal, instaurando-se no Brasil o perodo da Regncia, que durou at 1840, quando declarou-se, antecipadamente, a maioridade de Dom Pedro II, ento com 15 anos. Acredita-se que Dom Pedro tentou buscar apoios em Minas, cuja posio sempre obteve ressonncia nacional, servindo como orientao quanto  opinio popular e referendo  sua conduta e aos seus atos polticos, a exemplo do que ocorrera em 1822. Enganou-se e a receptividade, no s em Ouro Preto, mas por onde passou, revelou o descontentamento dos mineiros. A Provncia de Minas Gerais achava-se envolvida em entrechoques e debates em torno de temas como republicanismo, federalismo, liberalismo.
Revelam os crticos do perodo que nos anos de 1824 a 1830, apesar das imensas dificuldades econmicas do pas, instalou Dom Pedro I uma corte luxuosa e indolente, composta por ulicos e parasitas de toda espcie. Distribuiu ttulos aristocrticos de condes, bares e marqueses, conforme seu afeto pessoal. E dedicou-se a uma vida de festas, homenagens e romances. A conduta autocrtica acelerou os conflitos com a Assembleia e com os partidos polticos. Em julho de 1830, chegaram de Paris as notcias da revoluo que destituiu os Bourbons, saudada no Brasil como o xito dos liberais e derrota dos absolutistas. Foi como uma vitria do direito e da liberdade sobre as monarquias absolutistas, sempre em choque com o regime representativo e os textos constitucionais. Por isto mesmo, o fato  comemorado e exaltado em vrias provncias, transformando-se em verdadeiro jbilo popular nas cidades onde a corrente liberal era dominante. Surgiram tambm alguns conflitos, inclusive em Minas, em decorrncia da represso policial s manifestaes populares. 
O peridico Observador Constitucional, de Lbero Badar, italiano radicado em So Paulo, criticou severamente os atos punitivos das festas populares. No dia 20 de novembro,  assassinado a tiros, na porta de sua casa e, ao morrer, acusa o ouvidor de So Paulo, que chefiara a represso s comemoraes do povo. Outros veculos da imprensa, como o Republicano, do Rio, lembravam o iderio dos inconfidentes mineiros e acusavam diretamente o governo de ter mandado matar Badar. Em todo o pas, so muitos os protestos e resistncias, acusaes e crticas ao regime e  ao de Dom Pedro I e  represso realizada contra as manifestaes populares, agravando a situao o fato de que a maioria dos comandantes militares e da polcia era portuguesa.
Sempre presente e reagente aos acontecimentos polticos nacionais, a Provncia de Minas Gerais no foge ao clima nacional. Ao contrrio, as notcias que chegavam de Minas eram inquietantes. Diziam de revoltas e convulses iminentes com ampla repulsa at aos prprios liberais que haviam aceitado cargos no governo.  quando Dom Pedro, confiante na sua autoridade e no sucesso obtido em 1822, resolveu visitar novamente Ouro Preto. Esperava nova manifestao de apoio e de solidariedade. Passou por Matias Barbosa, Juiz de Fora, So Joo del-Rei e Sabar e, em todos estes lugares, sentiu o clima de frieza, desconfiana e descontentamento. Ao invs de aclamarem o imperador, as populaes compareceram, na mesma hora, aos ofcios religiosos celebrados em memria de Lbero Badar. Antes de Ouro Preto, foi a Mariana, onde tambm encontrou fria receptividade. Em Ouro Preto, a 22 de janeiro de 1831, dirigiu uma proclamao aos mineiros, que desagradou ainda mais, pois defendia, embora veladamente, o absolutismo, e criticava os que comemoravam o episdio liberal francs.
A marcante repulsa dos mineiros influiu no nimo do monarca, condio que se agravou com os conflitos entre portugueses e brasileiros, no Largo de Santana, no Rio, quando do seu retorno, no dia 15 de fevereiro. Dois dias depois recebe um manifesto, redigido por Evaristo da Veiga e assinado por vrias personalidades polticas, dizendo que a ordem pblica, o repouso do Estado, o trono mesmo, tudo est ameaado se o monarca no voltasse a respeitar o regime constitucional. O movimento de revolta alastra-se. Divide-se a nao. Alguns chefes militares aderiram s reunies de protesto. Nas provncias, igualmente a agitao tomava conta. Dom Pedro mudou o Ministrio, mas o ato no apaziguou os nimos. Em Minas, pediu-se a cabea dos lderes da faco portuguesa, defensora do absolutismo de Dom Pedro. Mais uma vez o imperador alterou o Ministrio, agora integrado por ulicos conhecidos, conservadores.
A revolta amplia-se. Lidera a insatisfao outro mineiro, Jos Custdio Dias, padre e poltico, deputado e senador do Imprio, que vinha se destacando pelo seu pensamento liberal. Sua casa transformou-se em quartel dos sediosos. Outros dois mineiros se destacam nas conversaes e no movimento que leva o povo ao Campo de Santana: Cristiano Benedito Ottoni, nascido no Serro, e Honrio Hermeto Carneiro Leo, futuro marqus do Paran, de Jacu. Outros mineiros, na ao parlamentar e nos clubes literrios, participavam ativamente da revolta. Dividiam-se as opinies, com os mais radicais opinando pela destituio de Dom Pedro, arrancando-o do trono e expulsando-o do Brasil, como portugus que era. Falava-se em repblica. Outros defendiam apenas a monarquia constitucional. O Partido Liberal dividiu-se, a partir da, entre liberais e exaltados. Por duas vezes o imperador enviou mensagens ao povo reunido no Campo de Santana, reiterando promessa de respeito  Constituio e fazendo apelo pela concrdia e dilogo, ambas rejeitadas.  noite, as guarnies militares do Rio, inclusive a guarda do imperador, aderiram ao movimento, juntando-se ao povo. Resultando improdutivas todas as tratativas, inclusive uma proposta do prprio imperador de nomear outro ministrio, no lhe restou outra atitude seno a abdicao em favor do seu filho, com cinco anos, ato que assinou com data de 7 de abril de 1831. Tem incio o perodo da Regncia, que s terminar com a declarao de maioridade de Dom Pedro II, a 23 de julho de 1840.
Nas lutas polticas da Regncia, destacaram-se muitos mineiros. Historiadores e cronistas da poca apontam a atuao de nomes como Bernardo Pereira de Vasconcelos, Honrio Hermeto Carneiro Leo e os padres Jos Custdio Dias e Jos Bento Leite Ferreira. Custdio, nascido em So Joo del-Rei em 1770 e falecido no Rio em 1838, era um liberal intransigente desde a Constituinte de 1823 e mantivera-se na Cmara, tornando-se um renhido combatente do Primeiro Reinado. Sua casa, conhecida como Chcara da Floresta, na Rua da Ajuda, no Rio, foi local de reunies polticas, especialmente na preparao e execuo do episdio do Fico. Nela, tambm foi redigido o ultimatum a Dom Pedro, forando a sua abdicao. J o padre Jos Bento Leite Ferreira, mineiro de Pouso Alegre, onde foi vigrio, adotou com vigor as ideias liberais na Provncia de Minas. Elegeu-se para a Cmara sucessivamente em 1826, 1830 e 1834 e foi escolhido senador em lista trplice. Deve-se a ele ou, pelo menos, na forma final, a chamada Constituio de Pouso Alegre, proposta apresentada  Cmara por liberais e, parte, por moderados, com o objetivo de dar  nao um novo texto constitucional e um meio de evitar qualquer golpe restaurador do Primeiro Imprio. Governava o pas o regente padre Antnio Diogo Feij. 
Em meio aos conflitos e dificuldades da Regncia, ressurge a faco absolutista, chamada restauradora, que pregava o retorno de Dom Pedro ao Brasil, como nico meio de salvar o pas da runa e da guerra civil, atravs de um Poder Executivo forte. Essa faco, integrada por grande parte da nobreza regada de ttulos por Dom Pedro, incorporou a elite aristocrtica e reacionria e vrios militares, oficiais de maior patente, e provocou vrios conflitos, no Rio e nas Provncias. Em diversas partes ocorreram motins, em geral desencadeados pelos conservadores restauradores, entre eles muitos portugueses, sempre combatidos pelos liberais com forte apoio popular.
Irrompe, ento, no incio de 1833, em Ouro Preto, uma rebelio liderada pelos chefes militares da guarnio local, de cunho notadamente conservador e elitista, defensor da restaurao, e que no encontrar ressonncia na maioria liberal e progressista, tradio da Capitania. Incentivada pelo Partido Restaurador, aproveitando-se de certa fragilidade do governo moderado da Regncia, a rebelio vai se situar na contramo da histria. Aproveitando-se da ausncia do presidente da Provncia, Manuel Incio de Melo e Souza, que se encontrava em Mariana, e estando no exerccio do governo seu vice, Bernardo Pereira de Vasconcelos, os chefes do Partido Restaurador, que de h muito j vinham tramando a sedio, esperavam que, de Ouro Preto, pudesse o movimento repercutir em outras Provncias, com adeses. Na noite de 22 de maro de 1833, saram s ruas as tropas e seus chefes, apoderando-se das reparties pblicas e declarando vago o cargo de governador da Provncia. Bernardo Pereira de Vasconcelos conseguiu sair escoltado da cidade e, em Queluz de Minas, foi solto por iniciativa da prpria populao local e organizou a resistncia, com apoio de So Joo del-Rei, Barbacena e outras cidades. Os revoltosos tinham como chefe o comandante da Guarda Nacional em Ouro Preto, Manuel Alves de Toledo Ribas, apoiado pelos coronis Joo Reinaldo Bilstein e Teobaldo Sanches Brando e o major Francisco Joaquim Bittencourt. 
O fato  que no havia em Minas clima popular para que o pensamento restaurador prosperasse. O povo mineiro, vindo de vrios lugares da Provncia, sob a convocao de Vasconcelos, posicionou-se contra os restauradores e pegou em armas contra a tropa, manifestando-se claramente contra o retrocesso histrico. O governo geral enviou para Minas o general Pinto Peixoto e alguns oficiais, que j encontraram o povo armado e organizado, esperando o comando. Tefilo Ottoni, embora em oposio ao governo federal, marchou do Serro com vrios homens e ocupou Caet, que ameaava aderir aos conservadores. Deu-se o encontro final no atual Distrito de Rodrigo Silva (antigo Jos Correia), com a derrocada dos revoltos, dois meses aps o incio do motim. Mas ficou, uma vez mais, marcada a posio liberal dos mineiros de rejeio a qualquer retrocesso poltico ou de retorno ao regime absolutista. Em todo o pas, porm, o movimento restaurador s viria a desestruturar-se com a morte de Dom Pedro, em 24 de agosto de 1834, no Palcio de Queluz, com apenas 36 anos, pois nascera em outubro de 1798 no mesmo palcio, nas imediaes de Lisboa. Seus restos mortais foram trasladados para o Brasil em 1972 e depositados na cripta do Monumento do Ipiranga, em So Paulo.
Evolua rapidamente o quadro poltico brasileiro. O tempo da Regncia, at a decretao da maioridade de Dom Pedro II, em 1840, quando completa 15 anos, pois nascera a 2 de dezembro de 1825, foi certamente o mais tumultuado da Histria do Brasil, com vrios movimentos de contestao da ordem, de norte a sul. Jovem nao, procura sua formao poltica e institucional em meio a muitos conflitos, ora avanos ora recuos, com intensa discusso ideolgica e partidria. Nas discusses envolvendo a decretao da Maioridade, que muitos polticos consideraram um golpe, foi decisiva a participao de mineiros como Bernardo Pereira de Vasconcelos, Tefilo Benedito Ottoni, Honrio Hermeto Carneiro Leo, figuras proeminentes da vida poltica do momento. Aceleram-se os debates com a queda, em 1837, do Regente Feij. 
Um marco importante na evoluo poltica dessa poca  o Ato Adicional, de 12 de agosto de 1834, uma conquista liberal, que faz alteraes na Constituio do Imprio e assinala nova fase de descentralizao do poder. Opunha-se ao regime do Primeiro Reinado, excessivamente centralizador, caracterstica do absolutismo de Dom Pedro I. A importncia do Ato est principalmente na autonomia que concede s Provncias, criando as Assembleias Legislativas Provincianas, em substituio aos Conselhos Gerais previstos na Constituio. A organizao dos executivos estaduais e municipais, mal definida no Ato, passou a ser a discusso principal. 
A 12 de maio de 1840, uma Lei Interpretativa do Ato voltar a centralizar poderes. Tratava-se de uma conquista dos conservadores, que alegavam a fragilidade e as fraquezas provinciais e temiam uma maior liberdade do povo. O pas vivia momento de agitaes polticas, com revoltas pelas provncias. O Cdigo de Processo, de 1832, complementar ao Cdigo de Processo Criminal, que se constitua em uma conquista dos liberais, pois adotava o instrumento do habeas corpus e a justia eleitoral,  revisto pelos conservadores, tornando-se mais severo e ser causa, entre outras, de rebelies que convulsionam o perodo da Regncia, como a Sabinada, na Bahia, a Cabanada, no Par, a Balaiada, no Maranho, ou a dos Farrapos, no Rio Grande do Sul. 
 que aps a abdicao de Dom Pedro I ocorre no pas uma onda de liberalismo, com conquistas no parlamento e na imprensa, naturalmente provocando efervescncia poltica e social. Em 1941, nova lei vai reformar o Cdigo de Processo Criminal, com melhores definies da ao policial e do aparelho repressor quanto s revoltas. Concordam os historiadores que o movimento cclico entre perodos ora liberais ora conservadores ser o principal trao desse perodo. Bernardo Pereira de Vasconcelos, ouro-pretano, jurista e parlamentar, ser o redator principal dos primeiros cdigos. E Tefilo Benedito Ottoni ser o parlamentar, de orientao liberal, que mais se destacar na discusso poltica do perodo. Vida e obra de Tefilo Otoni esto retratadas no magnfico trabalho Tefilo Ottoni, ministro do povo, de 1978, do poltico e escritor mineiro Paulo Pinheiro Chagas. Outra referncia importante  de Nilmrio Miranda, jornalista e poltico, defensor dos direitos humanos no Brasil, que em 2007 publica Tefilo Ottoni, a repblica e a utopia do Mucuri, retratando a atuao poltica de Tefilo e seu esforo de colonizao e desenvolvimento da regio mineira. 
O quadro que se instaura nos primeiros dois anos aps a Maioridade de 1840 levar a nao novamente a um clima de insatisfao, especialmente causado pelo Ministrio ento organizado para o iniciante Segundo Imprio. O Ministrio  acusado de desptico e absolutista, voltado para a manuteno de privilgios de uma aristocracia ultrapassada. A revolta no se fazia contra a monarquia constitucional ou contra a figura do menino-imperador, mas contra os atos do Ministrio, centralizador e oligrquico, e que retirara vrios poderes das assembleias provinciais, entre outras medidas impopulares, em parte pelo temor das rebelies populares ocorridas na Regncia.
Reao ocorre em 1842, j no reinado de Dom Pedro II, em Minas e So Paulo. Ouro Preto  sitiada pelos adeptos da chamada Revoluo Liberal, liderados por Tefilo Ottoni e pelo Baro de Cocais, Jos Feliciano Pinto Coelho, este presidente interino da Provncia e que coordena, nos momentos iniciais, o movimento de discordncia e protesto contra o Ministrio. A rebelio iniciara-se em Barbacena, por impossibilidade de comear na capital Ouro Preto, e os rebeldes se transferiram para So Joo del-Rei, esperando se fortalecerem e de l partir para a tomada da capital da Provncia. Esperava-se uma decisiva adeso de So Paulo, especialmente de Sorocaba, o que no ocorreu. Os revoltosos acabaram marchando para Sabar, mas travaram os combates definitivos em Santa Luzia, donde o nome de Revoluo dos Luzias. Aps derrotarem o primeiro contingente de tropas do governo, os luzias foram batidos pelas tropas comandadas pelo Duque de Caxias, Lus Alves de Lima e Silva, aps a forte resistncia liderada apenas por Tefilo Ottoni. Jos Feliciano Pinto Coelho desertara, derrotado na sua posio conciliadora. Tefilo  preso e levado para Mariana, onde foi inocentado em dezembro de 1843. Ao entrar na sala do julgamento,  recebido de p pelos membros do jri e liberado. Em Santa Luzia, anualmente, no local do combate,  lembrada a revolta dos luzias e a liderana de Tefilo Ottoni. Mas tambm a ao do Duque de Caxias  exaltada como pacificador. Em frente  matriz, casaro antigo, hoje museu da cidade,  lembrado como quartel dos amotinados.
Ao irromper o movimento, foi enviado a Dom Pedro II o Manifesto aos Mineiros, assinado por Jos Feliciano Pinto Coelho, pea de grande significado histrico e poltico, que procurava explicar e justificar as motivaes dos revoltosos. Na opinio de Souza Sobrinho (A importncia de Minas na poltica nacional, Ed. Laemmert, Rio, 1973), o Manifesto aos Mineiros constitui uma pea que caracteriza muito bem o processo de formao poltica do povo mineiro atravs de sua existncia histrica, de suas lutas contra o absolutismo e a prepotncia lusitana e que o levaram ao amadurecimento de uma concepo de vida e de dignidade, intimamente ligadas  liberdade condicionada a direitos e deveres. E lembra que o pensamento dos mineiros ficou expresso inicialmente no programa da Conjurao de 1789, quanto j se falou em Independncia e Repblica. 
Com base nesses princpios, os mineiros atuaram na deciso do Fico, em 9 de janeiro de 1822, na Proclamao da Independncia, em 7 de setembro de 1822, na Abdicao de Dom Pedro I, em 7 de abril de 1831, e na Revoluo Liberal, em 10 de junho de 1842. Os mineiros, como mostram todos esses episdios, sempre que necessrio pegaram em armas ao lado da opo liberal e na defesa da Constituio, mesmo quando episdios de carter conservador irromperam em seu territrio. Registro histrico importante do que foi a Revoluo Liberal est no livro Histria do movimento liberal de 1842, do cnego Jos Antnio Marinho (nascido em Brejo do Salgado, hoje Januria, em 1803), que teve participou direta na revolta mineira. O livro foi editado pela primeira vez em 1844.
Diz o historiador Francisco Iglesias, em prefcio a uma edio do livro do cnego Marinho, que o momento armado de 1842, em So Paulo e Minas, demonstra bem o sentido contestador do brasileiro, contrrio ao esteretipo da cordura do povo, que teria uma trajetria de conciliao e sem sangue, tese j definitivamente arquivada. No conjunto de revoltas, destacado no perodo da Regncia e no incio do Segundo Imprio, o movimento de 1842 foi o ltimo, aps o que a Provncia cairia na rotina, sem outras lutas e conflitos maiores. O objetivo do movimento foi livrar o nosso adorado monarca da coero em que o tem posto a oligarquia hoje dominante, como se l no ofcio da Cmara de Barbacena, pelo qual se faz a convocao para a posse de Jos Feliciano Pinto Coelho como presidente interino da Provncia de Minas. O documento protesta contra o Cdigo de Processo Criminal, que reduz os direitos dos cidados e faz referncia  submisso do governo ao estrangeiro.
Alguns mineiros ilustres, com origens e diferentes formaes, revelam bem o carter regional. Papel destacado em todo o perodo do Primeiro Imprio e da Regncia, nas vidas mineira e nacional, tem Bernardo Pereira de Vasconcelos (1795-1850), de ilustre e antiga famlia ouro-pretana. Protagoniza o famoso episdio do Regresso, de 1837, em discurso na Assembleia Nacional, pelo qual declara que deixa de ser liberal para tornar-se conservador, ou regressista, mas que ser decisivo na compatibilizao da vida poltica do pas, influindo na normalizao poltica e garantindo a continuidade da Regncia e a Declarao da Maioridade. Seu ato, que ele explica como imposio de contribuir para a evoluo poltica da nao, ser uma atitude para a manuteno da ordem e evitar a desintegrao institucional. Milton Campos, ex-governador de Minas, estudioso de Bernardo,  quem melhor explica essa evoluo de Vasconcelos: Liberal quando a autoridade degenerava em despotismo e conservador quando a liberdade se desfigurava em anarquia. Liberal tpico do Primeiro Reinado, adversrio do absolutismo de Dom Pedro I, tribuno famoso e jurista, autor de vrios cdigos, ser o principal construtor do pensamento conservador no Segundo Reinado, que entendia ser a posio adequada ao momento poltico brasileiro, quando iniciava sua vida independente. Filho de ilustre famlia mineira de juristas e homens pblicos, Vasconcelos foi o poltico de maior influncia do perodo como deputado-geral, senador, conselheiro de Estado, ministro da Fazenda, da Justia e do Imprio. Mas foi, sobretudo, jurista eminente, autor do Cdigo Penal e do Cdigo de Processo, alm de legislador fecundo, elaborador de projetos criadores das normas do Conselho de Estado, regulamentao das sesmarias e da presena de estrangeiros. Vasconcelos ser autor e articulador de um conjunto de reformas polticas que vo se completar a partir de 1841, com a Maioridade de Dom Pedro II, e que vo permitir o centralismo poltico do Segundo Imprio. A Cmara Municipal de Ouro tem o seu nome e o seu retrato ilustra seu plenrio. 
Outro mineiro influente, neste perodo, ser o conde e marqus do Paran, Honrio Hermeto Carneiro Leo (1801/1856), mineiro de Jacu, considerado um destacado estadista do Segundo Imprio. Foi diplomata, magistrado, parlamentar e ministro. Monarquista, conservador, com vocao ulica, foi ministro da Justia e da Fazenda, pacificou Pernambuco. Conseguiu, em 1832, evitar a convocao de uma Assembleia Nacional Constituinte, como pretendia o padre Feij. Foi o principal articulador da Conciliao de 1853, quando presidia o Conselho de Ministros, denominado Gabinete da Conciliao, acordo que garantir a estabilidade e a integridade dos partidos exauridos, permitindo o prolongamento do Segundo Reinado com relativa estabilidade, s quebrada em 1870, quando  lanado o primeiro manifesto republicano no Brasil. Dom Pedro II permaneceu no poder por 49 anos. 
A Conciliao, que ficar como um trao da personalidade e da conduta poltica dos mineiros , na verdade, um pacto conservador das elites, sob a justificativa da preservao da ordem e da tolerncia, e que se entendem para evitar rupturas transformadoras sem o seu controle ou que ameacem a sua permanncia no poder. A conciliao entrou para a Histria do Brasil como sendo caracterstica da conduta poltica dos mineiros e que encontra referncia histrica e sociolgica no episdio liderado pelo marqus do Paran. Essa caracterstica ditar a atuao dos polticos mineiros em vrios episdios posteriores. Diz-se que o poltico mineiro, que transita entre o liberal e o conservador, adota, por isto mesmo, uma espcie de transigncia, por instinto e experincia, seno esperteza e sobrevivncia, que lhe permitem enxergar e distinguir o que  transitrio e o que  permanente. Sempre que possvel  moderador, melhor meio de construir maiorias que sustentem a permanncia.
Exemplo tpico do liberal mineiro  Tefilo Benedito Ottoni, nascido no Serro (1807-1869), esprito rebelde, jornalista, comerciante e empresrio, empreendedor, republicano e abolicionista, entusiasta do movimento da Independncia Americana de 1776. Foi deputado provincial, deputado-geral e senador do Imprio. Em 1830, cria o famoso Sentinela do Serro, por meio do qual combate o absolutismo de Dom Pedro I e prega a adoo, pelo Brasil, dos valores e ideais americanos. Apoiou a abdicao de Dom Pedro I em 1831 e a aclamao de Dom Pedro II como imperador, em 1841. Envolveu-se nas lutas liberais do perodo da Regncia. Em 1842, como j dito, liderou a Revoluo Liberal de Minas contra o monoplio do poder pelos conservadores. Deputado, tornou-se lder popular no Rio e, por vrias vezes, arregimentou a populao para protestos no Campo de Santana ou para resistir a atos ditatoriais. Atuou no parlamento e nas ruas, em meio ao povo. Em 1847, afastando-se da poltica, criou a Companhia de Navegao e Comrcio do Vale do Mucuri, por concesso do Governo de Minas. A Companhia pretendia ligar a regio ao litoral, atravs do Rio Mucuri, como via de exportao da produo incentivada de um amplo territrio, colonizado tambm por imigrantes estrangeiros, trazidos por Tefilo Ottoni. Em 1852, ao lado do Rio de Todos os Santos, lanou o marco inicial de Nova Filadlfia, cidade que, em 1878, passou a se chamar Tefilo Ottoni. A inspirao veio de Philadelphia, nos EUA, na Pensilvnia, onde foi aprovada a Constituio da Independncia Americana, em 1776. Mais tarde, falida a empresa, Ottoni voltou  vida pblica.
No seu precioso Histria e teoria dos partidos polticos no Brasil (2 edio, Ed. Alfa Omega, 1974), Afonso Arinos afirma que Minas Gerais, por fatalidade da sua histria, fornecia em Tefilo Ottoni o tipo simblico do renascimento liberal, como j oferecera os tipos simblicos da estabilidade conservadora e da construo parlamentar em Paran e Vasconcelos. Realmente, se se desejar figurar em trs homens as fases de construo, apogeu e decadncia do Imprio, eles seriam trs mineiros: Bernardo, Honrio, Ottoni.
O engenheiro de minas alemo Henrique Guilherme Fernando Halfeld (Hannover, 1797; Juiz de Fora, 1873)  outro exemplo de vida de realizaes. Halfeld ingressou no Exrcito alemo como tenente e participou da Batalha de Waterloo (junho de 1815), que derrotou Napoleo Bonaparte. Trabalhou em mineraes alems e veio para o Brasil em 1825 para integrar o Imperial Corpo de Engenheiros formado por Dom Pedro I. Em 1934, adquiriu sesmaria s margens do Rio Piracicaba e, dois anos depois, foi nomeado engenheiro da Provncia de Minas Gerais, quando residiu em Ouro Preto. Foi designado para construir a Estrada do Paraibuna, uma variante do Caminho Novo, ligando Juiz de Fora a Petrpolis e ao Rio de Janeiro, com a ambio de alcanar Ouro Preto, ento capital do Estado. Ser a ligao com o Rio que permitir o crescimento vertiginoso de Juiz de Fora, onde Halfeld fixou-se. Em 1942, como comandante de uma bateria de canhes, participa da Batalha de Santa Luzia, na qual Duque de Caxias derrotou os luzias, partidrios da Revoluo Liberal, comandados por Tefilo Ottoni. De 1852 a 1954, realiza completo estudo do Rio So Francisco, de Pirapora at o Oceano Atlntico, percurso de quase 2 mil km, percorrendo todo o trajeto e os principais afluentes, elaborando mapas, cartas topogrficas e indicao de canais de navegao. Trabalhou na Saint John Del Rey Mining Company e em minas de ouro do baro de Cocais, Jos Feliciano Pinto Coelho. Realizou grande nmero de obras urbanizadoras em Juiz de Fora e implantou vrias estradas em Minas e no Rio. Em Juiz de Fora, onde  considerado um dos construtores da cidade, tem seu nome homenageado em uma das principais ruas e em um parque pblico.
Com trajetria similar, marcando sua vida com iniciativas modernizantes, foi Mariano Procpio Ferreira Lage (1821-1872), natural de Barbacena, mas que realizou sua vida em Juiz de Fora. Inclinado para a cincia e a tecnologia, tendo realizado estgios na Europa e nos Estados Unidos, foi diretor da Estrada de Ferro Dom Pedro II e das Docas da Alfndega, no Rio. Elegeu-se tambm deputado. Mas sua obra pioneira foi a constituio da Companhia Unio e Indstria, integrada por vrias colnias de produtores rurais ao longo da Estrada Unio e Indstria, que implantou de 1856 a 1861, entre Juiz de Fora e Petrpolis, aproveitando o leito do antigo do Caminho Novo, que vinha direto do Rio a Ouro Preto, aberto por Garcia Rodrigues Pais, em 1700. Aprendera, nos Estados Unidos, o processo inventado pelo escocs Mac Adam de mistura de cascalho e piche, produzindo leito rodovirio mais estvel e plano. Ao longo da estrada, criou colnias de produtores rurais, trouxe imigrantes da Alemanha e vrios engenheiros, como alemes e franceses. Algumas pontes e cortes implantados pela rodovia, at hoje em uso, so solues tecnolgicas inovadoras. Criou escola agrcola, foi proprietrio de ricas fazendas, sempre pioneiro na adoo de tcnicas modernas de produo e organizao empresarial. A Estrada Unio e Indstria exerceu papel fundamental no desenvolvimento de Juiz de Fora e toda a Zona da Mata. Em Juiz de Fora, em chcara no centro da cidade, o Museu Mariano Procpio, organizado e implantado por seu irmo, Alfredo Ferreira Lage, na velha residncia da famlia, relata sua vida e obra, reunindo preciosa coleo de objetos, obras de arte e documentos de Dom Pedro II e da Princesa Isabel, de quem Mariano Procpio foi amigo.
A Unio e Indstria ir sofrer, a partir de 1854, a concorrncia da ferrovia que ligar Juiz de Fora ao Rio, o que a levar  falncia. Um prolongamento desta ferrovia chegar at Ouro Preto em 1889, vindo de So Julio (hoje Miguel Burnier) e que alcanava Ponte Nova. O trajeto at Ouro Preto foi inaugurado por Dom Pedro II no princpio de 1889, junto com a velha estao, que ainda hoje serve ao trem turstico at Mariana. Ser a Estrada de Ferro Dom Pedro II, precursora da Estrada de Ferro Central do Brasil. Um sculo depois, no leito da Estrada Unio e Indstria, ser implantada a BR-040, que hoje tem rodovias de contorno tanto em Juiz de Fora como em Petrpolis.
Milton Campos, em texto famoso publicado em O Jornal, em 1927, sob o ttulo A constante liberal de Minas, fornece importantes consideraes sobre a trajetria poltica do Estado e seus homens pblicos, em toda a Histria do Brasil. Cita Bernardo Pereira de Vasconcelos, Honrio Hermeto Carneiro Leo e Joo Pinheiro como exemplos, entre muitos outros, de mineiros portadores de uma constante que, ora manifestada nas demonstraes pblicas, ora velada nos motivos determinantes, sempre inspirou a ao poltica de Minas.  a constante liberal. Diz ele que o liberalismo mineiro existe efetivamente, no como partido ou doutrina poltica, mas como ndole, temperamento e vocao. No  o liberalismo das frases sonoras, atmosfera de incultura e veculo da demagogia. Nem  romantismo poltico, cujas abstraes fogem ao quadro das realidades. Nada mais caracterstico do temperamento mineiro do que o senso de realidade. 
Concordam a maioria dos historiadores que o mineiro, liberal ou conservador, do minerador ao ruralista, mantm, no entanto, traos comuns resultantes de sua herana singular, amlgamas antropolgicos formados ao longo de uma trajetria histrica especfica. Gestou-se em Minas Gerais uma cultura poltica prpria, que ganha relevo nos momentos de transio no Brasil, visvel no chamado fenmeno da conciliao (Mitologia da mineiridade, Maria A. Nascimento Arruda,1990). Os mineiros tornaram-se vocacionados para a celebrao de pactos poltico-sociais, um dos traos da mineiridade, formado ao longo da sua trajetria histrica, de lutas entre extremos na conquista do territrio e na difcil corrida pelo ouro, condies que recomendam a busca do entendimento, do acordo.
Nos ltimos 20 anos, a historiografia volta sua ateno para o perodo provincial (de 1822, com a Independncia, quando deixa de ser Capitania, a 1889, com a Proclamao da Repblica), desfazendo, em grande parte, a opinio predominante de que o perodo, correspondente ao sculo XIX, fora de estagnao e atraso econmico. Surgem, muito recentemente, sobretudo com a expanso da pesquisa acadmica, leituras novas da Histria de Minas, em especial do sculo XIX, com afirmaes de que ocorreram avanos e conquistas importantes, que comeam a ser melhor avalizadas quanto aos seus impactos e consequncias na economia regional. Realiza-se, portanto, uma reviso desse quadro e a nova abordagem sustenta que o declnio da minerao no provocou estagnao econmica absoluta. Foi a minerao substituda de maneira gradual, e concomitantemente  sua exausto, sobretudo entre 1780 e 1830, pelo desenvolvimento de um mercado interno de subsistncia, num primeiro momento e, logo depois, pela expanso de um sistema produtivo dedicado  exportao, especialmente para o Rio de Janeiro, mas tambm para outras regies, inclusive So Paulo. A atividade agropastoril nasceu inicialmente como prtica substituta nas regies de minerao e expandiu-se, fortemente, em menos de trs dcadas, predominantemente para a Zona da Mata e o Sul de Minas, como tambm para o Centro-Oeste, onde adquiriu organizao mercantil-produtiva de porte com o crescimento de suas cidades e a existncia de amplo mercado consumidor no Rio de Janeiro. Na regio do Alto Paranaba, Noroeste Mineiro, a qualidade das terras, planas, permite expanso agrcola excepcional e a vitalidade econmica de cidades como Patos de Minas, Coromandel, Carmo do Paranaba, Lagoa Formosa, So Gotardo, Ibi, Patrocnio, Presidente Olegrio, Joo Pinheiro, Una e muitas obras.
Alm da ocupao agropastoril ocorrida em substituio  minerao, especialmente nas regies onde se encontram terras de melhor qualidade, sobretudo a partir da presena da Corte portuguesa no Brasil e a extino da legislao proibitiva da atividade industrial, desenvolveram-se segmentos como a produo de fios e panos, a siderurgia e forjarias e a explorao aurfera subterrnea, esta alimentada por capitais ingleses, que trouxeram melhores tcnicas de extrao profunda. Por volta de 1830, pelo menos dezoito grandes empreendimentos de explorao de ouro em Minas eram de capitais ingleses. Investimentos j com maquinrio da poca possibilitando explorao mais eficaz do ouro. 
 o que explica o fato de Minas ter mantido e sustentado a maior populao escrava do pas. Trabalhos de Douglas Libby (Transformao e trabalho em uma economia escravista, de 1988) e de Roberto Martins (A economia escravista de Minas Gerais no sculo XIX, atualizado e ampliado em 2018) sustentam, em oposio a verses anteriores, que no teria havido absoluta involuo econmica aps a minerao de ouro, mas um crescimento econmico dado especialmente pela atividade agropastoril de subsistncia, empregadora de enorme mo de obra escrava. Minas foi a principal provncia importadora de cativos na primeira metade do sculo XIX: tinha cerca de 169 mil escravos em 1819 e um total de 382 mil em 1873. Em algumas cidades, de acentuada vocao agropecuria, o nmero de escravos quase se equivalia ao de homens livres. Proibido o trfico em 1850, procedeu-se a uma intensa transferncia dos escravos para as reas agrcolas, onde a mo de obra, sobretudo nas grandes lavouras, era essencial. Joo Teixeira Coelho em sua Instruo para o Governo da Capitania de minas Gerais, produzida entre1778 e 1780, diz que os habitantes largaram os pices e as alavancas e acorreram para a agricultura.
Roberto Martins, economista e professor, publica em 2018, como j dito, uma ampliao de sua tese de 1980, a apresentada  a Universidade de Vanderbilt (Crescendo em silncio  A incrvel economia escravista de Minas Gerais no sculo XIX), trabalho excepcional de pesquisa histrica. Sustenta que nos anos finais do sculo XVIII e no XIX Minas Gerais constitua um paradoxo, pois continuava a manter o maior nmero de escravos numa economia tida como de transio e no exportadora, a exceo de algumas regies mais prximas do Rio de Janeiro. E o contingente de escravos se mantinha em constante expanso. O nmero de escravos, que era de 170 mil em 1819, passou para 380 mil em 1873. Minas, ento, sem a minerao intensiva ou uma forte economia de exportao agropecuria, continuava a ter mais escravos do que qualquer outra regio do Brasil. 
A tese de Martins, hoje plenamente aceita, essencial para a historiografia mineira contempornea, confronta a opinio at ento dominante de que Minas mergulhara, no sculo XIX, na ps-minerao, em profunda estagnao econmica. Martins publica extensa pesquisa sobre a economia mineira no sculo XIX, suprindo carncia comentada e lamentada de dados e informaes do perodo, lembrando o historiador Francisco Iglesias que lamentava a pobreza da historiografia sobre o sculo XIX mineiro. Para ele, o estudos econmicos contemplavam o modelo de crescimento primrio-exportador, baseado em ciclos econmicos, que buscavam na exportao de um ou outro produto bsico sua atividade, o que representava perda de dinamismo e surgimento de estagnao quando ocorria o declnio econmico do ciclo. Para o autor, tal posio decorre de uma mentalidade colonizada, centrada no trinmio monocultura, latifndio e escravido, decorrente de uma obsesso agrrio-plantacionista-exportadora, conceito criado por Caio Prado Jnior e adotado por historiadores como Roberto Simonsen e Celso Furtado. Esta viso de ciclos comea ser quebrada a partir de 1929, com o colapso da demanda externa aps a crise mundial do caf.  Caio Prado, no seu Formao do Brasil contemporneo, de 1942, que diz que se vamos  essncia da nossa formao, veremos que na realidade nos constitumos para fornecer acar, tabaco, alguns poucos gneros, mais tarde ouro e diamantes, depois algodo e, em seguida, caf, para o consumo europeu. Minas Gerais e sua economia escravista, para Roberto Martins, so exemplos bem concretos que permitem contestar esta viso e que a historiografia contempornea vem revisando, por fora da expanso da pesquisa realizada pelas teses de dissertao e doutorado. Entre 1821 e 1830, perodo de implantao de grande lavoura cafeeira, Minas foi o destino de 41,1% de todos os africanos novos remetidos do Rio de Janeiro para o interior do Pas. Rio recebeu 33,7% e So Paulo 15,2%. Enfim, Roberto Martins sustenta que a propalada estagnao mineira  contestada por uma diversificao econmica no fim dos setecentos e incio dos oitocentos, o que explica a grande demanda e a presena de escravos. E, ao final, pergunta Martins: Pobreza de Minas ou pobreza da Histria.
A nova viso para a chamada crise da minerao vem substituindo o conceito de decadncia econmica por acomodao evolutiva, nas prprias atividades minerrias ou na agropecuria. O baro de Eschwege (Lus Guilherme von Eschwege, mineralogista alemo, 1777-1855), que veio para o Brasil em 1810, fixando-se em Vila Rica em agosto de 1811, s retornando  Alemanha em 1821, sempre a servio da Coroa portuguesa, realizou, sob o estmulo de Dom Joo VI, intensa pesquisa sobre as ocorrncias minerais na Capitania. Em 1833, publicou a notvel obra Pluto brasiliensis, em dois volumes. Eschwege afirma que existiam ainda em Minas Gerais em torno de 555 lavras, nas quais trabalhavam 6.662 pessoas livres e mais 6.493 escravos. Havia ainda mais de cinco mil faiscadores, ou garimpeiros, trabalhando individualmente. Mas a produo geral do ouro j no passou, neste ano, de 800 quilos. Ter sido Eschwege, em 1812, o primeiro a produzir ferro industrialmente no Brasil, em Congonhas. Adquiriu minas de ouro no Morro de Santo Antnio, entre Vila Rica e Mariana, acima do Distrito de Passagem de Mariana, onde aplicou tcnicas de extrao inovadoras em toda a regio.
A produo agropastoril provocou um amplo sistema de trilhas e estradas, interligando os grandes centros de consumo com as zonas de produo.  o que mostram os Registros de Entradas e Sadas de produtos diversos, existentes na Casa dos Contos, em Ouro Preto, com preciosas informaes sobre origens e destinos de mercadorias. Ocorre, desde os ltimos anos do sculo XVIII, a migrao de famlias e capitais para a Zona da Mata e, em menor escala, para o Sul de Minas. Um relato pormenorizado desse quadro est no trabalho de Mnica Ribeiro de Oliveira Negcios de famlias  mercado, terra e poder na formao da cafeicultura mineira  1780-1870, Edusc-2005.
Na Histria de Minas, o sculo XIX foi o menos estudado em meio a vrias lacunas e problemas que marcam todos os perodos, com mais hipteses do que certezas. A concluso  que, embora deficientemente, a Capitania foi estudada, enquanto a Provncia no mereceu ateno, dizia o historiador Francisco Iglesias em seu Poltica econmica do Governo Provincial (1835-1889), de 1958. Em verdade, feita a Independncia, encerrado o regime colonial, Minas, assim como outras provncias, tem que se adequar a um novo regime, organizando governos municipais e estadual, polticas econmicas, representao poltica, conquistas que no foram fceis nem rpidas, como mostram as lutas e conflitos de construo das instituies polticas que tumultuam todo o Primeiro Imprio e a Regncia. 
Bastaria citar que a Provncia de Minas, durante o regime presidencial, no Imprio, teve 117 perodos administrativos: 59 presidentes e 63 vice-presidentes em exerccio, para um tempo de 65 anos, 8 meses e 16 dias (de 29 de fevereiro de 1824 a 17 de novembro de 1889. Para cada administrao, a mdia de quase sete meses apenas. O governo provincial ser, portanto, marcado pela transitoriedade das administraes. 
Na economia, grande era a deficincia de infraestrutura: ainda eram precrios os meios de comunicao e transportes, desigual era o sistema de distribuio de terras, precria a tributao, no havia mo de obra qualificada. E os governos ineficazes. O presidente Antnio Paulino Limpo de Abreu, em 1835, em relatrio  Assembleia Legislativa, j diz que Minas  uma provncia agrcola. Produzia, enviando parte para o Rio, caf, cana-de-acar, tabaco, milho, arroz, feijo, mandioca, algodo e tabaco. Em menor proporo, irregularmente, trigo, ch, uva, linho, cevada e centeio. 
A provncia, com a expanso agrcola, tornou-se tambm forte na pecuria, com carne e leite, motivo de conquista e abertura de novas fronteiras territoriais, desde os primeiros tempos. A criao do gado tem primazia na colonizao de amplas reas no Norte de Minas, em especial no Vale do So Francisco, a partir da Bahia. O mercado produtor mineiro tornou-se um fornecedor para o abastecimento do Rio e So Paulo. Nos exerccios financeiros de 1839/40 e 1842/43, a exportao de gado vacum, suno, toucinho, queijos e couros  mais rendosa que a do caf, fumo e acar, relata Francisco Iglesias.
Estudos mais recentes reforam o papel econmico do Sul de Minas como a principal regio abastecedora do mercado consumidor do Rio de Janeiro, ampliado com a presena de Dom Joo VI e a Corte portuguesa a partir de 1808. A expanso da produo agrcola se dar gradualmente, a partir das primeiras dcadas do sculo XIX e se far, sobretudo, a partir da metade do sculo, concomitantemente com a expanso das lavouras cafeeiras. Caio Prado Jnior ressalta as condies favorveis do Sul mineiro como regio abundante de guas, com rios perenes, pluviosidade bem distribuda e forragem privilegiada, mesmo nas reas mais altas. O Sul de Minas ser tambm pioneiro e exemplar, no pas, na organizao da produo agropastoril, com fazendas de grande porte, com administrao empresarial, adoo das tcnicas modernas disponveis, inclusive plantio de espcimes de forragens de melhor produtividade, diversificao de atividades e vocao mercantil, com alta lucratividade, algumas se especializando em determinados produtos.
Embora o caf surja j nos anos iniciais do sculo XIX, ser nas ltimas trs dcadas que se tornar lavoura dominante na Zona da Mata e, em menor proporo, no Sul de Minas, conformando um novo tipo de economia e remodelando o perfil de vrias cidades dessas regies. O caf foi o produto predominante, durante quase todo o sculo XIX, da pauta de exportao mineira: em 1818, era apenas 1,7% do valor desta pauta, j em 1850 alcanava 56,1% e chegava  quase totalidade do valor em 1890, com 84,6%. A pesquisa de Ana Luiza Martins Imprio do caf  a grande lavoura do Brasil  1850 a 1890, mostra a expanso das grandes fazendas cafeeiras, dominadas por famlias com ares aristocrticos, em geral com ttulos nobilirquicos, bares, condes, viscondes e marqueses, organizadas como empresas, nas quais havia a casa grande senhorial, forjas e oficinas, mquinas para preparo de outros produtos, especialmente o desdobramento da mandioca e do milho, moenda de cana-de-acar e alambique para a cachaa e fabricao de rapadura, olaria, ptio para secagem do caf e maquinaria especial para despolpamento, curral e casas de escravos e colonos, escola e capela. Nos nossos dias, o chamado Turismo Rural se torna forte em Minas com a transformao dessas velhas propriedades em hotis, com preservao, pelo menos parcial, das atividades agropastoris e prtica da velha culinria mineira, bastante apreciada.
Outra caracterstica dessa sociedade que se forma sob o impulso das grandes fazendas de caf so os casamentos consanguneos e o estabelecimento de ligaes por parentesco e compadrio, como formas de manuteno da indivisibilidade das terras e manuteno de influncias e poder poltico. Este foi o procedimento padro da organizao scio-familiar, sempre eficaz na multiplicao de oportunidades e consolidao de propriedades. Afinal, quanto mais amplas e slidas as relaes alcanadas nos arranjos matrimoniais, mais se estruturava uma rede de cunho familiar, com repercusses nas atividades comerciais. Essa nova elite, de origem rural, mas com expresso poltica pelo poder econmico, passar a ter, sobretudo nas trs dcadas finais do Segundo Imprio, alguma expresso poltica. E sempre na vertente conservadora, escravista, elitista e praticante de um mando poltico do tipo curral eleitoral. 
Como elos fundamentais da cadeia econmica desse sistema produtivo-mercantil, antes com produtos de primeira necessidade e, mais tarde, com o caf, desenvolvem-se grandes casas comerciais importadoras e atacadistas do Rio de Janeiro, quase todas proprietrias de tropas para transporte de mercadorias. Crescem igualmente, no contexto regional, vrias cidades sul-mineiras. So Joo del-Rei e Barbacena, por sua localizao geogrfica central no mapa mineiro, situadas  margem das principais estradas de ligao, tornam-se dois polos do comrcio atacadista, entroncamentos por onde se recolhiam mercadorias vindas de outras regies, pontos de tropeiros e onde se instalaram grandes armazns. Recolhiam a produo agropecuria de vasta regio e promoviam seu transporte e comercializao.  o que explica seu crescimento urbano e econmico alm dos outros ncleos regionais. Por elas passavam mercadorias originrias tambm de Gois e do Mato Grosso. Santo Antnio do Paraibuna, que se chamou Juiz de Fora a partir de 1865, ncleo principal do Caminho Novo, beneficia-se igualmente desse fluxo de mercadorias para o Rio.
Estudo de Marcos Paulo de Souza Miranda descreveu e revelou a existncia, ao lado das estradas reais dos caminhos velho e novo, usados nos primeiros anos da ocupao do territrio mineiro, de um Caminho do Comrcio, por onde passavam caravanas de tropeiros vindos das regies produtoras de Minas. Seu traado comeava em Pati dos Alferes, no Rio, passava por Paraba do Sul, Valena e, no territrio mineiro, por Rio Preto, Bom Jardim, Turvo (atual Andrelndia), Madre de Deus, a regio do Rio das Mortes, So Joo del-Rei. Por ela passou Saint-Hilaire, que a descreveu como rota do comrcio de mercadorias das regies produtoras de Minas para o Rio de Janeiro, especialmente nas primeiras dcadas do sculo XIX. 
Minas mantm hoje, agora pousadas que exploram o Turismo Rural, vrias fazendas de abastecimento, surgidas nos limites das regies da minerao. Eram propriedades produtivas de mantimentos para a rea mineradora, de terras imprprias para a lavoura e a pecuria.
Desenvolvem-se, do mesmo modo, Paracatu e outras cidades ribeirinhas ao Rio So Francisco, situados ao longo de caminhos por onde transitava o comrcio de gado e produtos agrcolas. Viajantes como Saint-Hilaire e Luccock do notcias da grande movimentao comercial de So Joo del-Rei, informaes confirmadas por Augusto Viegas, em Notcia de So Joo del-Rei, aplicado pesquisador e historiador da cidade. Vrias firmas atacadistas tinham tropas com at 50 mulas cada, fazendo regularmente o trajeto para o Rio de Janeiro. Spix e Martius tambm contam do movimento de mulas cargueiras que levam para o Rio de Janeiro toucinho, queijos, algum tecido de algodo, chapu de feltro, gado bovino, mulas, galinhas e barras de ouro. Minas abastecia o Rio de Janeiro com todos os gneros alimentcios de primeira necessidade, ficando pouca porcentagem para So Paulo e Paran, enquanto a navegao de cabotagem trazia produtos mais tpicos donorte do pas
Um exemplo significativo, citado por Alcir Lenharo, em As tropas da moderao: o abastecimento da Corte na formao poltica do Brasil, 1808-1842, de 1979,  o que revela as atividades de dona Joaquina do Pompu, proprietria de largas extenses de terras e tradicional vendedora de gado para a Corte no Rio. Nos dias aps a chegada das Cortes com Dom Joo VI, ela contribuiu, em um fornecimento especial, com 200 cabeas de gado para o abastecimento do Rio. E o fazia atravs de seu representante comercial em Vila Rica, Diogo Pereira de Vasconcelos, pai de Bernardo Pereira de Vasconcelos.
Os tropeiros representam um captulo especial na Histria de Minas. Em geral, formados por grupos familiares, organizados de forma independente ou pertencentes a firmas atacadistas ou a fazendeiros, quase sempre com muitos escravos, abriram muitas trilhas pelo territrio mineiro e percorreram vastas distncias com mercadorias para grandes centros consumidores. Sua organizao, seus caminhos, o trato dos animais, sua hierarquia, seu modo de vida e de alimentao, de canto e regozijo, seus pousos e escambos, constituem uma importante fase da sociedade mineira, com presena marcante em vrias regies e cidades. Provedor do nico meio de transporte de mercadorias, agente econmico fundamental, o tropeiro fazia a ligao entre dois mundos, o urbano e o rural. Na regio de Ouro Preto, at a dcada de 1950, tropas de burros passavam por So Bartolomeu, Cachoeira do Campo, Amarantina, Casa Branca (hoje Glaura), Acuru e Rio Acima, levando mercadorias para Nova Lima, especialmente para a Mina de Morro Velho, ento com mais de trs mil trabalhadores. 
Muitas so as tentativas dos governos provinciais de incentivar o desenvolvimento agrcola. A primeira escola agrcola foi criada, por ato de 31 de maro de 1840, no Jardim Botnico de Ouro Preto, que se tornou famoso no cultivo, preparo e fabrico do ch como tambm na criao do bicho-da-seda e de abelhas. Criado por ordem rgia de 1798, mas efetivamente implantado mais tarde, provavelmente s em 1825, o Jardim Botnico de Ouro Preto, o segundo do pas, na regio do Passa-Dez, abrigou vrias atividades e experimentaes, sempre descontnuas, at a sua extino e abandono. Em 1881, ao visit-lo, quando saa de Ouro Preto, Dom Pedro II relata que o encontrou abandonado, servindo de local para guardar barris de plvora, conforme anotou em seu Dirio de Viagem. Runas antigas, de porte elevado, entre outras reminiscncias, so testemunhos da imponncia de antigo casaro da escola e da sede do Jardim Botnico.
Outro exemplo de descontinuidade so as tentativas de dar uso adequado ao antigo quartel do Regimento de Cavalaria Regular, como tambm  antiga casa de campo dos governadores da Capitania, reconstruda em 1787 por Dom Rodrigo Jos de Menezes, ambas em Cachoeira do Campo. H informao, registrada por Diogo de Vasconcelos (Histria Antiga de Minas Gerais, Volume I) que em 1736 o governador da Capitania, Martinho de Mendona, mandara edificar um quartel em Cachoeira do Campo para abrigar o Esquadro de Cavalaria, ento sediado em Mariana, por falta de pastagens na antiga Vila do Carmo. Mas ter sido o governador Dom Antnio de Noronha, em 1775, que reorganizou as foras militares da Capitania e criou o Regimento Regular de Cavalaria de Minas, realizando a fuso de vrias companhias isoladas. O Regimento instalou-se, inicialmente, em Vila Rica, onde hoje se encontra o Colgio Pedro II e o Grande Hotel, na rua das Flores (Crnica Militar, 1969, Augusto de Lima Jnior), e s ter ocupado o novo quartel, em Cachoeira do Campo, em 1779. Como alferes de cavalaria, Tiradentes pertenceu a este Regimento que foi comandado pelo tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, um dos inconfidentes de 1789, degredado para a frica. Transferido o Regimento de Cavalaria, desdobrado em vrios outros quartis, o casaro de Cachoeira ficou sem funo.
Dom Joo VI procurou dar-lhe destinao, com diferentes atividades. Em 29 de julho de 1819, uma Carta Rgia mandou estabelecer uma coudelaria para criao e melhoramento de cavalos. Dom Pedro I, que o visitou em 1831, em vrias iniciativas estimulou a atividade que, no entanto, acabou extinguindo-se. Transformada em Fazenda Nacional de Cachoeira do Campo, terminou arrendada a vrios particulares. Dom Pedro II a doou  Provncia de Minas Gerais. J na Repblica, em 1890, o Governo do Estado criou o Ncleo Colonial Cesrio Alvim, para ensino agrcola. O seu fracasso acabou determinando a deciso de entregar ambas as propriedades  Ordem Salesiana, o que ocorreu em novembro de 1893, quando era governador Afonso Pena. Dedicado ao ensino agrcola nos primeiros tempos, virou o famoso Colgio e Internato Dom Bosco e, nos ltimos anos, foi uma hospedaria, o mesmo ocorrendo com a edificao, denominada Jardim das Rosas, levantada onde havia a antiga residncia dos governadores da Capitania, infelizmente demolida no princpio do sculo XX. O colgio, mantido pelas irms Auxiliadoras, ligadas  Ordem Salesiana, mantm-se em pleno funcionamento at hoje.
Nos ltimos anos,  farta a historiografia que busca nas transformaes econmicas e sociais por que passou a sociedade mineira no sculo XIX, especialmente das cidades surgidas nas zonas de minerao, os fatores condicionantes de uma personalidade regional. O sculo XVIII produziu uma rede de cidades de porte, nas quais o esprito aventureiro dos primeiros mineradores se adaptou  vida urbana e produziu surto cultural prprio. Mas essa vida urbana, mais prxima, convivente e com agitao social, ter de tambm conviver com a atividade rural, que substitui a minerao, seja para a economia de subsistncia e, logo, para a gerao de excedentes agrcolas exportados. A atividade agrcola  pacata, estvel, segura, com um trabalho contnuo nas mesmas terras. J a minerao exigia mobilidade, era atividade insegura, procurava-se continuamente o novo veio, dependente de alguma sorte e alta dose de aventureirismo, podendo ser exercida por um ou por muitos. O mineiro caminhou da minerao para a vida urbana e desta para a vida rural, esgotado o ouro. Acentua-se, no sculo XIX, o trao rural na personalidade dos mineiros. Fazendeiro, dividindo seu tempo entre a fazenda e a cidade, nesta exercendo tambm o papel de comerciante de produtos rurais, o mineiro forjou personalidade diferenciada no contexto brasileiro. Guarda os resqucios do minerador, mesclados com o ruralista e, nessa dinmica psicolgica, torna-se saudoso do passado glorioso do ouro. Tende a sonhar com a antiga fase urea, recheada de ilusrias riquezas e aventuras, mas torna-se simultaneamente apegado  terra, que lhe confere estabilidade. Torna-se igualmente mais contido, assentado, precavido e recatado, austero como  prprio do homem que vive da terra e dos imprevistos fatores climticos, dado  reflexo e  perspiccia, mais desconfiado das mudanas da vida e do tempo, mais poltico pela busca de amparos, poder e influncia no seu prprio destino e, por isto, mais conciliador. O passado tornou-se um sonho temperado pela atividade rural, que exige aplicao contnua  famlia,  terra e aos animais,  propriedade,  lavoura.
Os governos provinciais adotaram vrias medidas de proteo e explorao das guas minerais, uma nova riqueza de Minas, especialmente nos anos de 1850 a 1889, como anlise e captaes, instalaes adequadas para as fontes, desapropriaes, construo de balnerios em cidades como Poos de Caldas, Caldas, Caxambu, Contendas, Baependi, Campanha, Lambari, Cambuquira, Arax, So Loureno e outras com ocorrncias menores. Essas estncias hidroclimticas tiveram perodo de prosperidade, como destinos de repouso e recuperao fsica, pelo consumo de guas minerais, e, posteriormente, com o jogo, proibido em 1946 pelo ento presidente da Repblica, general Eurico Gaspar Dutra, causando, por longo perodo, uma estagnao nas estncias com o decrscimo do turismo.
Na poltica nacional, o Brasil viver, durante toda a segunda metade do sculo XIX, um perodo de lutas de ajustamento poltico, apesar da presena serena de Dom Pedro II, um intelectual preocupado em conhecer o pas, incentivador da educao e do desenvolvimento, de vida pessoal austera. O regime monrquico sofrer contestao contnua, causada em parte pelo prprio imobilismo de uma classe dirigente aristocrtica e conservadora, mas, sobretudo, pela campanha republicana, contestadora do regime, que recrudesce a partir de 1870, quando surge o primeiro manifesto pregando o novo regime. Dom Pedro dialoga, sustenta a Guerra do Paraguai (que se estendeu de dezembro de 1864 a maro de 1870), resolve a Guerra dos Farrapos (ou Revoluo Farroupilha, surgida em 1835 no Rio Grande do Sul e que durou at 1845) e outros motins regionais. 
Ser a Abolio da Escravatura, em 1888, a causa imediata da Proclamao da Repblica, um ano depois. O governo perde o apoio da classe rural. A administrao emperra em meio a sucessivas crises e desordens, polticas e militares. A economia imobiliza-se. Por toda parte surgiam, impunes, a corrupo e a prepotncia. A poltica imperial j causara grande descrdito sobre o regime monrquico, permitindo que a Repblica se implantasse atravs de uma simples manifestao militar, sem qualquer uso de fora ou conflito, sem a participao do povo, que acompanhou o golpe militar bestializado, expresso do visconde de Ouro Preto (Afonso Celso de Assis Figueiredo, nascido em Ouro Preto a 21 de fevereiro de 1836 e falecido no Rio, a 21 de dezembro de 1912), chefe do ltimo gabinete do Segundo Imprio. O visconde, atento ao quadro poltico, acompanhava e contestava a movimentao nos quartis, com medidas consideradas duras e at ofensivas por alguns chefes do Exrcito, causando grande descontentamento no meio militar, o que foi o fator desencadeante do golpe republicano.
No houve quem defendesse o Imprio, a monarquia ou o imperador, por quem se tinha respeito pessoal, mas no pelo seu governo. Dom Pedro, que se encontrava em Petrpolis, simplesmente aceitou a Repblica, sem qualquer resistncia. Queixavam-se todos do sistema imperfeito de impostos, da m gesto financeira, da imobilidade governamental. Dom Pedro II, stimo filho de Dom Pedro I, que nascera a 2 de dezembro de 1825, no Palcio de So Cristvo, morreu em Paris, a 5 de dezembro de 1891, onde vivia no Hotel Bedford, de categoria mdia. Passou os ltimos dias frequentando institutos culturais e cientficos de Paris. Esteve no poder de 1841 a 1889. Imediatamente aps a Repblica, foi para Portugal e depois para Nice, para a casa de sua filha, e, finalmente, para Paris. 
A Repblica, para que o movimento no fosse visto como uma simples reao de militares, ou um golpe dos quartis, adotou e divulgou a ideologia positivista, que tinha no Brasil, como seu principal propagador, a Benjamim Constant de Botelho Magalhes, tenente-coronel do Exrcito e professor da Escola Militar, com imenso prestgio entre o meio militar. Historiadores contemporneos atribuem a ele a condio de lder maior da Proclamao da Repblica. J havia algum tempo que se propagava no Brasil, em meio aos movimentos republicanos e outros que ansiavam pela modernizao do pas, o pensamento de Augusto Comte, filsofo francs nascido em Montpellier, em 1798, e falecido em Paris, em 1857. Os positivistas ocuparam postos no magistrio, na imprensa, nas assembleias, nos governos estaduais e no Exrcito e se mantinham ativos na sua Igreja e Apostolado Positivista do Brasil. Constant, proclamada a Repblica, foi o primeiro-ministro da Guerra e logo depois ministro da Instruo. 
O movimento republicano buscou tambm conquistar os movimentos e dolos populares e elegeu, para tal, a boa imagem pblica de Joaquim Jos da Silva Xavier, o Tiradentes e dos inconfidentes mineiros. Seu nome foi proclamado em toda a campanha republicana a partir do primeiro manifesto republicano, em 1871, como smbolo de brasileiro progressista, republicano, heri, futurista, revolucionrio e combatente, capaz de morrer pela ptria e que manteve-se ntegro por todo o tempo de priso, conforme atestam os Autos da Devassa da Inconfidncia Mineira de 1789. A verdade  que so poucos os heris brasileiros e Tiradentes, por trajetria de vida e morte, cercada de elementos trgicos, sobretudo por seu enforcamento e esquartejamento, ao lado das tristes histrias dos poetas inconfidentes, como Toms Antnio Gonzaga, Claudio Manoel da Costa e Alvarenga Peixoto, como tambm por seu pensamento avanado para a poca, ofereciam as condies de melhor representar o pensamento revolucionrio republicano. Ser o movimento republicano que dar projeo ampliada a Tiradentes e aos inconfidentes mineiros, mantidos em certo esquecimento por muitos anos. Falava-se que lembrar o suplcio de Tiradentes poderia ser uma ofensa a Dom Pedro II, neto e bisneto de d. Maria I e Dom Joo VI, que executaram o heri mineiro.
O primeiro dirigente republicano, marechal Deodoro da Fonseca, de quem dizia-se que pretendia mais substituir o Ministrio, e atingir o visconde de Ouro Preto, do que implantar a Repblica, at porque lhe faltavam, como os anos seguintes vo demonstrar, competncia e nimo para a construo de uma nova nao, alm da avanada idade. Deodoro, em uma reunio com os militares, dissera: Sou monarquista, mas, se me convencer que a monarquia  incompatvel com os interesses da ptria, optarei pela ptria. Para ele, os brasileiros nunca se prepararam para a Repblica, isto porque sempre lhe faltaro educao e respeito. Quem, verdadeiramente, ir organizar o Governo Provisrio ser Rui Barbosa. Deodoro, aps conflitos com o Congresso, renunciar em novembro de 1891 em favor do vice-presidente, marechal Floriano Peixoto. 
Em Minas, sempre atenta e participante dos debates polticos, trava-se a discusso, como no Rio e outras Provncias, sobre o sistema republicano: ser federativo ou unitrio,  hora de realizar nova constituinte, o sistema eleitoral precisa ser aprimorado, como organizar o novo governo e sob que inspiraes e diretrizes. Jos Cesrio de Faria Alvim  nomeado, a 30 de novembro de 89, presidente de Minas, pelo Governo Provisrio Republicano, chefiado por Deodoro da Fonseca, cargo em que permaneceu por quatro meses, quando foi indicado ministro do Interior. Alvim, republicano e liberal, foi deputado estadual e federal por vrios mandatos. Mais tarde, j pelo Partido Republicano, elegeu-se senador. A 15 de junho de 1891, foi eleito primeiro presidente constitucional de Minas Gerais. 
Floriano Peixoto, militar de feio ditatorial, foi obrigado a destituir e prender polticos e militares para manter-se no poder. Entrou em franca oposio ao Congresso. Decretou estado de stio e determinou a priso de opositores. Caberia a Minas e a So Paulo lutarem pelo retorno  normalidade constitucional, que se conquista finalmente com a eleio do civil Prudente de Morais, homem de atitudes firmes, mas aberto ao dilogo. Chegou a fechar a Escola Militar, fonte de motins. Pacificou o Rio Grande do Sul. O presidente seguinte, Campos Sales, marcou-se pela busca da estabilidade financeira, tentando tirar o pas da bancarrota. Seguiram-lhe Rodrigues Alves e o mineiro Afonso Moreira Penna, de Santa Brbara, estadista, poltico experiente do tempo do Segundo Imprio, ex-aluno do Caraa. 
Nilo Peanha foi o presidente seguinte, seguido pelo marechal Hermes da Fonseca, sobrinho de Deodoro, ministro da Guerra de Afonso Pena e que, no Governo, repetir o que se chamou de caudilhismo dos dois primeiros presidentes militares. Rui Barbosa (1849-1923), lanado por uma conveno dissidente candidato  Presidncia, ser o grande opositor de Hermes na disputa que se realiza de agosto de 1909 a maro de 1910, a chamada Campanha civilista, com a qual percorre o pas e que se encerra, simbolicamente, em Ouro Preto, em fevereiro, dias antes da eleio, e onde, dizia ele, buscava inspirao de liberdade e civismo. Para Rui, Hermes representava apenas o militarismo, pois no tinha carreira poltica nem era afeito  gesto pblica. Era o militar e no o cidado que se candidatava, o que representava o retorno do militarismo ao poder, prtica que Rui considerava danosa no s aos prprios militares como para a vida poltica e civil. A campanha de Rui passou  Histria do Brasil como pgina importante na construo da democracia e no combate s oligarquias que dominavam a poltica na Primeira Repblica. Em Minas, por onde passou, em Ouro Preto, em que andou pelas ruas, foi recebido com entusiasmo em nome do velho liberalismo mineiro. Rui e seus elaborados discursos civilistas ainda hoje marcam o dicionrio poltico nacional.
Seguem os governos dos mineiros Wencelau Braz, de Braspolis, e Delfim Moreira de Santa Rita do Sapuca, o de Epitcio Pessoa e novamente o governo de outro mineiro, Artur Bernardes, nascido em Viosa. Bernardes ser sucedido pelo paulista Washington Luiz, que vai desencadear a Revoluo de 30, quando Minas, Rio Grande do Sul e Paraba se unem contra So Paulo e levam o gacho Getlio Vargas ao poder. Antnio Carlos Ribeiro de Andrada, de Barbacena, governador de Minas, lidera a Aliana Liberal em oposio s pretenses de Washington Luiz de fazer Jlio Prestes, prefeito de So Paulo, seu sucessor. Na verdade, eram antigos e muito os choques entre o governador de Minas e o presidente da Repblica, situao que se repetia com outros Estados. Antnio Carlos prope a Getlio uma candidatura prpria, enquanto Washington Luiz oficializava o nome de Jlio Prestes, quebrando a velha poltica do caf com leite. Minas obtm a adeso de Joo Pessoa, da Paraba, e lana a campanha, que encontrar franco apoio na imprensa de quase todo o pas. Realizada a eleio, Jlio Prestes  eleito em processo contestado. Irrompe a revolta, com as tropas de Minas confrontando-se com as paulistas na fronteira dos dois Estados. Getlio  empossado na Presidncia. 
Entre os meses de julho e outubro de 1932, ocorre a Revoluo Constitucionalista de So Paulo, que visava a derrubada do governo provisrio de Getlio Vargas e a promulgao de uma Constituio para o Brasil. Foi, sobretudo, uma revolta contra a Revoluo de 30, que acabara com a autonomia dos Estados adquirida por meio da Constituio de 1891. O 9 de julho, data em que os paulistas guardam a memria de 1932,  feriado estadual. So Paulo considera este o maior movimento cvico de sua histria. Foram quase trs meses de efetivos combates, com um saldo de quase dois mil mortos at a rendio paulista, a 2 de outubro. Os lderes paulistas, em seus pronunciamentos, sustentavam que a Revoluo de 30 no fora feita contra Washington Luiz, presidente de 1926 a 30 e que preterira Minas na sucesso presidencial, mas contra So Paulo e seu progresso. Irineu Machado, senador fluminense, declara que a reao contra a candidatura de Jlio Prestes representa no um gesto contra o presidente do Estado, mas uma reao contra So Paulo, que se levantar porque isto significa um gesto de legtima defesa de seus prprios interesses. Tropas paulistas chegaram a tomar Pouso Alegre, em Minas, mas foram rechaadas. Os principais combates se deram no alto da Serra da Mantiqueira, na Garganta do Emba (antiga passagem de bandeirantes), prximo a Passa Quatro, na fronteira entre os dois Estados, ponto estratgico pela existncia de um tnel atravessado pela estrada de ferro que permitiria o acesso  vasta regio do Sul de Minas. Os paulistas invadiram tambm Passa Quatro, sendo afugentados por tropas mineiras, que tiveram decisivo papel na vitria. Em 1934, Getlio se reconcilia com So Paulo e promulga nova Constituio.
Alguns historiadores, no comprometidos com a causa paulista, como Afonso Arinos, oferecem viso um tanto diferente. Para ele, vitoriosa a Revoluo de 30, em grande parte feita contra o prussianismo paulista, era natural que aquele Estado sofresse o contragolpe. Da a Revoluo de 32, que foi muito mais paulista que constitucionalista. O apelo  constitucionalizao era apenas a procura da nica forma capaz de diminuir o poder de um governo que asfixiava os crculos polticos de So Paulo e feria os brios e a susceptibilidade do povo mais progressista do pas.
A mudana da Minas mineradora para a Minas agrria, em processo que se inicia nas dcadas finais do sculo XVIII e que se consolida no sculo XIX, faz surgir as grandes fazendas mineiras. A Provncia, antes predominantemente urbana, torna-se interiorana ou rural. Com a expanso do caf, predominantemente na Zona da Mata e no Sul de Minas, o fazendeiro e, muito especialmente, o cafeicultor, adquire ares aristocrticos. J o criador de gado, proprietrio de grandes extenses de terra, vira coronel, chefe poltico, com mando efetivo de vida e morte no seu territrio. Dedica-se, fundamentalmente, a disputas de mando municipal, com interminveis conflitos entre as famlias representantes das oligarquias locais. Segundo o historiador Jos Murilo de Carvalho, o poder dos coronis estendia-se a uma rede complexa criada pela reduo do patrimonialismo rural e o avano da burocracia urbana. E do seu poder poltico dependiam os governos: O governo estadual garante, para baixo, o poder do coronel sobre seus dependentes e seus rivais, sobretudo cedendo-lhe o controle dos cargos pblicos, desde o delegado de polcia at a professora primria. O coronel hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de votos. Para cima, os governadores do apoio ao presidente da Repblica em troca do reconhecimento, por parte deste, do seu domnio no Estado. O coronelismo  uma fase do processo mais longo de relacionamento entre os fazendeiros e o governo. O coronel impunha, nos domiclios eleitorais, o voto de cabresto, quase sempre negociado com algum favor ou trfico de influncia. Os ttulos de coronel e outras patentes eram concedidos pela Guarda Nacional, criada em 1831, segundo modelo francs, e serviu para atrelar os proprietrios rurais aos governos. Recrutava cidados com renda elevada e seu objetivo era defender a Constituio, a liberdade, a Independncia e a integridade do Imprio. Alguns coronis instituram guardas prprias. 
Aps a Repblica, a classe rural mineira adquire maior poder na conduo da poltica, situao que perdura durante toda a Primeira Repblica (1889 a 1906). Embora a causa republicana j congregasse vrios ativistas, especialmente aps o Manifesto Republicano, publicado em 3 de dezembro de 1870, redigido por Quintino Bocaiuva, Joaquim Saldanha Marinho, que governara Minas, e Salvador de Mendona, o Partido Republicano Mineiro s ser criado em 4 de junho de 1888, em Ouro Preto, com presena de representantes de 47 cidades na conveno inaugural, secretariada por dois defensores ardorosos da Repblica: Joo Pinheiro da Silva e Antnio Olinto dos Santos Pires, o ltimo poltico e professor da Escola de Minas e que governar o Estado. No PRM, criam-se as condies para que a elite poltica rural se alie s novas classes urbanas, intelectuais e burocratas, celebrando novos acordos de domnio e conservao mas, em vrias medidas, renovando a velha poltica mineira. Em Minas a campanha republicana ganhou muitos adeptos, sendo importante lembrar, entre outras publicaes, o Sentinela do Serro, de Tefilo Ottoni, e O Jequitinhonha, editado por Joaquim Felcio dos Santos, em Diamantina, propagadores das ideias republicanas. Ottoni e Felcio dos Santos, com suas numerosas famlias, com vrios militantes polticos, tiveram grande influncia no pensamento e na vida politica mineira em meados do sculo XIX (Ideias filosficas e polticas em Minas Gerais no sculo XIX, Jos Carlos Rodrigues, 1986).
Ser no esturio doutrinrio dos partidos republicanos estaduais que se manter, uma vez mais, o pacto conservador, renovado pelas exigncias da evoluo da contemporaneidade. Sero essas agremiaes, em Minas e So Paulo, que iro engendrar o chamado Acordo do Caf com Leite, o qual perdurar at 1930, pelo qual os dois Estados elegiam alternadamente os presidentes da Repblica. Em 1913, os governadores de Minas, Jlio Bueno Brando, e de So Paulo, Cincinato Braga, celebram o Pacto de Ouro Fino, que combinava a alternncia de polticos de Minas e de So Paulo na presidncia do Brasil, o caf paulista e o leite mineiro. So Paulo tinha maior poder econmico e Minas maior populao. Na verdade uniram-se as duas oligarquias, desagradas com o governo de Hermes da Fonseca, que combatia seu mandonismo poltico. Este pacto definiu governadores durante todas a Primeira Repblica, rompido com a Revoluo de 1930, com Getlio Vargas no poder e o ato discricionrio de Washington Lus, paulista, que elege Jlio Prestes, em eleio contestada, preterindo Antnio Carlos Ribeiro de Andrada, governador de Minas. Getlio Vargas, gacho, disputara a presidncia. 
Surge, por essa poca, como produto dessa realidade histrica, como j dito, um novo esteretipo do mineiro, em especial do poltico, que perduraria at os dias de hoje, embora com mais raros exemplos. Trata-se de uma forma de fazer poltica, ou de comportar-se, que se classifica de mineiramente. Jos Murilo de Carvalho, no seu Ouro, terra e ferro  vozes de Minas, escrito para o livro Minas e os fundamentos do Brasil moderno, coordenado por ngela de Castro Gomes (UFMG, 2005), assim exemplifica: Aps 1930, a figura mais representativa deste estilo, em dimenso quase caricatural, foi sem dvida Benedito Valadares (interventor em Minas, de 1933 a 1945), seguido, de perto, sem caricatura, por Tancredo Neves. Na verso positiva, o estilo inclui habilidade na negociao, na conciliao, na criao de consenso. Pelo lado negativo, denota capacidade de desconversa, de ocultamento, de confabulao, do exerccio da poltica pela poltica, pela mera aquisio e manuteno do poder. Em nenhuma das duas verses indica ambio de realizar grandes projetos, arrojo e audcia. Dizia-se que enquanto Minas fazia poltica, So Paulo fazia economia, e, nesse quadro, perdeu tempo, posio e populao, a exemplo do que j ocorrera com a exausto do ouro e na segunda metade do sculo XIX. A Histria de Minas parece viver sempre a dialtica entre a tradio e a modernidade.
Por sua vez, Afonso Arinos afirma que o esprito mineiro se define historicamente pela juno da poltica com a cultura, ou seja, nele, a busca pelo poder no se separa da atrao pelo mundo das ideias e pelo esmero de sua expresso formal. Esta  a marcha do nosso processo histrico, que nunca se desviou, desde a Inconfidncia, que constitui a primeira expresso da conscincia coletiva em Minas Gerais. 
Ser tambm Jos Murilo de Carvalho que definir, com exatido, a transformao de Minas e dos mineiros nos anos finais do sculo XIX:  medida que o sculo avanava e o caf expandia-se pelo Sul de Minas e Zona da Mata, o carter rural dos mineiros se acentuou. O domnio da Minas da terra se consolidou aps a Proclamao da Repblica. De incio, o princpio federal favoreceu disputas de poder entre as lideranas das vrias regies do Estado. Silviano Brando (governador de Minas de 1898 a 1902), poltico do Sul, conseguiu implantar a hegemonia da nova poltica, usando como instrumento de ao o Partido Republicano Mineiro. A antiga liderana, que girava em torno de Cesrio Alvim (duas vezes governador, em 1889-90 e 1891-92), e tinha como participante Antnio Olinto, fundador do PRM, desapareceu do mapa poltico, ou passou para o segundo plano. O novo partido enquadrou os coronis, restringiu os poderes municipais, unificou a poltica do Estado. A bancada mineira na Cmara Federal, antes fragmentada, passou a ser conhecida como a carneirada, a servio do presidente do Estado e de suas alianas com o presidente da Repblica. A poltica mineira adquiriu a imagem que ainda perdura: governista, conservadora, cautelosa, estvel. A elite comeou a falar de si mesma como o fiel da balana da Federao, como o ponto de equilbrio do pas nos momentos de instabilidade. Em 1889, Silviano Brando, presidente do Estado, aliou-se a Campos Sales na formao da poltica dos Estados que estendeu ao nvel federal o alcance do domnio das oligarquias rurais. 
Essa caracterizao do poltico mineiro ou da elite dirigente do Estado, desde o final do Segundo Imprio, aplica-se, com maior ou menor enquadramento, em razo de distines pessoais, aos homens que governaram o Estado no perodo. So traos comuns a todos  mesmo entre os mais ilustrados e empreendedores, ou mesmo entre os adeptos da renovao econmica  o esprito socialmente conservador, a conduta um tanto retrada, a estudada simplicidade. Transitam entre a honestidade e a sovinice, so religiosos, apegados ao cl familiar e ao municipalismo. No fogem a essa caracterizao os governadores, anteriores  Repblica, e mesmos os que chegaram depois ao poder. 
Proclamada a Repblica, o presidente de Minas, Joo Batista dos Santos, visconde de Ibituruna, recebe em Ouro Preto telegrama de Deodoro da Fonseca comunicando-lhe a nomeao de Jos Cesrio de Faria Alvim (nascido em Pinheiros Altos, distrito de Piranga), empossado sem qualquer resistncia. Seguiram-no, como governadores do Governo Provisrio Republicano, em curtssimos perodos, Antnio Olinto dos Santos e Joo Pinheiro da Silva (primeira vez), ambos nascidos no Serro, Domingos Jos da Rocha, Crispim Jacques Bias Fortes, de Barbacena, Frederico Augusto lvares da Silva e Antnio Augusto de Lima, de Nova Lima. O primeiro presidente eleito, no perodo republicano, ser novamente Jos Cesrio de Faria Alvim, empossado a 18 de junho de 1891, seguido por Eduardo Ernesto da Gama Cerqueira, de So Joo del-Rei, Afonso Augusto Moreira Penna, de Santa Brbara, Crispim Jacques Bias Fortes (segunda vez), de Barbacena, Francisco Silviano Brando, de Campanha, Joaquim Cndido da Costa Sena, de Conceio do Mato Dentro, Francisco Antnio de Salles, de Lavras, Joo Pinheiro da Silva (segunda vez), do Serro, Jlio Bueno Brando, de Ouro Fino, Wenceslau Braz, de Braspolis, Jlio Bueno Brando (segunda vez), Delfim Moreira da Costa Ribeiro, de Cristina, Artur da Silva Bernardes, de Viosa, Raul Soares de Moura, de Ub, Olegrio Maciel (primeira vez), de Patos de Minas, Fernando de Melo Viana, de Sabar, Antnio Carlos Ribeiro de Andrada, de Barbacena, Olegrio Maciel (segunda vez) e Gustavo Capanema (breve perodo), de Pitangui. Como interventores, governaram Minas Benedito Valadares e, por perodos pequenos, Nsio Batista de Oliveira, Joo Tavares Beraldo, Jlio Ferreira de Carvalho, Noraldino Lima e Alcides Lins. 
Benedito Valadares, interventor, nomeia Juscelino Kubitschek prefeito de Belo Horizonte em 1940, cargo em que permanece at 1945. E Juscelino ser o melhor exemplo de um novo homem pblico, progressista, moderno, incentivador do dilogo e apoiador das manifestaes culturais, desempenho que repete  frente do Governo do Estado e na Presidncia da Repblica.
Mas uma anlise da evoluo econmica de Minas exige que voltemos ao sculo XIX. O desenvolvimento da Provncia e tambm a ocupao de territrios ainda inexplorados vo ocorrer de maneira dispersa e desarticulada, em grande parte devido  prpria qualidade diferenciada das terras e das vocaes econmicas substitutas. A exausto da atividade mineral, esgotada nem sempre pelo trmino do ouro, mas pela falta de meios e tcnicas mais eficazes de perfurao e desmonte de rochas, leva populaes inteiras a procurar novos territrios. A substituio da atividade econmica no  fcil nas regies e cidades que viviam da minerao. A substituio leva pelos menos trs dcadas e as cidades histrias, surgidas da minerao, situadas em terras pouco adequadas para a explorao agrcola, sofrem empobrecimento, com reduo das atividades do comrcio e fuga da populao. Os viajantes estrangeiros que percorrem Minas, nas primeiras dcadas do sculo XIX, deixam relatos testemunhando a decadncia, com o esvaziamento das antigas cidades histricas, perda de populao e fuga para o campo.
Em 1812, conforme j relatado, o baro Eschwege construiu em Congonhas do Campo um forno-baixo, produzindo ferro destinado a ferramentas e ferragens diversas. Em 1817, o engenheiro francs Jean Antoine Felix Dissandes de Monlevade implantou fbrica de ferro na cidade que hoje tem seu nome, e onde seria construda, no futuro, a maior unidade da Companhia Siderrgica Belgo-Mineira. Mas somente muito mais tarde, em 1883, quando Armand de Bovet, da Escola de Minas, contou em torno de 75 pequenas fbricas de ferro, a forno-baixo,  que se pode dizer que a vocao mineral tinha j alguma expresso econmica e era efetivamente uma atividade substituta.
Dispondo de capitais e melhor tecnologia, e aproveitando a abertura propiciada pela presena de Dom Joo VI no Brasil, que foge para o Brasil sob proteo da esquadra inglesa, grupos daquele pas investem na explorao de ouro. A Imperial Brazilian Mining Association inicia a operao da mina da Cata Preta, em Itabirito, Congo Soco, em Baro de Cocais, Antnio Pereira, em Ouro Preto, e Serra do Socorro, em 1824. A Saint John dEl Rey Mining Limited, em 1830, implanta-se em So Joo del-Rei e, logo depois, adquire em Nova Lima a famosa Mina de Morro Velho, j explorada havia alguns anos. Os capitais ingleses mantinham tambm empreendimentos em vrias outras regies mineiras. O ouro em Minas Gerais, de Paul Ferrand, professor da Escola de Minas, publicado em 1894,  documento fundamental para conhecimento da atividade mineratria, sua organizao e tcnica, bem como a presena inglesa nesta atividade em Minas. Ferrand chegou ao Brasil em 1882, ento com 27 anos, recm-graduado pela cole Nationale Suprieure des Minas de Paris, e juntou-se ao pequeno grupo de professores liderados por Henri Gorceix, fundador e diretor da Escola de Minas de Ouro Preto (1876).
Nas dcadas finais do sculo XIX, a Mata, Sul e Tringulo passam a ter vida ligada ao Rio e So Paulo, polos de atrao econmica e consumidores de bens agropecurios. A Mata e o Sul se dedicam ao caf e a laticnios. O Tringulo concentra-se, pela adequao de suas terras,  agropecuria, mas s vai tornar-se um polo moderno desta atividade a partir de 1890, especialmente na criao de gado, com o desenvolvimento de raa especial para o corte, de origem indiana. Hoje, o Tringulo beneficia-se de sua centralidade geogrfica e da proximidade com So Paulo, Gois, Mato Grosso e Braslia, passando por rpida industrializao. Os grandes vales, do So Francisco, do Jequitinhonha, Mucuri e Doce, mantiveram-se na pecuria extensiva. O Norte, com distanciamento geogrfico e terras no muito favorveis, permaneceu menos diversificado, com predomnio da criao bovina. Merece destaque nesta regio a plantao de algodo, que se inicia em meados do sculo XIX e alcana expresso econmica importante, exportando para todo o Brasil, atividade que perdurou at a metade do sculo XX. 
A tecelagem ser a mais importante atividade industrial de transformao no sculo XIX mineiro, com vrias iniciativas. Diversas localidades implantaram fbricas de tecidos. A pioneira, em 1872, primeira em Minas e segunda no Brasil, foi a Companhia de Tecido Cedro, mais tarde denominada Cedro e Cachoeira, implantada pelos irmos Bernardo, Caetano e Antnio Mascarenhas em Tabuleiro Grande, hoje Caetanpolis. A companhia tambm implantou fbricas em Biri-Biri, distrito de Diamantina, em Gouveia e outras cidades. Em 1874, Sabar, Pitangui, Machado, Curvelo, Par de Minas, Oliveira e Dores do Indai possuam fbricas de tecidos. 
Um dos Mascarenhas, Bernardo, visitou fbricas na Inglaterra e implantou unidades de tecidos em Juiz de Fora e uma usina hidreltrica, em 1889, a primeira a operar comercialmente na Amrica do Sul, hoje pertencente  Cemig. Bernardo Mascarenhas integra a lista dos grandes industriais e empreendedores de Minas Gerais, com vrias iniciativas, pioneiras na industrializao do Estado. H que se lembrar que na mesma Juiz de Fora, em 1888, instalou-se o Banco de Crdito Real de Minas Gerais, encerrado no Governo Eduardo Azeredo. O Sul de Minas tambm vai se distinguir no ramo da tecelagem, com a operao de vrias unidades industriais. 
No entorno de Juiz de Fora, incluindo as cidades de Lima Duarte, Palmira (hoje Santos Dumont), Barbacena e os antigos distritos de Oliveira Fortes e Antnio Carlos, desenvolve-se forte bacia leiteira, com matrizes importadas pioneiramente da Holanda, por volta de 1910, junto com tcnicos laticinistas que ali vo criar as primeiras fbricas de beneficiamento. Nasce, tambm nesta regio, a indstria de queijos especiais, chamados do reino, com massa cozida, com um bom nmero de fbricas de laticnios, desenvolvidas e dirigidas por tcnicos holandeses, com sobrenome Jong, Kima e Werkema, at hoje com produo destacada no mercado brasileiro. A implantao, em Juiz de Fora, do Instituto Cndido Tostes, para ensino e desenvolvimento tecnolgico de laticnios, dar modernidade tecnolgica  atividade. A seu favor, havia a proximidade com o grande mercado consumidor do Rio de Janeiro, abastecido em grande parte pelo Sul de Minas. O dinamismo industrial da Zona da Mata foi bastante expressivo, especialmente em Juiz de Fora, que chegou a ser chamada de Manchester Mineira.
O importante trabalho de Cllio Campolina Diniz, Estado e capital estrangeiro na industrializao mineira  O atraso mineiro e suas explicaes, publicado em 1981, identifica na segunda metade do sculo XIX o perodo em que o Estado perdeu a corrida desenvolvimentista por ter se dedicado, nas suas melhores terras,  cafeicultura. Os indicadores econmicos de Minas, relativos ao perodo da chamada Primeira Repblica, de 1889 a 1906, revelam declnio comparativamente a So Paulo, como tambm em nmeros absolutos. Mesmo o caf, que vinha em crescimento, mostra reduo neste perodo, exceo do ano de 1895. Vrios fatores, inerentes  economia cafeeira, explicam a relativa estagnao mineira e, sobretudo, o grande desequilbrio econmico entre as diversas regies do Estado. A mo de obra das lavouras em Minas, essencialmente escrava, foi perdida, em 1888, com a Abolio, enquanto em So Paulo j se adotava o trabalhador assalariado, proveniente de imigrantes estrangeiros, italianos, alemes, japoneses, trazidos em sucessivos programas. Surgiu o colono, no sistema de meeiro, mais produtivo do que a mo de obra escrava. 
Censo de 1890 contabilizava a populao de Minas em 3.184.099 habitantes, dos quais 46.787 eram estrangeiros, a maioria formada por imigrantes vindos por meio de programas especiais. So Paulo tinha populao de 1.384.753 pessoas, das quais 75.030 j eram estrangeiros. Nos anos seguintes, os governos fazem esforo para trazer imigrantes, com poucos resultados. A maioria vai se fixar em So Paulo e Rio, que ofereciam melhores condies, com a vantagem do menor distanciamento geogrfico. Minas tinha o maior nmero de escravos, condio vista como fator que afastou os imigrantes, situao que tambm deformou o carter nacional, marcando-o profundamente, com a estigmatizao do trabalho braal como tarefa inferior, indigna do homem livre (Francisco Iglesias, Poltica econmica do Governo Provincial mineiro  1835 a 1889). Em 1872, Minas apresentava populao total de 2.102.689 pessoas, sendo 465.099 negros e 687.542 mulatos, o que mostra a importncia da mo de obra escrava na Provncia e o que representou para ela a Abolio. Em 1890, para a populao global de 3.184.099 pessoas, Minas tinha 583.048 negros e 1.112.255 mulatos. 
A economia paulista tornou-se mercantilizada, com adoo de mtodos capitalistas. De sua parte, a expanso das lavouras, em Minas, esbarrou nas terras de vocao mineral, imprprias para o plantio, limitadas, ainda, pela aclividade do relevo. Minas, mediterrnea, sem porto martimo, distante do litoral e sem estradas de boa qualidade, tinha dificuldades adicionais para a exportao, facilitada em So Paulo, onde surgiram empresas comerciais, casas bancrias e sistemas de transporte rodoferrovirio. O sistema ferrovirio s comea a ser implantado no territrio mineiro em 1869, mas vai se expandir apenas nas dcadas de 80 e 90. O beneficiamento do caf, gerando valor agregado, ampliou-se rapidamente em So Paulo. Contudo, o caf em Minas no produziu excedentes acumulativos de capital, essencial ao surgimento do empresrio capitalista. Alm disto, a chamada fazenda patriarcal mineira, como cita Campolina, dedicada  subsistncia familiar, arcaica e com dificuldades para se transformar em empresa, no produziu economia mercantilista. 
Uma anlise detalhada desta questo encontra-se em Caf e indstria em Minas Gerais  1870-1920, de Joo Heraldo Lima. Perfil da exportao de Minas em 1902 mostrou que 64% da receita fiscal do Estado vinha do caf, 19% de bovinos, 5% de produtos do leite, especialmente queijo, e o restante de vrios produtos, todos agrcolas e primrios. Entre 1889 e 1926, o caf representou em mdia 52,39% do conjunto de todos os produtos exportados por Minas. A produo cafeeira mineira, concentrada na Zona da Mata e no Sul, representava, em mdia, 20,42% da produo nacional entre os anos de 1876 e 1930. So Paulo, acima de Minas, tinha uma participao de 54,43% da produo cafeeira nacional. Em terceiro lugar estava o Rio de Janeiro, com 20,08%.
Nota-se a dependncia de sua atividade econmica a um s produto e a pouca elaborao industrial apresentada pela economia mineira em todos os anos finais do sculo XIX. 
A cafeicultura, que se firma nas primeiras dcadas do sculo XX, sofre com a erradicao operada pelo Governo Vargas na dcada de 30, realizada para recompor preos e mercados em face de uma excessiva produo e da retrao no mercado internacional com a crise econmica de 1929. Somente a partir da metade do sculo XX  que a cafeicultura mineira passar  liderana na produo brasileira, com So Paulo e Paran diversificando suas atividades econmicas. Constata-se tambm que o Sul de Minas e a Zona da Mata possuem condies climticas mais adequadas a novas culturas, com terras acima de 700 metros de altitude. A cafeicultura produzia lideranas polticas, em geral, conservadoras, gestadas e sustentadas em sociedades oligrquicas, por elites aristocrticas e quase sempre infensas ao progresso transformador. Por outro lado, a monocultura explica bem o atraso econmico mineiro em todo esse perodo, situao que ser sentida e lamentada a partir de meados do sculo XX, quando o Estado inicia um esforo pela diversificao econmica e, em especial, pelo avano da agroindstria, e se elaboram diagnsticos do quadro macroeconmico pelos rgos de fomento que vo surgindo.
Em verdade, a historiografia contempornea, marcada por vrias pesquisas e teses acadmicas, ainda discute intensamente o perodo compreendido entre as duas ltimas dcadas do sculo XIX e as duas primeiras do sculo XX, consideradas de evidente atraso para Minas Gerais, que perdeu populao e posio econmica para So Paulo. Matrias como sistemas de abastecimento, vida social e familiar, relaes entre a cidade e o campo, da moderna Histria Social, vo revelando novas relaes e modos de vida da poca. Questiona-se a importncia econmica do caf, tido por alguns como a principal riqueza do Estado e causa da elevao poltica mineira no cenrio nacional, em razo da representao poltica que teria gerado. 
Amlcar Vianna Martins em O segredo de Minas  a origem do estilo mineiro de fazer poltica  1889/1930, de 2009, contrariando algumas teses relativamente consagradas na historiografia mineira, afirma que, em Minas, no perodo estudado, a estrutura econmica era um agregado de milhares de unidades produtivas isoladas e autossuficientes, o que no levou o setor econmico a assumir uma efetiva poltica de representao dos interesses do Estado. E lembra afirmao de Francisco Iglesias sobre o velho dito de que os fazendeiros mineiros s importavam sal e plvora e no era motivado por orgulho, mas resultado da pobreza. Salvo algumas excees, a economia agrria mineira era de subsistncia, pouco gerando para a exportao. Pauta dos produtos de exportao de Minas no perodo mostra que no havia preponderncia ampla de qualquer setor. 
Assim, cada ramo produtivo, separadamente, e o setor exportador como um todo, tinham pouca influncia na vida poltica do Estado.  ainda Amlcar quem afirma que a presena marcante da poltica e de polticos de Minas no plano nacional se deve, preponderantemente, por seu estilo pragmtico e sempre propenso  busca de solues negociadas, herana do perodo colonial, marcado pela luta contra a opresso portuguesa. Este trao conformou o esteretipo, conhecido na cultura poltica brasileira, do poltico mineiro, sempre usada para significar esperteza, sagacidade e uma habilidade especial para compor articulaes, para negociar e para chegar a acomodaes. Na prtica, a conduta revela sempre tendncia a rejeitar posicionamentos ideolgicos, a preferir a viso pragmtica de resoluo de conflitos, a apoiar o governo da hora, a ser a favor da situao, sem muitas crticas. Em verdade, desde 1930, quando surgem na literatura e so amplamente usadas por escritores mineiros, as expresses mineiridade, mineirismo ou mineirice acabaram tambm sinnimas de perspiccia poltica e de disposio para barganhar e para aceitar fazer concesses.
A fora de Minas ou, ento, o segredo de Minas  afirma Amlcar Martins  reside na sua capacidade de dilogo e de coeso poltica interna, demonstrada por vrios episdios, especialmente aqueles nos quais o Estado enfrentou momentos crticos. As ambies, choques de interesses e mesmo as ambiguidades, naturais na poltica e nas relaes de poder, cederam lugar ao acordo, sempre que o Estado necessitou, quando ameaado de rupturas graves.  o trao da conciliao, praticado pelas oligarquias mineiras em vrios episdios da sua tricentenria existncia. Bastaria tambm examinar a conduta dos governadores de Minas, no perodo republicano, em diversas situaes, at os nossos dias. A propalada vocao nacional dos mineiros, o senso grave da hora e da ordem, frases que definem a conduta poltica dos mineiros, de Joo Pinheiro a Milton Campos, o papel de mediao e de equilbrio nacional, at por decorrncia da localizao geogrfica central, regio de passagem, como diz John With (Minas Gerais na federao brasileira  1889-1937  O fiel da balana, 1982) confirmam a tendncia ao entendimento e  conciliao.
Na sua tese Imigrao e colonizao em Minas  1889 a 1930, Norma de Ges Monteiro realiza levantamento detalhado do esforo mineiro por substituir a lavoura escrava, liberta em 1888, sobretudo para a lavoura cafeeira e suas grandes fazendas. E conclui que a ineficcia das tentativas de trazer mo de obra estrangeira, conforme diretriz republicana,  um dos fatores da estagnao econmica mineira ao tempo da Primeira Repblica. E, contrariamente ao ocorrido em Minas, a imigrao intensa foi um dos fatores decisivos da arrancada econmica paulista acontecida por essa poca. Estatsticas oficiais dizem que entrou em Minas, de 1894 a 1901, como resultado de programas oficiais de atrao de estrangeiros, um total de 52.582 estrangeiros, que se destinaram a suprir a falta de braos nas lavouras de caf da Mata e do Sul. Esse foi o perodo de melhor resultado na vinda de estrangeiros, esforo que decai substancialmente nos anos posteriores. Os que entraram no Estado se dirigiam para algumas colnias agrcolas criadas pelo governo estadual. De 1908 a 1914, somente 6.646 estrangeiros vieram para Minas, enquanto, de 1910 a 1914, um total de 362.898 foi para So Paulo. Esses nmeros constatam o fracasso de Minas para trazer mo de obra substituta. 
Realizava-se a diversificao da economia paulista, abrindo oportunidades para uma grande massa de trabalhadores, enquanto Minas, com uma economia predominantemente agrcola, no era atrativa para imigrantes que buscavam melhores condies de vida. Nos anos de 1912 e 1913, entraram em Minas apenas 2.145 imigrantes, sendo 871 espanhis, 420 alemes, 377 italianos, 300 portugueses, 41 austracos, 17 russos, 7 suos, um hngaro, 9 franceses, 16 holandeses, 4 ingleses, um dinamarqus, 2 argentinos, 4 norte-americanos, distribudos em colnias agrcolas e fazendas particulares. Pela primeira vez, vieram 109 japoneses, exclusivamente para trabalhar na Mina de Morro Velho, em Nova Lima. Para So Paulo, dirigiram-se majoritariamente italianos e japoneses, estes em pocas posteriores a 1910.
No perodo de 1890 a 1930, embora ocupasse posio de destaque na poltica nacional, Minas perdia na economia. Os Censos de 1907 e 1920 nos do a medida da posio de Minas no processo industrial brasileiro. Considerando apenas o valor da produo  elemento bsico para apreciao do problema  no Censo de 1907, Minas aparecia num modesto sexto lugar, perdendo para o Distrito Federal, So Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paran. No Censo de 1920, sua posio  um quinto lugar, ainda modesto, perdendo para So Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, segundo Norma de Ges Monteiro. De 1894 a 1922 o Brasil cresceu sua populao, passando de 14,3 milhes de habitantes em 1890 para 17,4 milhes em 1910 e 30,6 milhes em 1920. Minas tinha a maior populao, seguida por So Paulo, que ter maior populao ainda na dcada de 20.
Ainda h poucos anos, algumas regies do Norte e Leste de Minas ainda viviam da minerao de pedras preciosas, especialmente de Tefilo Ottoni e Araua. Na primeira ainda existe um rico potencial gemolgico, que exporta para os principais centros criadores de joias do mundo. Outra regio rica em pedras est em Nova Era. No limite com a Bahia, na rica Mata Atlntica hoje quase toda dizimada, a retirada da madeira gerou por vrios anos uma atividade de razovel suporte econmico. A corrida na extrao de diamantes, aps o rpido apogeu do sculo XVIII, foi sucedida pelo garimpo, nos rios e grupiaras, mas sempre errtico e predatrio e que at h poucos anos vivia das ocorrncias pigmatticas da regio. Dragas, nos cursos dgua, removiam seus leitos, retirando ouro e pedras, processo agressivo e predatrio de fauna e flora, hoje tornado ilegal pela legislao de proteo ambiental. Historicamente, esta atividade, a de extrao de pedras preciosas, quase sempre clandestina, fugindo do fisco e s vezes invasiva, no gera riquezas ou progresso para as regies. Ao contrrio, cria problemas sociais nos garimpos e destruio ambiental. As cidades do garimpo permaneceram estagnadas. 
J o centro de Minas perdeu economia para a Mata e o Sul, para o Vale do Paraba e at para o Norte do Paran. O chamado Quadriltero Ferrfero no tem terras mais apropriadas para a agropecuria e a atividade extrativa mineral, temporria e ambientalmente danosa, se realizada sem controles, no gera riquezas transformadoras. O longo declnio s se altera a partir da dcada de 30, quando a nova capital, Belo Horizonte, passa a exercer alguma atrao econmica e poltica.
At por volta de 1920 dizia-se que Minas comea onde terminam as estradas. Hoje, a centralidade mineira no mapa brasileiro transformou-se em condio competitiva com as grandes rodovias que cortam o Estado, que tem seis fronteiras com outros Estados. J no final do sculo XIX Minas comea a perder a liderana populacional para So Paulo. Em 1900, quando possua populao de 3.594.471 pessoas, So Paulo, em rpido crescimento, j ostentava 2.282.279 pessoas. Por volta de 1920, os dois Estados se igualaro populacionalmente. So Paulo comea seu processo de liderana econmica a partir desta dcada, contando com grande contingente de imigrantes estrangeiros e tambm de brasileiros que se fixaram no Estado, em busca de melhores oportunidades de sobrevivncia. O fato  que Minas pouco participa do surto desenvolvimentista das primeiras dcadas do sculo XX. Mantm-se ruralista e exportadora de matrias-primas minerais. 
Os mpetos modernizantes trazidos pela Repblica, proclamada em 1889, sob a inspirao positivista do lema Ordem e Progresso, de Augusto Comte, embora tenham provocado alguma reao em Minas, desejosa de vencer o imobilismo do Segundo Imprio e alcanar novos patamares de desenvolvimento, acabaram vencidos em meio a um conjunto de dificuldades, vindos principalmente do tradicionalismo, arraigado no velho ruralismo e no mandonismo poltico municipal. Pode-se dizer que esse foi um perodo de ajuste do velho Estado, submetido a um mandonismo oligrquico, ruralista e municipalista, para o regime republicano. Era o conservadorismo, representado pela dominao tradicional, contra o liberalismo, que representava a ideologia republicana e os setores mais avanados poltica e socialmente. Todo o perodo da Primeira Repblica se marcar por essa luta entre os que pregavam o avano econmico e poltico e o tradicionalismo expresso pelas velhas oligarquias, vindas do Segundo Imprio, em sua maioria.  importante lembrar que o tipo de ocupao territorial de Minas, determinado pela corrida do ouro e a busca de atividades substitutas agropastoris, legou o maior nmero de aglomeraes urbanas entre todos os Estados brasileiros, o que onera as despesas pblicas. No princpio do sculo XXI tem 853 municpios e perto de cinco mil distritos, arraiais ou povoados.
A mudana da capital para Belo Horizonte, a 12 de dezembro de 1897, realizada quando era governador Crispim Jacques Bias Fortes,  uma opo determinada pela constatao de que a velha cidade colonial, Ouro Preto, fisicamente limitada pela sua condio topogrfica, geologicamente instvel e com grande aclividade, no poderia expandir-se e beneficiar-se dos impulsos modernizantes da Repblica, proclamada em 1889. Ouro Preto no suportava o crescimento dos servios pblicos em constante expanso. Em verdade, como se constata nos nossos dias, a mudana da capital salvou a ilustre e heroica cidade da destruio de seus monumentos e relquias que, com toda certeza, seriam alterados pelas transformaes que o progresso traria. A lei, transferindo a capital para novo local, no antigo arraial de Curral del-Rei, foi votada em Barbacena a 17 de dezembro de 1893. O grupo contra a mudana, integrado por nomes como Rocha Lagoa, Costa Sena, Rebelo Horta, Camilo de Brito, Ferreira Alves, parlamentares ao Congresso Estadual, votou na escolha de Curral del-Rei, em detrimento de Vrzea do Maral, em So Joo del-Rei. 
Pretendia-se uma capital republicana e moderna. E para tanto buscou-se referenciais nos Estados Unidos e Frana. Nos EUA Pierre LEnfant projetou Washington e, na Frana, o Baro Haussmann realizou uma grande reforma em Paris, sob o comando de Napoleo III, ordenando seus espaos de forma cartesiana ou comteana (de Augusto Comte), alterando o traado medieval em reticulado xadrez com avenidas e boulevares majestosos (Urbanizao mineira  precocidades e modernidades, Roberto Lus Monte-Mor). La Plata, na Argentina, foi planejada, em 1882, para ser a capital da Provncia de Buenos Aires. 
A nova capital receber nos seus primeiros anos cerca de 10 mil ouro-pretanos, funcionrios do Governo do Estado e de outros servios pblicos que deviam sediar-se na capital. A tese da mudana, que comea a ser discutida em 1893, sob a inspirao dos ventos modernizantes republicanos, j pensada pelos inconfidentes de 1789, provocou intensos debates em Ouro Preto, dividindo opinies. O debate radicalizado entre mudancistas e preservacionistas forou a transferncia do Congresso Estadual e do prprio governador para Barbacena, por falta de clima para o livre debate do tema e at mesmo de segurana dos parlamentares em Ouro Preto. 
Em Mudana da capital, de 1957, o autor, Joaquim Linhares, em publicao preciosa por suas fontes e informaes, reproduz debates, legislaes, pareceres e decises que antecederam a mudana. Para enfrentar o argumento da inadequao da velha cidade para a modernidade desejada, Ouro Preto realizou vrias, legislao, decises relativas obras, ligando a cidade alta  parte mais baixa, implantou sistema de coleta de esgotos, no levadas em conta na deciso de mudana. 
Vrios locais foram examinados para a nova capital. Entre eles Barbacena, Juiz de Fora e a Vrzea do Maral, em So Joo del-Rei. Este ltimo local, que esteve escolhido, foi condenado por sua insegurana geolgica, bastante pantanosa, conforme estudo feito por engenheiros da Escola de Minas de Ouro Preto. Escolheu-se afinal a antiga Vila do Curral del-Rei, pertencente  Comarca de Sabar, por seu clima, condies topogrficas, disponibilidade de gua, com vrias crregos e os rios das Velhas e Arrudas. A Serra do Curral, que nasce na Serra da Piedade, integrante da Cordilheira do Espinhao, e prossegue nas serras do Rola-Moa e da Moeda,  barreira natural que limita, ao sul, o territrio, origem histrica do nome da antiga vila, um curral natural, e que define o horizonte da nova cidade. Retirou-se o territrio da nova capital, medindo 331 km, do municpio de Sabar. Territrio muito pequeno se comparado ao de Ouro Preto, de 1.245 km. O nome dado  nova capital inicialmente foi Cidade de Minas, logo mudado para Belo Horizonte.
Organizou-se comisso construtora, sob coordenao do engenheiro Aaro Leal de Carvalho Reis (1853-1936), nascido em Belm do Par, diplomado em cincias fsicas e matemticas em 1874, pela Escola Politcnica do Rio. Era republicano e adepto do positivismo, movimentos nos quais militou ativamente. E sua competente biografia intelectual est em Engenheiro Aaro Reis  o progresso como misso, de Heliana Angotti Salgueiro, publicado pela Coleo Centenrio/Fundao Joo Pinheiro, 1997. Com vasta experincia em obras pblicas, Aaro Reis coordenou o planejamento bsico e tomou as providncias iniciais de implantao, mas ficou pouco mais de um ano  frente da comisso construtora. Entrou em atrito com o Governo do Estado e foi substitudo por Francisco Bicalho. Seu projeto, de uma cidade-jardim, uma democracia urbana, com traado e denominaes positivistas, no foi inteiramente implantado e acabou sendo parcialmente destrudo ao longo do tempo. A construo da nova capital, de 1893 a 1897, a obra simblica de maior envergadura da nova Repblica em Minas, exemplo maior do pioneirismo mineiro, no foi fcil e o antigo arraial do Curral del-Rei foi inteiramente demolido, gerando alguns protestos, de resto vencidos com certo autoritarismo. 
O plano original da nova cidade, sob a ideologia positivista, incorpora o encontro dos mineiros com os brasileiros, na histria, no civismo, na exaltao dos construtores da ptria brasileira e das nossas razes tnicas. E o fez tambm porque, ao contrrio das outras cidades, sobretudo as mais antigas, surgidas e expandidas pelo casusmo e o espontanesmo territorial, a cidade planejada teve seu traado geomtrico imposto ao terreno. Foi inventada e suas denominaes pensadas fora de um passado histrico local. Em Belo Horizonte  um espao para a Repblica (Ed. UFMG, 1981), Beatriz Magalhes e Rodrigo Andrade revelam e discutem a concepo republicana da nova capital. Assim  que so dados s suas avenidas e ruas nomes da Histria do Brasil, como Tom de Souza, Cristvo Colombo, lvares Cabral, Fernandes Tourinho, Antnio de Albuquerque, Felipe dos Santos. E dos inconfidentes Cludio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto e Tomas Antnio Gonzaga, da musa Marlia de Dirceu, dos escritores Bernardo Guimares, Gonalves Dias e vrios outros. Afonso Moreira Penna, ento governador do Estado  poca da assinatura da lei que autorizou a transferncia da capital, deu nome  principal avenida. E Bias Fortes que efetivou a mudana. Contemplaram-se as nossas razes indgenas, com os nomes das ruas Tupis, Tupinambs, Araguari, Tamoios, Gois, Goytacazes, Guaicurus, Guarani, Pitangui, Guajajaras, Caets, Caranda. Santos Dumont foi lembrado, assim como os rios Amazonas e Paran, ou os Estados, como Bahia, Rio de Janeiro, Esprito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e outros, alm de capitais como Curitiba e Manaus.
Alteraes, ao longo do tempo, tiveram motivos variados. A Praa da Liberdade se ligava  Praa da Repblica, hoje Afonso Arinos, pela Avenida Liberdade, que passou a se chamar Joo Pinheiro. E a Rua Levindo Lopes era Rua da Liberdade, completando o entorno do Palcio da Liberdade, edificado em 1896, a sugerir que a Repblica se encontrava, ou s  possvel, com a liberdade. A Avenida Dezessete de Dezembro ficou, pela voz popular, Avenida do Contorno. Nenhuma denominao de santos da Igreja Catlica, conforme o pensamento agnstico positivista. Em Praa da Liberdade  Histria, arte e cultura, de Flvio Carsalade e Celina Borges Lemos, encontramos a mais completa divulgao sobre a Praa, origens, arquitetura, elementos e descries artsticas e histricas. Hoje, com a mudana dos rgos govenamentais para a Cidade Administrativa, a Praa transformou-se em um Circuito Turstico e Cultural, com uma viso ampliada e integrada do seu excepcional conjunto de atrativos histricos, arquitetnicos e artsticos, museus e exposies permanentes e outras edificaes e atrativos prximos da Praa. 
Vrios imigrantes europeus, artistas, artesos, pintores e construtores, revelaram-se na construo da capital. Entre eles, o pintor francs Emile Rouede (trs telas sobre o arraial de Curral del-Rei e o incio de Belo Horizonte esto no Museu Ablio Barreto), Frederico Steckel, Lus Olivieri, Joo Amadeu Muccchiut, os irmo Natali, Francisco Soucasaux e Igino Bonfioli. Jos de Magalhes, arquiteto, desenhou os prdios oficiais e a decorao coube a Frederico Steckel, responsvel pelos pintores e escultores. Uma legio de artesos italianos e espanhis implantou os fartos elementos decorativos do estilo ecltico, dominante na nova cidade. A comisso construtora previa 190 mil habitantes para o ano 2000. Mas, ao completar 100 anos, em 1997, Belo Horizonte j ultrapassava os dois milhes de habitantes.
Exemplo maior da corrente progressista e modernizante no perodo republicano foi Joo Pinheiro da Silva, nascido no Serro, a 16 de dezembro de 1860, mas depois radicado em Caet, onde comprou casaro que pertenceu ao Baro de Cocais, Jos Feliciano Pinto Coelho. Em Caet implantou, em 1894, indstria cermica, que funcionou por muitos anos. Adepto ardoroso da Repblica, era admirador do desenvolvimento norte-americano. Estudou por dois anos na Escola de Minas de Ouro Preto, mas forma-se em Direito em So Paulo, na Faculdade do Lago de So Francisco. Advogou por poucos anos em Ouro Preto e tornou-se um dos principais propagandistas da repblica. Morre aos 47 anos, a 25 de outubro de 1908, em meio ao mandato de presidente de Minas, cargo que exercia pela segunda vez. J em 1890, quando tinha apenas 29 anos, tornara-se presidente em substituio a Cesrio Alvim, nomeado ministro.  nesta poca que se coloca favorvel  mudana da capital de Ouro Preto para o arraial de Curral del-Rei. Por vrias iniciativas, inclusive a famosa fbrica de cermica de Caet, passa a Histria de Minas como um dos fomentadores do pensamento modernizante e desenvolvimentista no Estado. Liberal, progressista,  sua a famosa frase de que Minas Gerais tem o senso grave da ordem, a propsito da Constituio Republicana e os embates entre os primeiros dirigentes, de vocao militar-ditatorial, e o Poder Legislativo. Em 1903, organizou o primeiro Congresso Agrcola, Industrial e Comercial de Minas, marco do desenvolvimento do Estado pelas diversas iniciativas que gerou. Em 1904 elegeu-se para o Senado Federal e em 1906 para o governo de Minas. Seu filho, Israel Pinheiro, engenheiro da Escola de Minas de Ouro Preto, ser governador do Estado de 1966 a 1970, repetindo o mpeto empreendedor do pai e transformando-se em um dos operosos governador de Minas. A vida de Joo Pinheiro est Minas e os fundamentos do Brasil Moderno, coletnea de artigos organizados por Angela de Castro Gomes, de 2005. 
 desta poca outro mineiro ilustre, Carlos Justiniano Ribeiro Chagas, mdico e sanitarista, nascido em Oliveira, em 1879, que dedicou sua vida a pesquisar as doenas tropicais no Instituto Osvaldo Cruz. Chefiou vrias misses cientficas e de combate a epidemias. Dirigiu o Instituto de Manguinhos, elaborou o primeiro Cdigo para a Sade Pblica do Brasil, criou o Departamento Nacional de Sade Pblica e implantou servios especializados, dedicados  higiene infantil, endemias rurais, tuberculose, hansenase, doenas venreas. Em 1907, em Lassance, s margens do Rio So Francisco, Carlos Chagas instalou servio de combate  malria e pode observar e pesquisar o barbeiro, alojado nas paredes de pau a pique, conseguindo identificar toda a sua trajetria na transmisso daquela que ficou conhecida como Doena de Chagas. Contribuiu tambm para o conhecimento e controle da malria.
Merece lembrana entre os mineiros empreendedores Alberto Santos Dumont, que nasce a 20 de julho de 1873 em Palmira (hoje Santos Dumont), no Stio Cabangu. Foi o sexto filho do engenheiro Henrique Dumont, mineiro, mas formado em Paris e que viera para Ouro Preto a fim de trabalhar em obras pblicas, em 1854, onde casa-se. Aps Ouro Preto, trabalhou na mina de ouro do Congo Soco, distrito de Baro de Cocais, comprou a histrica Fazenda Jaguara e, em 1871, coordena a construo da ponte sobre o Rio das Velhas, em Sabar. Neste mesmo ano, muda-se para Palmira, morando no Stio Cabangu, como engenheiro construtor de trecho da Estrada de Ferro Central do Brasil. De 1874 a 1879, o jovem Alberto mora com a famlia em Valena, na fazenda de caf do av materno. Em 1879, muda-se para Ribeiro Preto e, aos 18 anos, em 1891, viaja com a famlia para Paris. Retorna ao Brasil e matricula-se, por breve perodo, na Escola de Minas em Ouro Preto, onde no se adaptou. Herda grande fortuna do pai, que morre em 1892. Em 1897, j com 24 anos, parte para a Frana, onde se dedica a estudar a pilotagem de bales. Obtm uma srie de conquistas, com constantes avanos no domnio de voos tripulados e ganha reconhecimento internacional. No dia 13 de novembro de 1899, com um balo, contornou a Torre Eiffel pela primeira vez. Em 1906, voa com o seu 14-bis, mais pesado que o ar.  reconhecido na Frana e em vrios pases com o inventor da aviao. Em 1917, constri em Petrpolis a Casa Encantada, com invenes. Na Frana, interna-se por trs vezes em sanatrios, a partir de 1926. Doente, depressivo, retorna ao Brasil em 1931, trazido por seu primo Jorge Dumont Villares, passando por Arax, Rio e So Paulo e fixando-se em Guaruj, no Hotel La Plage, onde, no dia 23 de julho de 1932, suicida-se, aos 59 anos. Manifestara seu desgosto ao ver avies atacando o Campo de Marte, em So Paulo, contra a Revoluo Constitucionalista. 
O pensamento desenvolvimentista em Minas tem na Escola de Minas de Ouro Preto, que inicia suas atividades a 12 de outubro de 1876, sua principal fonte inspiradora. Esta sempre foi a orientao do seu organizador, primeiro diretor e orientador, o mineralogista francs Henri Claude Gorceix, enviado pela Escola de Minas de Paris, a que Dom Pedro II solicitou apoio na fundao da escola ouro-pretana. 
A minerao e a siderurgia em Minas tem histrias prprias e muito devem  Escola de Minas de Ouro Preto, demonstrando que a vocao do Estado est na atividade mnero-metalrgica e que no se alcanaria o desenvolvimento econmico sem a indstria siderrgica, motivo de debates e confrontos em toda a primeira metade do sculo XX. Os engenheiros da Escola de Minas elaboraram os principais documentos e cdigos brasileiros da rea mineral e estiveram presentes na fundao de quase todos os empreendimentos mnero-metalrgicos de Minas e do Brasil desde os anos finais do sculo XIX.
Ouro Preto j possua uma Escola de Farmcia, criada em 1839, ao tempo da Regncia, primeira instituio de ensino superior de Minas Gerais, organizada e dirigida pelo farmacutico Manuel Jos Cabral. Em 1886, sob a liderana de Crockatt de S e Archias Medrado, criou-se em Ouro Preto um Liceu de Artes e Ofcios, responsvel pela formao de geraes de jovens em vrias profisses. O Liceu construiu sede prpria, no atual Largo dos Contos, e funcionou at 1952. Em 10 de dezembro de 1892, um grupo de mineiros ilustres instala na velha cidade a Faculdade Livre de Direito, transferida para a Universidade de Minas Gerais em 1930, hoje UFMG. Faziam parte desse grupo, entre outros, Afonso Penna, Virglio de Melo Franco, Afonso Arinos de Melo Franco, Levindo Lopes, Joo Gomes Rebelo Horta, Francisco Silviano Brando, Joo Pinheiro e Jos Antnio Alves de Brito e outros. Ocupou o chal situado na antiga Rua da Praia, onde tambm a Escola de Farmcia iniciara suas atividades. Tambm foi cadeia de Ouro Preto. Hoje pertence  Prefeitura de Ouro Preto. Em 1969,  criada a Universidade Federal de Ouro Preto, inicialmente com as duas primitivas unidades, de Farmcia e Minas.
A partir da dcada de 50, em meio  retomada do desenvolvimento no ps-guerra, capitais alemes adquirem jazidas de minrio de ferro em Congonhas do Campo, ali instalando a Ferteco, exportadora para a Europa, hoje pertencente  Vale. As cidades de Santa Brbara e Nova Era tornam-se grandes fornecedoras de minrio de ferro, com suas jazidas exploradas por vrias empresas, abastecendo o mercado interno e exportando, atividade que se estende aos nossos dias. Nos anos seguintes  Segunda Guerra Mundial, tanto a Vale, criada por Getlio Vargas em 1942, em Itabira, quanto a CSN criada em 1944, em volta Redonda, sofrero grande retrao de mercado, quase paralisando suas atividades. 
Em 1888, unem-se Carlos da Costa Wigg, tambm engenheiro e ex-aluno de Henri Gorceix na Escola de Minas, Henrique Hargreaves e Amaro da Silveira, engenheiros da Estrada de Ferro Dom Pedro II, para fundar a Usina Esperana, em Itabirito, primeiro alto-forno de Minas Gerais. O alto-forno foi implantado pelo maitre de forges Jean-Albert Gerspacher, ex-diretor da Usina de Audincourt, na Frana, onde estagiara Augusto Barbosa da Silva, enviado por Henri Gorceix, e que se casou com a filha do mestre francs. Gerspacher chegou ao Brasil em 1887 e, mais tarde, seu filho, Joseph-Albert, ps em operao vrios fornos, como o da Usina Wigg, em Miguel Burnier, que tambm tinha como scio Carlos da Costa Wigg, aproveitando jazidas de minrio de ferro e o entroncamento ferrovirio. Gerspacher, filho, fundou tambm as usinas de Rio Acima, da Companhia Siderrgica Mineira, de Barra Mansa, no Estado do Rio, e de Barbar & Cia. A Usina Esperana, prxima da Serra e do Pico do Itabirito e da reserva do Morro da Cata Branca, importantes jazidas de minrio de ferro, servidas por ferrovia, acabou sendo adquirida pela famlia do engenheiro Queiroz Jnior, que lhe deu seu nome. Passou por vrios proprietrios, esteve paralisada e encontra-se at hoje em funcionamento, embora limitada por sua capacidade.
A explorao do Pico do Itabirito, situado na Borda Leste da Serra da Moeda, merece comentrios por sua importncia geogrfica, econmica e histrica. O pico  formado por hematita e magnetita a 69,9% de concentrao, uma das maiores do mundo. Sua explorao comeou em 1942 pela ICOMI, criada por Augusto Trajano de Azevedo Antunes, que representou no Brasil, por muitos anos, os interesses dos grupos norte-americanos e foi alvo de crticas, em vrias ocasies, por operaes consideradas antinacionais. O pico, de 1.586 metros de altitude,  marco referencial paisagstico para extensa regio e consta ter orientado os primeiros bandeirantes que procuravam o Vale do Tripu, entre Ouro Preto e Mariana, como tambm as nascentes do Rio das Velhas. Sob ameaa de destruio, foi tombado em 1962 pelo IPHAN. Mas o Grupo Caemi conseguiu o seu destombamento, favorecido pelo regime autoritrio surgido com o golpe militar de 1964. Pressionado pela comunidade itabiritense e pelo prprio IPHAN, o Grupo Antunes entrega ao Instituto, em 1987, carta em que se compromete a manter o perfil do pico, minerando apenas em seu redor. Em 1989, finalmente, o Pico do Itabirito, j bastante descaracterizado, volta a ser tombado, desta vez pelo Instituto Estadual do Patrimnio Histrico e Artstico. Hoje todo o conjunto pertence  Vale, que em 2009 inaugurou usina de pelletz e usa o ramal da Ferrovia do Ao, estrada iniciada na poca do regime militar e que a mineradora completou. Paralela  BR-356 est grande barragem de rejeitos da mina do Pico, em que a Vale vem implantando, aps 2019, vrias providncias de segurana. 
Em 1908, instala-se a usina hidreltrica Rio de Pedras, em Acuru, no Rio das Velhas, uma das pioneiras em Minas, destinada a abastecer Belo Horizonte. Hoje, assoreada, fornece energia apenas para Acuru, distrito de Itabirito, e para uma mina de ouro. Em 1917, dois outros ex-alunos da Escola de Minas, Cristiano Guimares e Amaro Lanari, fundam a Companhia Siderrgica Mineira, em Sabar, colocando em funcionamento um alto-forno em 1919. Em 1920, aproveitando a visita que o rei Alberto, da Blgica, fazia a Minas, o ento governador Artur Bernardes reivindica ao monarca a aplicao de capitais belgas no Estado. Bernardes, nacionalista, sempre defendeu a implantao da siderurgia no Estado e no somente a exportao de minrio de ferro, sem investimento na indstria de transformao. Desenvolvidas as conversaes, atravs de misso enviada pelo rei a Minas, em 1921, o grupo belga Arbed (Aciries Reunies de Burbach-Eich-Dudelange) adquiriu o controle acionrio da empresa, que passou a se chamar Companhia Belgo-Mineira, incorporando e ampliando a usina de Joo Monlevade. Hoje pertence ao Grupo Arcelor-Mittal. 
Em 1922, fundou-se em Rio Acima o Alto-Forno Pedro Gianetti, transformado em 1931 em Metalrgica Santo Antnio. Em 1925, em Baro de Cocais, foi criada uma siderrgica pelo grupo Hime & Cia, transformada depois em Companhia Brasileira de Usinas Metalrgicas (CBUM), posteriormente vendida ao Grupo Cimetal e, hoje, pertencente ao Grupo Gerdau. Tambm em 1925, inaugurou-se em Caet a firma J. S. Brando & Cia, incorporada pela Companhia Ferro-Brasileira, com capital francs, hoje extinta. Nas regies de Divinpolis e Sete Lagoas, surgiram igualmente vrias usinas de ferro-gusa, fornecedoras para o mercado interno e exportador.
Em 1941, Benedito Valadares inicia a implantao da Cidade Industrial de Contagem, inaugurada em 1946. Israel Pinheiro, seu secretrio de Indstria, Comrcio e Agricultura, atua na implantao da Cidade Industrial. Cria tambm a Feira de Amostras em Belo Horizonte, obra pioneira na promoo industrial mineira e onde, mais tarde, constri a rodoviria de Belo Horizonte. E cria a Usina Hidreltrica de Gafanhoto, para abastecer a nova Cidade Industrial, j servida pela Estrada de Ferro Central do Brasil e pela Rede Mineira de Viao, e que tambm contava com boa oferta de gua. Outra obra desse perodo  a rodovia, hoje Avenida Amazonas, ligando a Cidade Industrial a Belo Horizonte. E duas pequenas usinas hidreltricas j haviam sido inauguradas: a de Pai Joaquim, no Rio Araguari, para abastecer Uberaba e Arax, onde foi construdo o Grande Hotel (inaugurado em 1944), e a usina de Santa Marta, para atender Montes Claros. 
Em 1947, dez indstrias j operavam na Cidade Industrial de Contagem  a primeira a se instalar foi a Companhia de Cimento Portland Ita. Israel Pinheiro criou o instituto Cndido Tostes, destinada  qualificao profissional e desenvolvimento de tecnologia de laticnios, em Juiz de Fora e que exerceu funo transformadora no setor. E foi o construtor do Grande Hotel, em Arax, inaugurado por Getlio Vargas em 1944. O hotel destinava-se a explorar as guas minerais da chamin vulcnica do Barreiro, incentivar o turismo e ainda explorar o jogo. A obra, ousada pelo seu porte, consumiu quase um oramento anual do Estado e foi projetada pelos arquitetos Luiz Signorelli e Francisco Bolonha e o engenheiro Lincoln Continentino. Os arquitetos Rafaello Berti, Raphael Hardy e Shakespeare Gomes participaram da construo. Israel Pinheiro, como engenheiro e secretrio de Estado de Benedito Valadares, supervisionou as obras.
Mas tanto Arax como a totalidade das estncias hidrominerais mineiras foram surpreendidas com o Decreto-Lei 9.215, de 30 de abril de 1946, do presidente Eurico Gaspar Dutra, proibindo os jogos de azar no Brasil. Atribuiu-se a medida  influncia de sua esposa, Carmela Teles Leite Dutra, chamada de d. Santinha, e s presses da Igreja Catlica. Cerca de 70 cassinos em todo o Brasil foram paralisados e as estncias mineiras, que at hoje manifestam esperana no retorno do jogo, viveram perodos de decadncia e esvaziamento econmico, sobretudo Caxambu, Lambari e Cambuquira. 
Na rea poltica, vinha o Brasil sob o regime Vargas, desde 1930. A 9 de julho de 1932 irrompe em So Paulo rebelio contra Getlio, a chamada Revoluo Constitucionalista, derrotada por foras federais e de Minas, em confrontos na divisa entre os dois Estados. A vocao ditatorial do presidente torna-se absoluta aps o Estado Novo, implantado em 1937, em reao oportunista ao ataque feito pelo movimento integralista ao Palcio do Catete. Por volta de 1945, j se antevendo a queda da ditadura Vargas, o governador de Minas, Benedito Valadares, organiza o Partido Social Democrata, o PSD, com apoio de Vargas, reunindo as lideranas ligadas ao Estado Novo. Conservador, reuniu as antigas oligarquias rurais e ter vida ativa na poltica at 1964, quando  extinto pela ditadura militar junto com outros partidos, quando foram criados a Arena e o MDB. O PR, antigo Partido Republicano, sobrevivente, fiel  liderana de Artur Bernardes, integrou a Arena. A oposio ao Estado Novo foi predominantemente mineira: Virglio de Melo Franco e Luiz Camilo de Oliveira Neto a lideravam juntamente com Adauto Lcio Cardoso, Dario de Almeida Magalhes e Afonso Arinos. 
J pouco antes, a velha tradio liberal mineira se far presente mais uma vez, em 1943, por meio de um documento hoje histrico: o Manifesto dos Mineiros. Os liberais de Minas, homens de variada formao e origem, unem-se para lanar um manifesto  nao, que passa  Histria como a primeira manifestao coletiva contra o Estado Novo e o regime varguista, e que ter grande repercusso, minando as bases polticas e populares de apoio ao ditador. Vargas, que fora levado ao poder por Minas Gerais, com apoio do ento governador, Antnio Carlos Ribeiro de Andrada, em 1930, perdia o apoio dos mineiros, os quais, em 1932, pelas armas, tambm haviam sufocado o movimento constitucionalista de So Paulo, que levou a confrontos com tropas federais e de Minas. A nao estava cansada do autoritarismo getulista. O documento, datado de 24 de outubro de 1943, com grande significado poltico e histrico, parte de uma longa rememorao do pensamento liberal mineiro ao longo da Histria do Brasil, e cita vrios nomes de mineiros ilustres comprometidos com o liberalismo, desde os inconfidentes de 1789. Por fim, faz um chamamento aos mineiros, convidando-os  reao: Conclamamos os mineiros a que se unam acima de ressentimentos, interesses, comodidades, sob os ideais vitoriosos de 15 de novembro de 1889 e reafirmados solenemente em outubro de 1930, a fim de que, pela federao e pela democracia, possam todos os brasileiros viver em liberdade uma vida digna, respeitados e estimados pelos povos irmos da Amrica e de todo o mundo. Vargas, reagindo ao documento, realizou vrios atos de retaliao e perseguio contra os signatrios.
Assinaram o Manifesto: Achiles Maia, Adauto Lcio Cardoso, Afonso Arinos de Melo Franco, Afonso Pena Jr., Alaor Prata, Alberto Deodato, Alfredo Carneiro Viriato Cato, Aloysio Ferreira de Sales, lvaro Mendes Pimentel, Andr de Faria Pereira, Antnio Carlos Vieira Christo, Antnio Neder, Arthur Bernardes, Arthur Bernardes Filho, Arthur Soares de Moura, Astolpho Rezende, Augusto Couto, Augusto de Lima Jr., Belmiro Medeiros da Silva, Bilac Pinto, Bueno Brando, Caio Mrio da Silva Pereira, Caio Nelson de Sena, Cndido Neves, Carlos Campos, Carlos Horta Pereira, Carmelindo Pinto Coelho, Dalmo Pinheiro Chagas, Daniel de Carvalho, Dario de Almeida Magalhes, Darcy Bessone de Oliveira, Edgar de Oliveira Lima, Edmundo Menezes Dantas, Mendes Pimentel, Fausto Alvim, Feliciano de Oliveira Pena, Flvio Barbosa Melo Santos, Francisco de Assis Magalhes Gomes, Galba Moss Veloso, Geraldo Rezende, Gilberto Alves da Silva Dolabella, Gudesteu Pires, Heitor Lima, J. Sandoval Babo, Joo Edmundo Caldeira Brant, Joo Franzen de Lima, Joaquim de Salles, Jonas Barcelos Correa, Jos Bonifcio Filho, Jos de Magalhes Pinto, Jos Maria Lopes Canado, Jos Urbano Baeta Alvim, Jos do Valle Ferreira, Lincoln Prates, Lus Camillo de Oliveira Netto, Mrio Brant, Milton Campos, Mcio Continentino, Nelson de Senna, Odilon Braga, Ovdio de Andrade, Paulo Pinheiro Chagas, Pedro Aleixo, Pedro Baptista Martins, Pedro da Silva Nava, Raul de Faria, Renan Rodrigues Borges, Salomo de Vasconcelos, Sylvio Marinho, Tristo da Cunha e Virglio A. de Melo Franco.
Por sua luta contra a ditadura Vargas e em favor dos direitos humanos, pela liberdade e contra qualquer tipo de opresso, um mineiro, de Barbacena, o advogado Herclito Fontoura Sobral Pinto (1893-1991) merece lembrana. Destacou-se, sobretudo, na luta contra o Estado Novo getulista e a ditadura militar de 1964, como defensor de presos polticos. Aceitou defender Lus Carlos Prestes aps o levante comunista de 1935. No caso do alemo Harry Berger, membro do Partido Comunista, barbaramente torturado pela polcia getulista, exigiu do governo a aplicao do artigo 14 da Lei de Proteo aos Animais ao prisioneiro, uma vez cessados os argumentos com base nos textos legais de proteo aos direitos humanos. Defendeu vrios cassados aps 64 e recusou convite do presidente JK para assumir vaga no Supremo Tribunal Federal, alegando que poderiam supor que a defesa que fez da posse de Juscelino tivesse algum interesse pessoal. Sobral Pinto honra a memria e a tradio liberal dos juristas mineiros. 
O movimento que elaborou o Manifesto dos Mineiros deu origem  Unio Democrtica Nacional (UDN), partido dos bacharis, que far oposio a Getlio, em contraposio ao Partido Social-Democrata (PSD). A UDN, conforme definio de Afonso Arinos de Melo Franco, era a legtima herdeira da tradio liberal que propunha a reforma dos costumes polticos e administrativos. Fundava-se nos sentimento vindos do civilismo, da pregao republicana e da Aliana Liberal. Era o partido do liberalismo burgus, mais ilustrados, partido de bacharis. A figura principal do partido, o brigadeiro Eduardo Gomes, representa bem o esprito liberal. Eduardo Gomes  o Prestes da burguesia, como o capito vermelho  o brigadeiro do proletariado, diz Afonso Arinos. 
 importante lembrar que a UDN nasceu na ilegalidade, a princpio como instrumento de luta de todos os que queriam atuar contra a ditadura Vargas. O Partido Republicano (PR) acabar se aproximando da UDN, embora tendo sempre como trao uma posio centrista ou, para alguns, oportunista, ficando sempre ao lado do poder. O Partido Social-Democrata (PSD) ser fator importante na estabilidade e na ordem. Ser sempre conservador, integrado pelas velhas oligarquias rurais e tornar-se- smbolo da esperteza e da negociao poltica mineira, sempre voltado para o governo ou o poder, no se importando com ideologias ou doutrinas, ou mesmo limites ticos para a conquista e permanncia no poder. Ser o partido das velhas raposas, denominao popular para os polticos pessedistas. J a UDN, chamada de partido dos bacharis, tambm conservadora, mais tarde ir apoiar e compor, cedendo nomes, para o regime militar implantado em 1964, como Milton Campos e Pedro Aleixo. Mais tarde, Getlio criar o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em apoio  sua poltica trabalhista, de defesa e apoio ao trabalhador. 
Derrubado Getlio em 1945, d-se a redemocratizao do pas, com a edio da Constituio liberal de 1946. Elege-se presidente da Repblica o marechal Eurico Gaspar Dutra, que fora ministro da Guerra de Getlio, derrotando o brigadeiro Eduardo Gomes, apoiado pela UDN. Em Minas,  eleito governador Milton Soares Campos, da UDN, jurista e homem de cultura humanista, de Ponte Nova. O sucessor de Milton Campos ser Juscelino Kubitschek de Oliveira, de Diamantina, de 1950 a 1955, do PSD, que se eleger presidente da Repblica. Antes, de 1941 a 1945, foi prefeito de Belo Horizonte. Em 1952 criou a Cemig, marco da industrializao de Minas Gerais, com base no Programa de Eletrificao lanado em 1950. At o surgimento da Cemig, existia na rea central do Estado a Companhia Fora e Luz de Minas Gerais, subsidiria da Bond and Share, com pouca disponibilidade de energia e tarifas caras. Nos primeiros anos da dcada de 1940, no governo de Benedito Valadares, tendo Israel Pinheiro como secretrio da rea econmica, ocorre o inicio da implantao da Cidade Industrial de Contagem. 
Ainda na dcada de 50, a Cemig implantou suas trs primeiras usinas: Tronqueiras (janeiro de 1955), Itutinga (fevereiro de 1955) e Salto Grande (1956). Em 1958, a Comisso do Vale do So Francisco contratou a Cemig para a construo de Trs Marias, no Rio So Francisco. Ainda em 1958, ento presidente da Repblica, Juscelino implementou a construo da Hidreltrica de Furnas aproveitando o imenso potencial do Rio Grande e outros cursos dgua. Com 25% de capital da estatal mineira e acordo com o governo de So Paulo, com o compromisso de fornecer 50% da sua energia para abastecer Rio e So Paulo, a hidreltrica ser inaugurada em 1965 e formou o imenso lago de Furnas, chamado de Mar de Minas, que alcana 34 municpios e abastece 12 usinas, prestando-se tambm, no seu compromisso originrio, a um uso mltiplo, representado por atividades tursticas, nuticas e de lazer em extensa regio. Em 2020 municpios lindeiros aos lagos de Furnas e Peixoto lutam por manter as cotas de 762 e 663 para os dois lagos, permitindo o pleno restabelecimento das atividades econmicas, alm da gerao de energia eltrica, em campanha que tem apoio das entidades empresariais mineiras, do Governo do Estado e Assembleia Legislativa.. Em setembro de 2017 quatro usinas da Cemig foram privatizadas, So Simo, Volta Grande, Jaguara e Miranda, em decorrncia de decises, bastante contestadas, do Governo Federal e sob protesto do governo mineiro, da prpria Cemig e do meio empresarial mineiro. 
Mdico, poltico conciliador, do PSD, far governo sempre comprometido com o desenvolvimento econmico e de apoio s atividades culturais. JK foi um salto  frente na industrializao brasileira, alm das velhas razes agrrias. Adotou o lema 50 anos em cinco, com prioridade para o binmio Energia e transporte, j praticado em Minas. Tenazmente, aplicou-se na construo de Braslia, inaugurada em 1960, quando passou a Presidncia da Repblica a Jnio da Silva Quadros. Com JK, o Brasil viveu perodo de prosperidade, os anos dourados da Bossa Nova e do Cinema Novo, sob a inspirao de um presidente otimista e determinado. Deu  Pampulha o patrimnio modernista e seu carter cultural e turstico. Construiu Braslia, implantou a indstria automobilstica e anistiou os militares que tentaram rebelies contra seu governo.
Com Milton e Juscelino no Governo do Estado, Minas Gerais experimenta poca de avano poltico e cultural, de civilidade e concrdia. Ser Juscelino que propor, em 1952, lei estadual que determina a realizao anual em Ouro Preto, no dia 21 de abril, de cerimnia de homenagem a Tiradentes e aos inconfidentes, com a transferncia do Governo do Estado para aquela cidade. Em 1955 Juscelino ser candidato  Presidncia e deixa o governo estadual com seu vice, o mdico e professor Clvis Salgado da Gama, do Partido Republicano, natural de Leopoldina, e que permanece no cargo de maro de 1955 a janeiro de 1956. Ser eleito a seguir o governador Jos Francisco Bias Fortes, do PSD, de Barbacena, por sua vez, sucedido por Jos de Magalhes Pinto, da UDN, eleito em 1960, derrotando Tancredo Neves, do PSD. Sero governadores de Minas, em sucesso, Israel Pinheiro, Rondon Pacheco, Aureliano Chaves, Francelino Pereira, Tancredo Neves, Hlio Garcia, Newton Cardoso, Eduardo Azeredo, Itamar Franco, Acio Neves, Antnio Anastasia, Fernando Pimentel e Romeu Zema.
Na rea cultural, a nova capital de Minas comea a despertar a partir da dcada de 1920, sob o impulso do movimento modernista paulista que alcanava Minas. Como j foi dito, os modernistas paulistas descobrem Minas a partir de 1919, quando Mrio de Andrade faz visita ao poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens em Mariana. A sua correspondncia com os modernistas mineiros, sobretudo Carlos Drummond de Andrade, amplia-se. A Semana de Arte Moderna de 22 estimula o movimento de busca de razes de uma cultura autenticamente brasileira. Em 1924, os paulistas realizam excurso cultural a Minas. Passam por Belo Horizonte, vo a So Joo del-Rei, onde assistem  Semana Santa, visitam Tiradentes e percorrem Ouro Preto, viagem que despertar um vivo e contnuo interesse do movimento pelas cidades histricas e o surto artstico nelas ocorrido no sculo XVIII. O dilogo com intelectuais modernistas mineiros torna-se intenso e cooperativo e ter vrios desdobramentos, sobretudo na produo literria e, mais tarde, j na poca Vargas, em iniciativas concretas de proteo do patrimnio cultural brasileiro. As cidades histricas mineiras, especialmente Ouro Preto e Mariana, descobertas e divulgadas pelos modernistas, que veem nelas razes e elementos de uma autntica cultura brasileira, fora dos cnones europeus, sero as principais inspiradoras e referncias do movimento de busca de mecanismos de proteo do patrimnio edificado brasileiro de valor histrico e artstico. 
O IPHAN, criado por Getlio Vargas em 1937, se fez por influncia do ministro da Educao, o mineiro Gustavo Capanema, que teve como chefe de gabinete Carlos Drummond de Andrade. E seu primeiro presidente e implantador ser o mineiro Rodrigo Melo Franco de Andrade, ambos afinados com o movimento modernista. 
Sob o estmulo da efervescncia cultural do movimento modernista, com estilos e aptides prprias, surgiro a partir da dcada de 1930 vrios nomes de expresso na criao artstica mineira. Eduardo Frieiro, escritor e crtico literrio, bibligrafo, elabora uma relao de artistas mineiros, especialmente pintores, publicada em 1925, na qual cita os nomes de Anbal Mattos, Alberto Delpino, Belmiro Frieiro, Celso Werneck, Armando Bueno de Azevedo, Francisco Rocha, Genesco Murta, Honrio Esteves, Joaquim Gasparino, J.J. das Neves, Orzio Belm, J. Quirino, Jos Peret, Paulo Brando e Paschoal Ciali. O pintor Genesco Murta, com a tcnica pontilhista, que realizara estgios na Espanha e na Alemanha, obteve grande repercusso nas dcadas de 20 e 30.  significativo lembrar que a Academia Mineira de Letras foi fundada em 25 de dezembro de 1909, em Juiz de Fora. Entre os doze idealizadores estavam Machado Sobrinho, Belmiro Braga, Dilermando Cruz, Amanajs de Arajo E entre os primeiros scios, includos logo aps, Alphonsus de Guimaraens, Nelson de Sena e Carlos de Gois. 
J no final do sculo XIX, a construo de Belo Horizonte, a partir de 1896, trouxera a Minas artistas de vrios pases. O pintor francs Emile Roude, de Avignon, Frana, vem e retrata os ltimos momentos do arraial do Curral del-Rei, que se transformar, em 1897, na nova capital.  o que tambm faz o pintor, mas igualmente construtor e empreiteiro, Francisco Steckel, nascido em Dresden, Alemanha. Roude pinta tambm Ouro Preto, onde reside por algum tempo. O alemo George Grimm retrata Ouro Preto, Sabar e Lagoa Santa. Em 1928, o intelectual fluminense Anbal Mattos cria o Curso de Belas Artes e organiza a Pinacoteca do Estado, instituies pioneiras, com vrias transformaes nos anos posteriores. Em 1908,  criada em Juiz de Fora a Academia Mineira de Letras, cuja transferncia para Belo Horizonte, que j se firmara como a nova capital, se dar em 1915.
Na literatura, o movimento modernista gera, tambm a partir da dcada de 20, uma frtil gerao de escritores, poetas, jornalistas e intelectuais mineiros. A nova cidade, que Cyro dos Anjos dizia ser provinciana e sem passado, ser comentada e discutida pelos militantes do movimento modernista, que se mantm ativos em publicaes de artigos em revistas e jornais da poca. Integram este momento e este debate, em que Minas e Belo Horizonte e o passado e a modernidade sempre aparecem nos escritos, Carlos Drummond de Andrade, Emlio Moura, Abgar Renault, Cyro dos Anjos, Guilhermino Csar, Joo Alphonsus, Eduardo Frieiro, Ablio Barreto, Martins de Almeida, Alberto Campos, Murilo Mendes, Jos Oswaldo de Arajo, Pedro Nava, Djalma Andrade, Mrio Casassanta, Rodrigo Melo Franco de Andrade, Afonso Arinos de Melo Franco, Gabriel Passos, Milton Campos e Gustavo Capanema, os trs ltimos realizando carreira na poltica. E Guimares Rosa, contista, romancista, cronista, diplomata de carreira, expoente da fertilidade da literatura mineira e brasileira.
Anlise do perodo, seus personagens, mentalidade e seu carter nostlgico, encontram hoje farta literatura, sendo importante citar A Belo Horizonte dos modernistas  Representaes ambivalentes da cidade moderna, de Luciana Teixeira de Andrade, de 2004; O modernismo em Belo Horizonte  Dcada de 20, Antnio Srgio Bueno, de 1982; e Mrio, Drummond e Nava na Belo Horizonte dos anos 1920, Wander Miranda, 2018; Belo Horizonte entre palavras e formas: o que restou da modernidade?, Carlos Antnio Leite Brando, 2018; Belo Horizonte de expectativas: a despedida de Drummond, Srgio Alcides, 2018 e Belo Horizonte  Quais horizontes, Joo Antnio de Paula, 2018.
A arte brasileira libertava-se do academicismo. At ento, antes do movimento modernista, eram exaltados a pera e as musas do Parnaso, com uma pintura infensa s revolues estticas. Acumulavam-se as reprodues dos mestres renascentistas, diluies romnticas, as paisagens alpinas e flamengas, as naturezas-mortas e os rosais franceses, rococs, que se misturavam com heris mitolgicos transplantados para cenrios indefinidos, no dizer do crtico de artes visuais Mrcio Sampaio (A paisagem mineira, de 1977). Nacionalistas, em busca de cultura autctone, os modernistas, no s na pintura, buscavam temas nacionais, a paisagem brasileira, sentimentos e coisas da nossa vida real.
Merece lembrana, por sua obra seminal, a presena em Belo Horizonte da psicloga e educadora Helena Antipoff (1829, Grodna, Bielorussia, 1974, BH).Com formao slda adquirida na Frana e na Suia, veio em 1929 para Minas a convite do Governo o Estado, integrando a Comisso Pedaggica Europeia convidada pelo governador Antnio Carlos para assessorar a reforma do ensino mineiro coordenada por Francisco Campos e Mrio Casassanta. Antipoff fundou a Escola de Aperfeioamento Pedaggico, a Escola Normal, hoje Instituto de Educao, inicialmente destinada a formar professoras, e o Instituto Pestalozzi, na Fazenda do Rosrio. Formou geraes de educadoras, pedagogos e psicoterapeutas, modernizando a educao fundamental mineira, reconhecida por sua qualidade em todo o Brasil. Integrou a Misso a artista Jeanne Louise Milde, escultora e professora de Artes (1900/1989), que integrou a Escola de Aperfeioamento Pedaggico, passando o ensino de artes a compor o currculo escolar. Jeanne deixou vrias obras, especialmente esculturas. Entre os grandes nomes formadas no perodo destaca-se Lucia Monteiro Casassanta, educadora. 
A presena de Juscelino na Prefeitura de Belo Horizonte e no Governo do Estado representar grande impulso  fixao de uma mentalidade moderna em Minas, condio que se transfere tambm s atividades culturais. Como prefeito, urbaniza a Pampulha, com Oscar Niemeyer, que projetou o cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile, a Igrejinha de So Francisco e o Iate Tnis Clube. E um hotel, que no chegou a ser construdo. O lago inicial da Pampulha fora implantado em 1936 por Amrico Otaclio Negro de Lima (prefeito de 1935 a 1938 e de 1947 a 1951), ao represar as guas do ribeiro Pampulha (nome dado pelo portugus Manoel Leandro, em 1835, morador da regio, recorrendo a bairro homnimo de Lisboa, onde existe carvo de pedra, o pampa hulha) para abastecer a regio. Em 1940, Juscelino ampliou a represa, dando-lhe o contorno de 18 km e convidou o urbanista francs Donat Alfred Agache para elaborar projeto de urbanizao, que no foi aceito. Realizou ento concurso nacional, que novamente desapontou. Foi ento que Rodrigo Melo Franco de Andrade, que assumira o IPHAN em 1937, indicou a Juscelino o arquiteto Oscar Niemeyer. Em seu livro de memrias, As curvas do tempo, de 1998, Niemeyer conta que havia estado em Belo Horizonte, trazido por Gustavo Capanema, a pedido de Benedito Valadares, para elaborar projeto de um cassino na regio do Acaba Mundo, onde hoje se acha a Praa JK, ao p da Serra do Curral, no construdo. Em uma s noite, hospedado no Grande Hotel, onde hoje est situado o edifcio Archangelo Maletta, Niemeyer desenhou as propostas para a Pampulha, aprovadas por Juscelino no dia seguinte.
A Pampulha receber as primeiras obras em estilo moderno de Minas, com integrao entre a paisagem circundante e as projees arquitetnicas. Empregou-se o concreto armado, que permitia grandes vos, preenchidos com o vidro mais leve e transparente, sustentado por esquadrias metlicas. Os pilotis e estruturas em balano e o uso da curva, como na Casa do Baile, so outras caractersticas do modernismo. Rompiam-se radicalmente os padres de linhas retas e rgidas, at ento dominantes na arquitetura brasileira. Aproximava-se, em vrios aspectos, da arquitetura colonial mineira. Niemeyer diria: A curva, livre e sensual que a nova tcnica sugeria e as velhas igrejas barrocas mineras lembravam. 
 A Igrejinha, inaugurada em 1943, com a presena de Getlio Vargas, repete as formas das montanhas de Minas, com suas linhas curvas, da natureza e das igrejas de Ouro Preto, diz Niemeyer. Nela trabalhou grupo de artistas de expresso nacional, como Cndido Portinari que, em 1945, fez os azulejos externos, o mural do altar, em tmpera sobre argamassa, representando So Francisco despindo-se, os 14 quadros da Via-Sacra, em tmpera sobre eucatex, e os grandes painis externos na parede posterior, sobre os azulejos. Os desenhos representam aspectos da vida de So Francisco. 
A iconografia causou grande polmica, a ponto de o arcebispo conservador, Dom Antnio dos Santos Cabral, recusar-se, por vrios anos, a permitir sua sagrao, alegando que, na sua construo, no foram obedecidas normas do Direito Cannico e da arquidiocese. E no aceitava as inovaes arquitetnicas e principalmente a ornamentao pictrica. O meio catlico conservador dizia que se tratava de obras de dois comunistas, Niemeyer e Portinari. A recusa  sagrao gerou grande debate nos meios culturais e s foi encaminhada uma soluo quando Juscelino, ento na Presidncia da Repblica, intercedeu junto s autoridades religiosas. A igreja foi ento doada pelo ento prefeito, Celso Melo Azevedo,  Arquidiocese de Belo Horizonte e sagrada em 1959, pelo ento arcebispo Dom Joo Resende Costa. O jornalista Jos Mendona, editor do jornal catlico O Dirio, no seu livro de memrias, lanado em dezembro de 2009, diz que Dom Cabral, pouco antes de morrer, pedira parecer a trs catlicos: Alceu Amoroso Lima, grande lder cristo, padre Orlando Vilela, filsofo cristo, e monsenhor Nabuco de Arajo, professor de Histria da Arte. Os trs opinaram pela sagrao que Dom Cabral no teve tempo de realizar. 
Coube a Alfredo Ceschiatti (1918-1989) implantar o baixo-relevo do batistrio, em bronze fundido, fixado sobre a alvenaria. Paulo Werneck (1907-1987) fez os mosaicos e painis das paredes externas da nave. Roberto Burle Marx (1909-1994) concebeu os jardins do entorno da igreja. Os artistas Poi, Santa Rosa, Athos Bulco e Jos Moraes tambm trabalharam na igreja, em apoio s intervenes. Em 2008, o historiador Lus Gonzaga Teixeira publica preciosa monografia sobre a Igreja da Pampulha, em todos os seus momentos e aspectos. No Museu, trabalhou o escultor Jos Pedrosa (1915-1970). O conjunto modernista da Pampulha, criado por Niemeyer, integra desde 16 de julho de 2016 a lista dos Patrimnios Culturais da Humanidade da Unesco, proposta encaminhada pelo ento prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, elaborada pelos rgos de cultura e turismo da Prefeitura, com participao e apoio do IPHAN.
Ainda na Pampulha, Niemeyer projetou a Casa de JK e, na cidade, as residncias de Pedro Aleixo (demolida) e de Joo de Lima Pdua, o Conjunto JK, na Praa Raul Soares, a Biblioteca Pblica Estadual e o Edifcio Niemeyer, na Praa da Liberdade, a sede do antigo Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais), o Clube Libans, o Colgio Estadual e um grupo escolar (demolido). Para Diamantina, na mesma poca, projetou um hotel e uma escola, tambm a pedido de JK. Em Ouro Preto, projetou o Grande Hotel, doado por Getlio Vargas  cidade e que ainda hoje gera controvrsias por ser arquitetura moderna implantada em ncleo histrico tombado de estilo luso-brasileiro. Sylvio de Vasconcellos define, no seu Mineiridade, a importncia dos projetos de Niemeyer em Minas: A obra de Oscar Niemeyer no  resultado do acaso, capricho individual ou exotismo. Expressa uma cultura ou, pelo menos, uma aculturao especfica. Ambos, Oscar e Antnio Francisco Lisboa procuram desesperadamente as proposies mais simples, diretas, conclusas, contidas em mnimo de elementos interessados a um mximo de expresso. Niemeyer, ao falar sobre a sua criao, revelas suas preferncias formais: No  o ngulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexvel, criada pelo homem. O que me atrai  a curva livre e sensual, a curva que encontro no curso sinuoso dos seus rios, nas nuvens do cu, no corpo da mulher amada. De curvas  feito todo o universo, o universo curvo de Einstein. E, em diversos textos, lembra o traado curvo das igrejinhas mineiras, consagradas por Aleijadinho.
O impacto da Pampulha traz outros resultados: ter sido Portinari, em 1944, o autor da sugesto feita a Juscelino para trazer para Minas Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo, 1898; Belo Horizonte, 1962), para um curso de pintura e desenho, reivindicao de jovens artistas, curso que viria, dois anos depois, a transformar-se em escola livre, funcionando no Parque Municipal, nas edificaes inacabadas do Palcio das Artes, insalubres e inadequadas. Ao tempo em que o curso funcionou ao ar livre, algumas aulas eram dadas sob as rvores do parque. Guignard foi auxiliado pelo escultor Franz Weissmann e por Edith Bhering. S em 1980 a escola ter sede prpria, no bairro Mangabeiras, em prdio exatamente concebido para o ensino de artes plsticas, com projeto do arquiteto Gustavo Penna. No final de 1950  criada a Escola de Belas Artes, inicialmente como curso de artes na Escola de Arquitetura da UFMG e posteriormente transformada em unidade acadmica. Em Ouro Preto, Nello Nunes e Anna Amlia Lopes, com a presena contnua de Carlos Scliar, criam uma escola de arte, mais tarde integrada  Fundao de Arte de Ouro Preto.
Naquele mesmo ano de 1944, tambm por iniciativa de Juscelino, realiza-se no Edifcio Mariana a 1 Exposio de Arte Moderna, reunindo os mais expressivos nomes do pas, como Anita Malfati, Tarsila Amaral, Di Cavalcanti, Segall, Portinari, Vicente do Rego Monteiro, Ismael Nery, Volpi, Rebolo, Heitor dos Prazeres, Djanira, Carlos Scliar, Bonadei, Clvis Graciano. A tela A nau catarineta, do pernambucano Lus Soares, foi rasgada a canivete por um visitante irritado com a arte moderna. O catlogo da exposio traz texto de apresentao de Guimares Menegale, jornalista e estudioso da arte, amigo dos modernistas paulistas, que faz ampla anlise da significao da arte moderna e o contexto mineiro. Disse Menegale, no catlogo, que essa arte, a moderna, no  to ilgica, to enigmtica, to criptogrfica, enfim, que o comum dos observadores,  fora de v-la, no acabe por compreend-la e, por consequncia, estim-la. 
Juscelino pede tambm a Oscar Niemeyer que projete o novo Teatro Municipal, com um Grande Teatro, construdo, e um menor, de Cmara, no edificado. As obras comeam em 1942, no Parque Municipal, mas ficaram paralisadas at 1968. Foram retomadas por Israel Pinheiro, que inaugurou o Palcio das Artes no incio de 1971. Israel, ao retomar a obra, sob estmulo do seu secretrio de Sade, mdico e professor Clvis Salgado da Gama, incentivador da rea cultural mineira, contratou o arquiteto Hlio Ferreira Pinto para uma atualizao do projeto original de Niemeyer, que contemplava um grande teatro lrico, com dimenses opersticas internacionais, e outro de cmara, inteiramente inseridos no Parque. Com viso ampliada e futurista, Israel executou o grande teatro e a galeria que se abre para a Avenida Afonso Pena, deixando de construir o teatro de cmara. Dava a Belo Horizonte no s um teatro, mas uma fundao cultural, com novos espaos para artes plsticas, cinema de arte e outros equipamentos que conferem ao Palcio das Artes a posio de mais completa instituio cultural brasileira. Hoje homenageia, com seu nome, o mdico, professor e governador Clvis Salgado, apoiar das atividades culturais e artsticas mineiras. Nos anos de 2003 e 2004, o conjunto passa por intervenes que consolidam o carter de fundao cultural mltipla, a partir de estudos e projetos dos arquitetos lvaro e Marisa Hardy, ento representantes de Niemeyer em Minas. 
O Teatro Municipal da nova capital foi inaugurado em 1909 e, em 1941, vendido ao empresrio Juventino Dias Teixeira, para se transformar em Cine Metrpole. Juventino Dias, nascido em Betim (1976/1884), um dos maiores industriais do seu tempo: implantou fabricas de cimento, indstrias de tecido, construtora e transportadora e fazendas. Atuou no setor bancrio, foi proprietrio do Cine Brasil, na Praa Sete, e de vrios cinemas em Juiz de Fora.. O Cine Metrpole foi destrudo em 1984 para construo de uma agncia bancria e sob protesto das classes culturais de Minas, pelo seu ento proprietrio, o banqueiro e rico proprietrio imobilirio, Antnio Luciano, para ceder lugar a uma agncia bancria paulista, em prdio de mau gosto. JK construiu, ento, Parque Municipal, o Teatro Provisrio, que se tornou definitivo com o nome de Francisco Nunes.
Em 1946, com o trmino do perodo de Vargas no ano anterior, provocando a queda de Benedito Valadares em Minas, d-se a redemocratizao do pas, expressa na Constituio liberalizante deste ano. No princpio de 1947, toma posse como governador de Minas Milton Soares Campos, nascido em Ponte Nova, em 1900, militante do movimento modernista, escritor, professor catedrtico de Direito Constitucional, deputado, senador e ministro de Estado, intelectual de refinada formao humanista e clssica. Assinara o Manifesto dos Mineiros e integrava a UDN. Milton Campos  uma das poucas unanimidades na vida pblica mineira. Dele disse Tristo de Athayde: Milton Campos  a imagem viva do grande poltico mineiro. No que ela tem de mais puro: a cultura sedimentada, o sentido do concreto, a ponderao equilibrada, o humanismo autntico, a polidez do trato, o senso jurdico, o humour, em suma, da mais britnica da nossa grei cultural. Foi um homem do centro, em todos os sentidos. 
Carlos Drummond de Andrade, amigo de Milton desde os primeiros tempos do movimento modernista, diz que ele exerceu sobre a sua gerao um magistrio espiritual que no se qualifica em palavras. Para Rodrigo Melo Franco de Andrade, Milton Campos era humilde, discreto, desambicioso e sereno. Serviu com proficincia  sua ptria, em favor da qual, em postos vrios, legou os frutos de sua lcida inteligncia de sua profunda cultura, com esclarecida firmeza de convices e atitudes, de sua exemplar dignidade, de sua inabalvel dedicao  causa pblica. 
Sob sua inspirao, com coordenao de Amrico Rene Gianetti, industrial e empreendedor, gacho radicado em Minas, engenheiro formado em Ouro Preto, foi elaborado o Plano de Recuperao Econmica e Fomento da Produo de Minas Gerais, com indicao de vrias aes e projetos para o desenvolvimento da economia mineira. 
 a primeira experincia de planejamento tcnico e global para o Estado e um dos planos pioneiros da Amrica Latina, com critrios cientficos e modernidade conceitual e, sobretudo, com indicao clara das deficincias econmicas mineiras e da fragilidade da mquina estatal. O diagnstico feito pelo plano dizia que a tendncia ao conservantismo levou Minas Gerais  condio de Estado de economia colonial. Vende e exporta matria-prima de baixo preo, compra e importa, em troca, artigos manufaturados de alto teor. O Plano foi a base para o surto de crescimento que ocorreria no perodo posterior, com o governador Juscelino Kubistchek e seu binmio Energia e Transporte. Gianetti presidiu a Federao das Indstrias de Minas de 1939 a 1945, entidade que fundara, em 1933, junto com Euvaldo Lodi e Alvimar Carneiro de Resende. Lodi, nascido em Ouro Preto, em 1896, formado na Escola de Minas, foi tambm fundador da Confederao Nacional da Indstria. Criou a Brando e Cia, produtora de ferro-gusa em Caet. Empreendedor, fundou vrias indstrias em Minas e outros Estados. Gianetti, posteriormente, foi prefeito de Belo Horizonte. Um histrico da Fiemg, seus fundadores e os pioneiros na industrializao mineira est em Essas Gerais  Uma viagem fascinante pela Histria da Industria de Minas, de 2009, patrocinado pela prpria Fiemg e coordenado e escrito pelo jornalista Carmo Chagas.
Nas dcadas de 40 e 50, como um natural prosseguimento do movimento modernista mineiro e pela presena nos governos de homens como Milton Campos e Juscelino, ocorreu em Belo Horizonte e outras cidades mineiras um florescimento das atividades culturais e de criao artstica. J nos anos de passagem para a dcada de 60, em decorrncia dos movimentos populares que propunham reformas sociais de base no pas, mobilizando e envolvendo amplos setores da sociedade, com destaque para os festivais de msica patrocinados pelas emissoras de televiso e para o movimento estudantil, com o Centro de Cultura Popular da Unio Nacional dos Estudantes, inicia-se novo ciclo de efervescncia artstica. Esse surto cultural ser sufocado e interrompido pelo corte abrupto e retrgrado imposto pelo golpe militar de 1964 a todo o pas. Os temas mineiros, a pesquisa histrica, a busca de um carter regional, no entanto, por todo esse tempo, nunca deixaram de integrar a literatura que se produziu, ampliando o que se tem chamado de coleo mineiriana, histrica ou literria.
So muitos os nomes que iro marcar diferencialmente a produo intelectual e literria mineira, alm da gerao modernista das dcadas de 20 e 30. Carlos Drummond de Andrade, nascido em Itabira em 1902, poeta, jornalista e servidor pblico no IPHAN, recolhido ao Rio de Janeiro a partir de 1934, como chefe de gabinete do ministro Gustavo Capanema, embora nunca tenha voltado, no esqueceu sua origem, sobretudo sua terra natal e Belo Horizonte, bem como a alma de Minas, e manteve-se ativo at a sua morte, em 1987. Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. (...) Tive ouro, tive gado, tive fazenda. /Hoje sou funcionrio pblico. Itabira  apenas uma fotografia na parede. Mas como di (Confidncia do Itabirano). Drummond sempre apelou ao esprito ordenador de Minas, em meio  confuso da cidade grande: Esprito de Minas, me visita, e sobre a confuso desta cidade (...) lana teu claro raio ordenador. 
Drummond, convidado vrias vezes, no voltou a Minas: (...) quer ir para Minas, Minas no h mais (Jos). Mais tarde, alguns anos antes de sua morte, escreveu em 1976, no jornal Estado de Minas, uma Despedida de Belo Horizonte, atravs do poema Triste horizonte: Por que no vais a Belo Horizonte? A saudade cicia e continua, branda: Volta l. Tudo  belo e cantante na coleo de perfumes das avenidas que levam amor, nos espelhos de luz e penumbra onde se projetam os puros jogos de viver. Anda. Volta l, volta j. E eu respondo, carrancudo: No. No voltarei para ver o que no merece ser visto, o que merece ser esquecido, se revogado no pode ser (...) No, Mrio, Belo Horizonte no era uma tolice como as outras.(...) Esquecer, quero esquecer  a brutal Belo Horizonte (...) Quero no saber da traio de seus santos. Eles a protegiam, agora protegem a si mesmos, So Jos, no centro da cidade, explora estacionamento de automveis. (...) No quero mais, no quero ver-te/ meu Triste Horizonte e destroado amor. Cita tambm o uso do entorno da Igreja da Floresta para um intenso comrcio, isolando-a em meio s construes de lojas. E lamenta a destruio o perfil da Serra do Curral, pela mineradora MBR, e a proibio de visitas  Serra do Curral, fechada pela empresa. 
A MBR explorou totalmente a jazida de guas Claras, na Serra do Curral, conhecida por seu alto teor de hematita e com o minrio  flor da terra, retirado a baixo custo, tendo Belo Horizonte como cidade prestadora dos servios  empresa, reduzindo seus custos de sustentao dos empregados. guas Claras esgotou-se em 2003 mas a Vale mantm seu interesse na explorao de vrias jazidas na regio, com limitaes devido  proximidade de centros urbanos e empreendimentos habitacionais, como tambm nascentes de gua para a Grande BH. Durante quase toda a sua atividade, at princpios do sculo XXI, sofreu crticas por desfigurar a Serra do Curral e outros impactos ambientais. A explorao de guas Claras j havia sido recusada  Hanna na dcada de 1950. E a Assembleia Legislativa chegou a considerar a Hanna uma empresa non grata em Minas, em fins da dcada de 1950. 
A autorizao foi obtida por Augusto Trajano de Azevedo Antunes por suas conhecidas ligaes com o regime militar, instalado no Brasil um ano antes. Antunes participou, como empresrio, da articulao do golpe militar de 1964, tendo financiado a criao do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), integrado por empresrios e militares que atuavam na preparao do golpe. Hoje, seus terrenos pertencem  Vale, proprietria de grande extenso de terras na regio, inclusive vrias lagoas, entre elas as do Miguelo e das Codornas, que abastecem antiga usina geradora de energia eltrica para a Mina de Morro Velho, em Nova Lima. 
A partir de 1974, com a MBR autorizada a operar, a velocidade da extrao do minrio de ferro da jazida de guas Claras comeou a desfigurar o perfil da serra, provocando reao de vrios segmentos da opinio pblica. Os protestos tiveram o apoio de Carlos Drummond de Andrade em famosa crnica, publicada no Estado de Minas e amplamente reproduzida. O mal estar causado levou a MBR a assumir o compromisso pblico de manter o perfil da serra mas, do outro lado, assusta a quem v o tamanho e a extenso das intervenes. Hoje, a imensa rea da antiga minerao, com um lago profundo da antiga explorao, inteiramente estril, no obteve reparao ambiental que a legislao determina. E permanece sem destinao.
Em 1965 j tinha lamentado a destruio do Pico do Itabirito, em poema com este nome, o que guarda similaridade com o desmonte do Cau, em Itabira, inteiramente desmontado para extrao do minrio de ferro desde os anos da Itabira Iron. E que, no seu Canto mineral, renova seu lamento. O Pico do Itabirito, ser modo e exportado, mas ficar no infinito seu fantasma desolado. E prossegue: St. John del Rey Mining sai, mais Hanna mais Icominas e sem dizer gua-vai serram os cerros de minas, nobres cerros altaneiros que davam, com sobriedade, aos de casa e forasteiros, um curso de eternidade. Em Maquinao do mundo  Drummond e a minerao, Jos Miguel Wisnik, de 2018, faz anlise excepcional sobre os textos poticos de Drummond e seus protestos em defesa mineral do Estado. Outro excepcional trabalho est em Belo Horizonte de expectativas: a despedida de Drummond, de Srgio Alcides, de 2018, publicao do BDMG Cultural. 
Joo Guimares Rosa, mdico e diplomata, nascido em Cordisburgo (1908-1967), andou pelo serto de Minas, em 1952, por onze dias, na culatra de uma boiada na regio das Gerais entre Cordisburgo e os barrancos do Rio So Francisco. Tomou nota e publicou, quatro anos depois, dois grandes livros, entre outras publicaes: Corpo de baile e Grande serto: veredas. Desvendou o mineiro e o serto, o das minas e o sertanejo, revelando um novo universo da mineiridade mais profunda, em linguagem metafrica, instigante, sempre mostrando o universo da antinomia humana, na dicotomia entre Deus e o diabo, a f e a descrena, a moral e o desejo, o falar e o agir. 
 imensa e amplamente reconhecida, na sua qualidade e diversidade, a produo literria mineira. A longa a lista de escritores, comeando pelo sculo XVIII, configura uma vocao e um pendor dos mineiros, trao realado pelos historiadores da literatura brasileira. Admite-se que os movimentos literrios mineiros mais contemporneos expressam uma pluralidade de vozes, que se mostra clara no modernismo de Minas, que ficou entre o ambiente barroco e interiorano das velhas cidades e o traado geomtrico e moderno de Belo Horizonte. O modernismo mineiro ficou entre o arcaico e o novo .... o Imprio e a Repblica, formando um ser moderno dotado de natureza homognea e plural (Modernismo revistado, Eneida Maria de Souza).. O mdico e escritor juiz-de-forano Pedro Nava, sempre evocativo do passado, amargo e crtico, memorialista,  uma vocao literria na terceira idade. Afonso Arinos de Melo Franco, de famlia de literatos, com igual nome, intelectual, historiador e poltico, inteligncia ampla, chanceler brasileiro e senador da Repblica, deixou vrios trabalhos de anlise da vida mineira, da Minas antiga e sua luta pela modernidade. 
Paulo Pinheiro Chagas, mdico, poltico, excepcional memorialista, nos revelou vida e obra de Tefilo Ottoni e a vida poltica de Minas na primeira metade do sculo XX, em obra biogrfica, excepcionais trabalhos de pesquisa histrica. Ablio Barreto, autor de Belo Horizonte, memria histrica e descritiva, obra magistral das primeiras dcadas da nova capital. O fillogo, folclorista e historiador Ayres da Mata Machado Filho, diamantinense, pesquisador da formao e da vida mineira. Os escritores Cyro dos Anjos, Emlio Moura, Henriqueta Lisboa, Murilo Mendes, Anibal Machado, Eduardo Frieiro, Bueno de Rivera, Jlio Ribeiro. O literato e ensasta, alma irrequieta e revolucionria, Fritz Teixeira de Salles, de Santa Luzia, que nos deu os preciosos Vila Rica do Pilar e As irmandades religiosas do Ciclo do Ouro. O psicanalista Hlio Pellegrino, analista da alma humana, cronista do seu tempo, que tambm mudou-se para o Rio. Os escritores e jornalistas, essencialmente mineiros, Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Jos Aparecido de Oliveira; o romancista Autran Dourado, que mudou-se para o Paran; o professor, historiador e ator Joo Etienne Filho, o pensador catlico, professor de Direito e humanista Edgar de Godi da Mata Machado, o crtico Oscar Mendes; o cronista e jornalista Milton Amado; o escritor Martins de Oliveira; o poeta Dantas Mota; o professor e jurista Orlando de Carvalho; os filsofos e professores Artur Versiani Veloso, Henrique Claudio de Lima Vaz e Carlos de Campos; o pesquisador, folclorista e historiador Joo Dornas; o antroplogo Morse Belm Teixeira; o romancista, dramaturgo, poeta e jornalista Lcio Cardoso; o historiador e cronista Delso Renault; os cronistas Djalma Andrade e Moacir Andrade; o poeta Austen Amaro de Moura Drummond; o antroplogo e escritor Darcy Ribeiro; o poeta Alphonsus de Guimaraens Filho; o contista Murilo Rubio; o romancista Mrio Palmrio; os mineiros adotivos Carlos Castelo Branco e Rubem Braga; os jornalistas e escritores Celso Brant e Wilson Castelo Branco; o memorialista Bernardo Guimares; o escritor Vivaldi Moreira; os marianenses Dulio e Danilo Gomes; o cartunista Henfil e seu irmo Betinho; os filsofos e crticos de arte Moacyr Laterza e Snia Viegas; o pesquisador e historiador Hlio Gravat; o historiador Francisco Iglesias; os escritores Osvaldo Frana Jnior e Roberto Drummond; a escritora Maria Jos Queiroz, e poeta Affonso vila e sua excepcional obra sobre o Barroco Mineiro; o escritor Affonso Romano de Santana; a poetisa Las Corra de Arajo; Antnio Olinto, de Ub, poeta, professor e escritor, com imensa obra e membro da Academia Brasileira de Letras; o crtico Fbio Lucas; o poeta, escritor e crtico literrio Antnio Cndido (nascido no Rio, mas que estudou em Cssia e Poos de Caldas); o jornalista e escritor Benito Barreto; o escritor Rui Mouro; o crtico Silviano Santiago. 
E mais: o socilogo Fernando Correia Dias; o historiador Waldemar de Almeida Barbosa; o escritor Luiz Vilela; o jornalista e escritor Carlos Herculano Lopes; o jornalista e escritor Ivan ngelo; o ensasta, crtico e romancista Silviano Santiago; a escritora e professora Eneida Maria de Souza; o historiador e professor Joo Antnio de Paula; o escritor e jornalista Jos Bento Teixeira de Salles; o professor e escritor Delson Gonalves Ferreira; o jurista e historiador Washington Peluso Albino de Souza; o jornalista e bigrafo Fernando Morais; os escritores e folcloristas Nelson de Sena, Saul Alves Martins e Jos Moreira de Souza e Antnio de Paiva Moura e muitos outros; o escritor e cronista Manoel Lobato; o professor e literato Jacynto Lins Brando, o jornalista, filsofo e pensador Adauto Novaes; o contista dos casos de Minas Olavo Romano; os mdicos e escritores Jos Geraldo Dangelo e Angelo Machado, a escritora Carmen Schneider Guimares; o jornalista e escritor Wilson Figueiredo; o escritor Srgio Santana; o jornalista Humberto Werneck; o economista e escritor Eduardo Giannetti; o escritor Frei Betto; os filsofos padre Henrique Vaz e Jos de Anchieta Correia; a poetisa Adlia Prado; o escritor Bartolomeu Campos de Queirs; o psiquiatra Marco Aurlio Baggio. Em 1966 criou-se o Suplemento Literrio do Minas Gerais, sob direo de Murilo Rubio, que passou por vrias fases e direes, sofreu censura poltica mas lanou e divulgou vrios escritores mineiros. Rubio, que atuou como secretrio de Cultura de Israel Pinheiro, criou ainda a Fundao de Arte de Ouro, a Fundao Escola Guignard, que surgira em 1942 como escola livre no Parque Municipal, e a Galeria Mineiriana do Palcio da Liberdade.
Em nossos dias consolida-se uma gerao de novos historiadores, estimulada pela evoluo da pesquisa acadmica e o exerccio do magistrio, ampliando pesquisas e leituras sobre a Histria de Minas, como Jos Murilo de Carvalho, Maria Efignia Lage Resende, Luiz Carlos Villalta, Heloisa Starling, Carla Maria Junho Anastasia, Regina Horta Duarte, Caio Boschi, Carlos Antnio Leite Brando, Joao Antnio de Paula, Otvio Soares Dulce, Jos Newton Coelho Menezes, Laura de Mello e Souza, Jnia Ferreira Furtado, Eduardo Frana Paiva, Douglas Cole Libby, Eliana de Freitas Dutra, Luciano Figueiredo, Flvio Marcus da Silva, Renato Pinto Venncio, Adriana Romeiro, Carlos Magno Guimares, Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, Adalgisa Arantes Campos, Roberto Martins, Amilcar Martins. 
O gosto pelo espetculo lrico sempre distinguiu os mineiros, desde os tempos das casas de pera das cidades coloniais, especialmente Ouro Preto, Sabar, So Joo del-Rei, Paracatu e Diamantina. Lavras, por exemplo, com seu Teatro Municipal inaugurado em 1917, teve atuao marcante nesse gnero desde os anos finais do sculo XIX e recebeu vrias montagens. Em Belo Horizonte, no Teatro Municipal (inaugurado em 1908), no Cine-Teatro Brasil, construdo em 1936, no Teatro Francisco Nunes e, a partir de 1971, no Palcio das Artes, a populao belo-horizontina sempre demonstrou gosto pela msica lrica, herana das cidades histricas e da presena de italianos e espanhis na construo da capital. Algumas entidades, como a Sociedade Mineira de Cultura Artstica, a Sociedade Mineira de Concertos Sinfnicos ou Sociedade Coral de Belo Horizonte tiveram papis decisivos na expanso da msica lrica desde a dcada de 40 do sculo passado. 
 O Madrigal Renascentista, o coral Ars Nova, criado pela UFMG, o Teatro de Bonecos, de lvaro Apocalipse, o Coral Lrico do Palcio das Artes (fundado em 1971) ou a Fundao de Educao Artstica so exemplos de instituies que cumpriram trajetrias importantes na formao artstica musical mineira. A histria da msica erudita na capital  longa, com algumas datas relevantes: em 1925,  criado o Conservatrio Mineiro de Msica, sob a direo do maestro Francisco Nunes, que organizou no mesmo ano a Sociedade Coral de Belo Horizonte. Em 1944, a orquestra da Sociedade passou a se chamar Sinfnica de Belo Horizonte, dirigida pelo maestro italiano Guido Santorsola. Em 1948, trazido por Juscelino, o maestro Artur Bosmans fundou a Orquestra Sinfnica Estadual, que se fundiu em 1951 com a de Belo Horizonte, com o nome de Sociedade Mineira de Concertos Sinfnicos, subvencionada pelo Estado e a Prefeitura. Seu regente era o maestro italiano Srgio Magnani, que elevou, com seu vasto conhecimento, a produo operstica mineira. Magnani foi regente titular da Orquestra Sinfnica do Palcio das Artes e dirigiu varias peras e grandes concertos sinfnicos.
Vrias temporadas lricas foram realizadas desde ento no Teatro Francisco Nunes. Mas, com dificuldades de sobrevivncia, acabou paralisando suas atividades. A 2 de setembro de 1976, foi assinada lei estadual criando a Orquestra Sinfnica de Minas Gerais, integrada por msicos de diversas origens. Seu primeiro regente, escolhido em concurso pblico, foi o alemo Wolfgang Groth. E, a pedido do ento governador do Estado, Aureliano Chaves, o ento presidente da Cemig, Francisco Afonso Noronha, conhecedor da msica erudita e a musicista Norma Silvestre, coordenaram trabalho internacional de formao da Orquestra. Em 21 de fevereiro de 2008 foi inaugurada a Orquestra Filarmnica de Minas Gerais, criada pelo Governo do Estado, que construiu sede prpria para o grupo, que se mantm como corpo artstico de excelncia.
Fugindo de conflitos na Europa, vem para Minas nomes como Georges Bernanos, humanista e pensador, e Emeric Marcier, que se fixaram em Barbacena. Marcier, com slida formao expressionista, homem marcado por uma vida nmade, deixa obras magnficas com temas sacros. Veio igualmente o italiano Srgio Magnani, maestro, compositor, regente, pianista, com ampla formao cultural, professor de cultura italiana, que ser responsvel pela elevao da msica orquestral e operstica mineira e formao de vrias geraes de msicos e cantores. Adotam Minas Gerais pesquisadores como o anatomista e patologista Luigi Bogliolo, que funda ctedra de Anatomia Patolgica de renome internacional na Escola de Medicina da UFMG, e tambm o microbiologista Giorgio Schreiber, que amplia o conhecimento em vrios ramos da parasitologia, em especial sobre a Doena de Chagas. Sua esposa, Maria Schreiber, juntamente com Anita Uxa, funda a sociedade Amigas da Cultura, em 1952. E deve-se a Juscelino a vinda para Belo Horizonte, na dcada de 40, do maestro Arthur Bosmans, para dirigir a Orquestra Sinfnica revigorada.
Em Juiz de Fora, o Ncleo Antnio Parreiras desempenha a mesma renovao realizada pela Escola Guignard em Belo Horizonte. Dele, participaram artistas como Inim de Paula e Edson Mota. Mais tarde, novo grupo vai gerar importantes artistas como Nvea Bracher, Roberto Gil, Roberto Vieira e Carlos Bracher e, pouco depois, Arlindo Daibert. A Estamparia Litogrfica Juiz de Fora atraiu mestres desta arte, alguns vindos da Europa, aplicando seus princpios nas marcas publicitrias, especialmente para os produtos do polo industrial que nascia no Sul de Minas, especialmente o de laticnios. Essas marcas foram apropriadas por Ltus Lobo nos seus trabalhos, quase sempre utilizando imagens e paisagens mineiras. Ao final da dcada de 60, instala-se em Juiz de Fora a Galeria Celina, criada por Carlos e Fani Bracher, que passa a centralizar o movimento artstico da cidade. Alm dos irmos Nvia, Dcio e Carlos Bracher e Fani, congrega artistas e intelectuais e promove mostras de vanguarda. Carlos Bracher e Fani Bracher, casados, mudam-se para Ouro Preto aps temporada na Europa. Carlos Bracher realiza carreira internacional na primeira dcada do sculo XXI.
Na antiga Vila Rica, residia Estevo Souza, pintor. Em 1963, Nello Nuno e Annamlia Rangel tambm se transferem para Ouro Preto e ali criam uma escolinha de arte, posteriormente incorporada  Fundao de Arte de Ouro Preto (Faop), criada por Vincius de Moraes, a atriz Domitila Amaral e o escritor Murilo Rubio. Destaca-se tambm, por essa poca, na pintura, Mrio de Oliveira. Na restaurao, Jair Incio faz escola e a Faop, com curso especializado de restaurao, forma dezenas de tcnicos. Carlos Scliar manteve residncia na cidade, onde passava alguns meses de cada ano. Ivan Marchetti tambm ali residiu por vrios anos. Merece lembrana, por seu mltiplo e excepcional trabalho artstico, Calmon Barreto, de Arax, pintor, gravador, escultor e fundidor.
A UFMG, com o carter de extenso universitria, cria em 1967 o Festival de Inverno de Ouro Preto, interrompido em 1980 por presses polticas, originrias do regime ditatorial. O Festival deixar, assim, a velha cidade, para onde retornou, por um breve perodo em 1993. Atribui-se ao Festival a formao de dezenas de artistas e o surgimento do Uakti, de msica instrumental, e do Galpo, de teatro de rua. Desde 1995, com a retirada UFMG, a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) passou a realizar seu festival de inverno, nos ltimos anos extensivo a Mariana, patrocinando tambm um festival de literatura, por meio do seu Instituto de Filosofia, Artes e Cultura. Em Mariana, onde prolifera uma escola de entalhadores, alguns artistas revelam grande talento: Hlio Petrus, entalhador, Elias Layon, entalhador e pintor, e Olga Tukoff, especialista na policromia. Zizi Sapateiro tornou-se famoso na pintura primitivista, retratando os cenrios coloniais de Minas. Mariana abriga hoje uma escola de escultores, entalhadores e santeiros de elevada qualidade artstica.
Registro especial, como fenmeno cultural singular, merece Cataguases, onde ocorre um frtil e vigoroso perodo de criao artstica e intelectual, a partir de 1927, capitaneado pelo Movimento Verde, integrado  inspirao modernista. Iniciado por jovens poetas, dentre os quais Enrique de Rezende e Ascnio Lopes, vo integrar o chamado Grupo Verde os poetas e escritores Guilhermino Csar, Francisco Incio Peixoto, Rosrio Fusco, Cristforo Fonte Boa, Antnio Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e o pianista Renato Gama, que lanaram a Revista Verde (publicada entre 1927 e 1929) e o Manifesto Verde, com os quais definem as bases e princpios do seu movimento. Cataguases  chamada de Ouro Preto do Sculo XX por seu movimento cultural e pelas edificaes que recebe, com projetos de Oscar Niemeyer e obras de Djanira. Marcier tambm realiza pinturas hoje integrantes do acervo artstico de Cataguases. Na dcada de 60, experimentou novo surto cultural de vanguarda, por meio do Centro de Arte de Cataguases e do Centro de Arte Experimental de Cataguases.
O movimento cultural de Cataguases gerou tambm Humberto Mauro (1897-1983), pioneiro do cinema brasileiro. Com Pedro Comello, imigrante italiano, fotgrafo, Humberto comeou em 1925 com uma cmara de 9,5 mm e um curta de cinco minutos. Fundou a Phebo Sul Amrica Film e produziu, em 1926, Na primavera da vida e, logo aps, Thesouro perdido, premiado como o melhor filme brasileiro, em 1927. Rebatizou sua produtora de Phebo Brasil e realizou vrios filmes, entre eles Brasa dormida, lanado em 1929 e distribudo para todo o pas, considerado ousado para a poca. Em 1929, com o lanamento da Cindia, vai para o Rio, quando produz vrios filmes, com destaque para Ganga bruta, em 1933, com estrutura narrativa revolucionria para a poca. Mais tarde, trabalhou no Instituto Nacional do Cinema, perodo em que produziu vrios longas-metragens. Manteve-se em atividade criativa at 1974, quando se mudou para Volta Grande, onde morreu. Ao todo, produziu onze longas-metragens e mais de cem curtas, alm de documentrios e participao em filmes de outros diretores.
A atuao do governo de Juscelino na rea de estradas comeou com a abertura de concorrncia para asfaltar 500 quilmetros e construir 2.000 quilmetros de novas rodovias. Mas conseguiu, no perodo 1951-55, abrir 3.725 quilmetros. Outra ideia dessa poca, uma fbrica de montagem de avies em Lagoa Santa, no se efetivou e s foi retomada em 2009, por deciso do Ministrio da Aeronutica. 
A economia mineira, por falta de um parque industrial transformador, torna-se fornecedora de matrias-primas para So Paulo, perfil que s comear a ser efetivamente mudado no incio da dcada de 70. No sem motivo, predominava o dito de que Minas exporta mineiros, minrios e boi em p, recebendo de volta, com maior valor agregado, os produtos transformados industrialmente. Os melhores empregos, a indstria de apoio, a receita tributria ficavam nos centros produtores industrializados, especialmente paulistas. 
Minas concentrava sua atividade industrial no setor extrativo mineral e na agropecuria, herana do sculo XIX. A falta de energia eltrica industrial, de estradas interiores e outros itens de infraestrutura mantiveram o Estado nessa dependncia. Tanto que o esforo dos rgos de fomento econmico, como o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), criado em 1962, no Governo Magalhes Pinto, e do Instituto de Desenvolvimento Industrial (INDI), criado em 1969, por Israel Pinheiro, imaginado por engenheiros da Cemig, em parceria com o BDMG,  no sentido de quebrar essa dependncia, passando do produto primrio exportado ao produto acabado, fabricado integralmente em territrio mineiro.
Israel Pinheiro, governador de Minas de 1966 ao incio de 1971, embora eleito em certa oposio ao regime militar, teve desempenho excepcional quanto ao desenvolvimento do Estado. Engenheiro civil e de minas, formado em 1919, em Ouro Preto, Israel seguir a vocao desenvolvimentista do pai, Joo Pinheiro. Nascido em Caet, foi prefeito da cidade aos 25 anos. Cuidou da cermica implantada pelo pai. Em 1933, com 37 anos, tornou-se secretrio de Agricultura, Industria, Viao e Obras Pblicas de Benedito Valadares, cargo que ocupou por nove anos, at 1942, quando foi indicado para presidir e implantar a Companhia Vale do Rio Doce, ento criada por Getlio Vargas. Israel, como governador, tambm cria na Fundao Joo Pinheiro, um Centro de Desenvolvimento em Administrao, em parceria com a Universidade de Colmbia (EUA), uma Superintendncia de Incentivos Fiscais e a Companhia de Distritos Industriais, que foi essencial ao processo de atrao de novos empreendimentos industriais. Como secretrio de Benedito Valadares implantara a cidade industrial de Contagem em 1941, o Grande Hotel de Arax, a escola de laticnios Cndido Tostes, em Juiz de Fora, a Fazenda Experimental de Felixlndia, uma fazenda-escola em Florestal, a Rdio Inconfidncia em 1936, a Feira de Amostras de BH, onde hoje est a rodoviria. Atuou na implantao da Escola de Veterinria, hoje integrada  UFMG. E tambm na criao da Escola Superior de Agricultura de Viosa. Concluiu a construo do Palcio das Artes, iniciada por Juscelino, ento prefeito de BH, em 1941, paralisada desde 1945. De 1946 a 1956 foi deputado federal. A partir de 1956 foi o engenheiro-chefe da Novap, empresa construtora de Braslia, a convite de Juscelino. Vida e obras de Israel esto em vrios artigos em Minas e os fundamentos do Brasil moderno, organizados por Angela de Castro Gomes, de 2005. 
O INDI, contando com pleno apoio do governador Rondon Pacheco, elaborou vrios estudos de pr-viabilidade para investimentos industriais, procurando integrar vertical e horizontalmente o parque industrial mineiro. Foi responsvel por vrias misses empresariais ao exterior e pela construo de diferenciais de competitividade do Estado, estratgia fundamental para atrao de novos projetos. Elaborou um bem-sucedido programa especial de industrializao do Sul de Minas, aproveitando-se do transbordamento e da proximidade do eixo Rio-So Paulo. Contando com um ousado pacote de incentivos fiscais, financeiros e de infraestrutura, alm de terrenos preparados pela Companhia de Distritos Industriais (CDI), atraiu mais de 400 projetos para Minas. O resultado foi que, de 1970 a 1977, Minas Gerais recebeu 25% dos investimentos industriais feitos no pas, chegando a obter taxa mdia de crescimento de 16,5%, ao ano, neste perodo. A partir de 1978, no entanto, passa a crescer mais lentamente que o Brasil, chegando a taxas negativas em 1981 e 1982.
Em 2003, um relatrio do INDI informava que os projetos decididos para Minas, com assistncia do INDI, de 1972 a 2003, totalizaram investimentos de US$ 14 bilhes, com gerao de 260 mil empregos. Seu primeiro presidente foi o engenheiro Francisco Afonso Noronha, tendo como diretores Ablio dos Santos e Paulo Valadares. Noronha foi secretrio de Indstria, Comrcio e Turismo no Governo Rondon Pacheco e presidiu a Cemig mais tarde. Ablio dos Santos, engenheiro, tambm presidiu o Indi e o BDMG, j no governo Aureliano Chaves. O INDI formou uma equipe de tcnicos e especialistas em promoo industrial que participaria, mais tarde, da gesto superior de vrios empreendimentos. E foi, em certo sentido, uma reao empreendedora do corpo tcnico da Cemig, interessada tambm em dar densidade de consumo ao mercado de energia eltrica, tendo, como foco, portanto, a captao de indstrias, sem maiores preocupaes quanto a perfis socioeconmicos, orientao defendida pelos economistas do BDMG. Essas divergncias no chegaram, porm, a impedir a ao conjunta dos dois rgos.
Em 1967/68, tcnicos do BDMG elaboraram o Diagnstico da Economia Mineira, coordenado pelo economista Fernando Roquette Reis, no qual apontavam estrangulamentos e potencialidades da economia regional, estudada desde 1945. O documento foi chamado,  poca, de autpsia da economia mineira, tamanhas as dificuldades e estrangulamentos encontrados. Atuando, logo depois, atravs de programas setoriais, com financiamentos especiais, o BDMG transformou-se em poderoso instrumento de alavancagem de vrios setores industriais, como o de agronegcios, com destaque para os ramos de laticnios e sucroalcooleiro, o mnero-metalrgico, o cimenteiro e o eletroeletrnico, alm do financiamento para reposio de mquinas e equipamentos. Na rea cimenteira, outra vocao mineral de Minas, implantam-se vrias usinas de grande porte, sobretudo a partir de 1970, como a Ciminas em Pedro Leopoldo, a Soeicon, em Lagoa Santa, a Cimento Tupi, em Caranda, o Grupo Ita, em Vespasiano, o Grupo Holcim, em Barroso, e o Cau, em Mesquita. O grupo francs Lafarge, maior produtor mundial de cimento, da marca Mau, adquire usinas em Arcos e Matosinhos e fabrica tambm peas de concreto e agregados. A rea Mineira da Sudene, criada em 1959, at o final da dcada de 60 tinha apenas dois empreendimentos de porte, a Matsulfur, de cimento, e o Frigonorte, ambos em Montes Claros. Mais tarde, como resultado do esforo do BDMG, novas indstrias se instalam. 
Na criao e consolidao do BDMG, dois nomes se destacam na sua consolidao e expanso, Paulo Camilo de Oliveira Penna, seu primeiro presidente, e Hindemburgo Pereira Diniz, ao tempo de Israel Pinheiro, e seu dirigente ao tempo de elaborao do Diagnstico. Posteriormente, o BDMG coordenou dois novos documentos: Economia Mineira: Diagnstico e Perspectivas, de 1989, e Minas Gerais no sculo XXI  Uma viso do novo desenvolvimento, de 2002. A viso dos tcnicos do BDMG, especialmente no Diagnstico de 1968, sempre foi objetiva e verdadeira quanto ao carter de dependncia da economia mineira, na agropecuria e nas indstrias de base, gerando matrias primas para a transformao em outros Estados, com maior capacidade industrial, gerando produtos de maior valor agregado, mais empregos e receitas pblicas. 
A Usiminas, criada em 1956, com 40% de capital japons e recursos pblicos brasileiros, inicia sua operao em 1962, com a Usina Intendente Cmara, em Ipatinga, produzindo chapas para a indstria automobilstica paulista. Como subsidiria, funda a Usimec, no setor de bens de capital, no qual j atuavam vrias empresas atendendo especialmente as grandes demandas do setor mineral. Privatizada em 1997, experimentou grande expanso, adquiriu a Cosipa e outras empresas. Com diferentes contribuies, nos diversos momentos e aes de sua criao, podem ser considerados fundadores da Usiminas Amaro Lanari Jnior, Gil Guatimozim, Jos de Lima Barcelos, Gabriel Janot Pacheco, Demerval Pimenta, Ldio Lunardi, Joo Ewerton Quadros, Slvio Barbosa, Athos Lemos Rache, Sebastio de Sant Anna e Silva, Osvaldo Fortini e os japoneses Kaname Suzuki, Teizo Horikoshi, que chefiaram as duas primeiras misses do Japo, e mais Yuichi Susgihara e Yoshio Shiraishi, seus primeiros diretores. O engenheiro Lus Verano foi o chefe de implantao da usina. O engenheiro metalurgista Rinaldo Campos Soares presidiu a empresa por 18 anos, deixando o cargo em 2009, consolidando-a como grupo industrial siderrgico de elevado padro tcnico, com orientao empresarial moderna e humanista e destaque mundial. A Acesita j surgira em 1944, resultante de associao entre Percival Farqhuar, Athos de Lemos Rache e Aminthas Jacques de Morais, para produzir aos especiais, que seriam transformados em produtos finais em So Paulo. 
Muito pouco se industrializava na rea de laticnios e alimentos. De grande porte, apenas a minerao, quase toda de capital estrangeiro, e sempre objeto de polmica pela pouca receita tributria e pelo comprometimento ambiental. J a indstria siderrgica usava carvo vegetal, sendo a principal responsvel pelo amplo desmatamento de Minas Gerais, especialmente do Norte do Estado.
Em Arax, chamin vulcnica frtil em ocorrncias minerais, a CBMM, do Grupo Moreira Salles, minera, concentra e exporta desde 1955 o nibio, enriquecedor de ligas metlicas. Sua mina e instalaes industriais, em Arax, so exemplos pedaggicos de conservao ambiental em empreendimentos minerais. Hoje, a CBMM tem parceria com a Codemig, empresa do governo mineiro, que recebe 25% da receita em compensao pela explorao da jazida do Estado em Arax. Em parceria com Codemig, a CBMM pesquisa novas jazidas de terras frteis e do grafeno, na regio. E a Bunges, sucessora da Arafrtil, explora a apatita, componente de fertilizantes, ambas em parceria com o Estado, detentor parcial das jazidas. J em Tapira, em regio prxima, so exploradas ocorrncias minerais raras pela Vale.
A Alcan, canadense, se instala em Ouro Preto em 1952, aproveitando as grandes reservas de bauxita, matria-prima para o alumnio, enviado para transformao em produtos acabados em So Paulo, foi economicamente importante para a cidade, mas gerou expanso urbana que, nos nossos dias, exige grandes investimentos pblicos. O grupo canadense adquiriu a fbrica criada em 1936 por Amrico Ren Gianetti, ex-aluno da Escola de Minas, com o nome de Elquisa (Eletro-Qumica Brasileira S.A) e destinada a explorar a bauxita e a produzir alumnio primrio. A iniciativa sofreu boicote do truste internacional do alumnio, que alegava existir grande oferta no mercado internacional no ps-guerra. Vendida a grupo indiano em 2007, denomina-se Novelis e, em 2009, reduz suas atividades drasticamente por falta de competitividade e devido  falta de bauxita, energia eltrica prpria e ferrovia na regio, alm de ser tecnologicamente muito antiga. Novelis  uma lder mundial na produo de laminados e recilagem de alumnio. Em 2014 deixa de produzir alumnio primrio e destina-se  reciclagem de alumnio. Mais tarde, em Poos de Caldas, surgir a Alcoa, tambm na rea de alumnio primrio.
Em agosto de 1954, inaugurada por Juscelino e Getlio Vargas, instala-se em Belo Horizonte a Mannesmann, produzindo tubos sem costura, investimento da filial de Dusseldorf, hoje pertencente ao grupo francs Valourec, que realiza, em 2009, grande investimento em nova fbrica em Jeceaba, prxima a So Brs do Suau. A Aominas, hoje do Grupo Gerdau, usina integrada, implantada em Ouro Branco e Congonhas, operando desde 1986, resultou de ampla e longa campanha das entidades do comrcio e indstria de Minas e representou acrscimo importante  capacidade produtiva do parque siderrgico mineiro. A Gerdau possui em Minas duas outras siderrgicas menores, em Baro de Cocais e Divinpolis. Importante lembrar que j funcionavam em Minas, desde a dcada de 60, perto de 60 fbricas pequenas e mdias de ferro-gusa.
Atrada por empenho pessoal do governador Rondon Pacheco e um trabalho promocional do INDI, BDMG e da Secretaria de Estado da Fazenda, dirigida pelo economista Fernando Reis, a Fiat se instala em 1974 em Betim (foi inaugurada por seu sucessor, Aureliano Chaves, em 1976), com vrias indstrias de autopeas, em especial a FMB, fabricante de motores. Para atrair a Fiat, disputada por outros Estados, o Governo de Minas participou do empreendimento, nos primeiros anos, com capital acionrio de at 40%, financiamento especial, oferta de terreno com infraestrutura, incluindo terraplanagem, energia eltrica, telecomunicaes, garantia de gua industrial e incentivo fiscal por dez anos. Em 2008, a Fiat anuncia que a fbrica de Betim ser a maior unidade do grupo em todo o mundo e tem grande impacto na indstria eletroeletrnica mineira e no setor de autopeas. A industrializao avana em todo o territrio mineiro no Governo Rondon Pacheco, com polos fortes na Regio Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), no Sul de Minas e no Tringulo. 
O processo acelerado de urbanizao, em direo  RMBH e s grandes cidades, provoca mudana significativa no perfil da ocupao espacial do Estado. Na dcada de 80, em torno de 75% da populao encontrava-se nas cidades. Em 2009, Minas tem populao de 19,6 milhes de habitantes. A RMBH, que compreende 6,9% do territrio estadual, abrange 34 municpios em 2009, com populao de 5,4 milhes de pessoas, aproximadamente 25% do total do Estado. E o grau de urbanizao da populao mineira era de 84,9%. Em 2020, a populao estimada pelo IBGE  de 21.292.666 pessoas. Belo Horizonte tem 2.550 mil habitantes em 2019 (PIB Municipal, PMBH, 2019), j com seu territrio, de 331 km, retirado de Sabar, quase todo edificado. Capital, sede do governo estadual, centraliza uma rea Metropolitana de 34 municpios, com populao total prxima de seis milhes de habitantes. Economicamente, Belo Horizonte se consolida nesta segunda dcada do sculo XXI como uma cidade da Economia Criativa. 
A grande dependncia dos setores extrativo mineral e metalrgico, com predominncia do ramo siderrgico, ainda  hoje o perfil dominante da economia mineira. Em razo deste seu rico solo mineral, Minas ainda , em grande parte, fornecedora de matrias-primas para outros Estados e outros pases, com algumas excees setoriais. A indstria eletroeletrnica desenvolveu-se, demandada, sobretudo, pela Cemig e pelo setor automotivo, mas permanece bastante dependente de So Paulo. A indstria de montagem automotiva, representada pela Fiat, em Betim, e a Mercedes-Benz, em Juiz de Fora, ainda demanda em torno de 40% do parque de autopeas localizado em outros Estados. Expandiu-se o agronegcio em regies vocacionadas, mas ainda no explorando devidamente o imenso potencial mineiro. O ouro proclama a riqueza. Mas os mineradores continuaram pobres, j dizia Sylvio Vasconcelos sobre Minas Gerais. 
Aps Rondon Pacheco, ocupou o Governo de Minas Antnio Aureliano Chaves de Mendona, tambm pela via indireta, indicado pelo regime militar. Nascido em Trs Pontas, engenheiro e professor universitrio, formado em eletromecnica em Itajub, parlamentar estadual e federal, secretrio de Estado vrias vezes e ministro de Estado, tambm era udenista de origem. Especialista em energia, conhecedor da economia mineira, tipicamente mineiro, de vida pessoal simples e austera, tambm fazendeiro, Aureliano deu prosseguimento ao esforo do Estado pelo desenvolvimento industrial, elaborando o II Plano Mineiro de Desenvolvimento Econmico e Social. Apoiou a consolidao da Fiat, a expanso da Usiminas e iniciou a implantao da Aominas, em Ouro Branco. A economia mineira crescia em taxa elevada. O Produto Interno Bruto (PIB) estadual alcanou 11,1% do nacional, contra 9% em 1976. 
Aureliano criou a Secretaria de Estado de Cincia e Tecnologia e a Comisso de Poltica Ambiental. Embora politicamente conservador, era legalista e liberal nas relaes polticas. Dizia que ns mineiros, no somos tmidos. Somos prudentes. A timidez  a incapacidade de tomar decises. A prudncia decide na hora certa. Aliou-se com a ala nacionalista e mais liberal dos militares, liderada pelo general Ernesto Geisel. Em 1968, na Cmara Federal, votou contra a licena solicitada pelo governo militar para processar o deputado Mrcio Moreira, episdio que desencadeou o Ato Institucional n 5, instrumento que suprimiu direitos bsicos e implantou o regime ditatorial absoluto mais radical, desde o golpe de 1964. Deu novo exemplo de independncia ao ser o orador na homenagem ao deputado Djalma Marinho, afastado da Comisso de Justia da Cmara por ser contra o processo de cassao. Permaneceu no governo de Minas por apenas trs anos, de 1975 a 1977, quando foi convocado para a Vice-Presidncia da Repblica pelo general Joo Baptista de Figueiredo, cargo que desempenhou de maro de 1979 a maro de 1985. Ocupou vrias vezes a Presidncia da Repblica. Exerceu papel poltico importante no processo de abertura poltica do regime. Apoiou o movimento pelas eleies diretas. Chegou a ser lembrado, pelo PDS, para a Presidncia. Seu vice, Ozanan Coelho, de Ub, do velho PSD, assumiu o Governo do Estado de julho de 1978 a maro de 1979. 
Foi sucedido por Francelino Pereira dos Santos, tambm da antiga UDN, que ocupou o Palcio da Liberdade entre 1979 a 1983, o ltimo a ser indicado pelo regime militar, com o referendo da Assembleia Legislativa do Estado. Nascido em 1921, em Angical, no Piau, veio aos 22 anos para Belo Horizonte. Formou-se em Direito pela ento Universidade de Minas Gerais, depois UFMG, participou do movimento estudantil e da fundao da UDN em 1943, quando conviveu com os principais nomes do partido. Foi vereador de 1951 a 1955 e autor do projeto de criao do Imaco, escola tcnica da Prefeitura que se instalou no Parque Municipal. Participou do governo de Magalhes Pinto e foi procurador municipal na administrao do prefeito Osvaldo Pierucetti. Tornou-se deputado federal por Minas, com quatro mandatos consecutivos, de 1963 a 1979. Em 1994, elegeu-se para o Senado, funo que ocupou at 2003. Foi dirigente partidrio, presidente da Arena, agremiao de apoio aos governos militares, mas manteve-se sempre como homem de dilogo, de vida pessoal simples. Realizou governo voltado para o desenvolvimento do Estado. Eletrificou o Vale do Jequitinhonha e, em seu governo, foi construdo o Aeroporto de Confins e implantada a Aominas. Sua gesto coincidiu com perodo de grande concentrao econmica e decisria no governo federal, que impunha restries e prioridades, exigindo solidariedade aos chamados objetivos nacionais. 
Por sugesto do seu secretrio de Planejamento, Paulo Haddad, Francelino adotou o planejamento para a negociao, junto com o planejamento participativo, o primeiro como estratgia de busca de apoio e recursos junto ao governo federal, e o segundo como canal de negociao entre o Estado e a sociedade civil, amenizando a dissociao entre a populao e o regime militar concentrador. Adotou o programa Cidades-Dique, representado por 16 cidades de porte mdio que deveriam conter a exploso populacional da rea Metropolitana de Belo Horizonte. Implantou, com o prefeito indicado de BH, Maurcio Campos, o Parque das Mangabeiras e tambm o Minascentro, destinado a receber eventos. Nas comemoraes do Centenrio de BH, sugeriu a transformao da Praa da Liberdade em um centro cultural, projeto em implantao nos anos de 2009 e 2010. 
Com o retorno s eleies diretas nos Estados, em 1982 foi eleito Tancredo de Almeida Neves, de So Joo del-Rei, que tomou posse a 15 de maro de 1983 e permaneceu no cargo at 14 de agosto de 1984, quando deixou o governo para disputar a eleio, ainda indireta, para a Presidncia da Repblica. Deputado por vrias legislaturas, senador, fora ministro da Justia de Vargas e primeiro-ministro do regime parlamentarista implantado no Brasil em 1960, quando assumiu o governo o vice-presidente Joo Goulart, aps a renncia de Jnio Quadros. Nos seus dois anos  frente do governo mineiro, dedicou-se a costurar o processo poltico para a transio do regime militar. 
Transformou a antiga Coordenadoria de Cultura em Secretaria de Estado de Cultura, entregue ao deputado Jos Aparecido de Oliveira, que atuou intensamente na transio poltica e na campanha pelas Diretas J nos anos de 1983 e 1984. Aparecido, que fora cassado pelos militares logo aps o golpe de 1964, mobilizou polticos, artistas, jornalistas, expoentes da cultura brasileira pela redemocratizao liderada por Tancredo Neves. E foi o primeiro ministro da Cultura, j no governo de Jos Sarney, e tambm governador do Distrito Federal. Aparecido implantou a TV Minas, modernizou a Rdio Inconfidncia, restaurou o Santurio do Caraa, ativou o dilogo com todas as classes culturais mineiras e brasileiras. Experiente, homem do dilogo e da conciliao, formado no antigo PSD e um dos criadores do MDB (Movimento Democrtico Brasileiro), partido de oposio consentida pelos militares, Tancredo Neves montou em Minas governo ecltico, com todos os partidos polticos, capacitando-se a liderar a famosa campanha pelas eleies diretas e pelo retorno ao regime democrtico, que ocupou ruas e praas do Brasil com manifestaes de intensa participao popular. O deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT) apresentara projeto de lei restabelecendo as eleies diretas para a Presidncia da Repblica, desencadeando ampla campanha por sua aprovao denominada Diretas-J. Eleito presidente da Repblica pelo Congresso Nacional, j que fora derrotado projeto das diretas, Tancredo declarou-se enfermo 24 horas antes da posse, assumindo o vice Jos Sarney. Faleceu no dia 21 de abril de 1984. 
O vice de Tancredo, Hlio Carvalho Garcia, assumiu o Governo de Minas a 14 de agosto de 1984, permanecendo at 15 de maro de 1987. Em 1981, fora nomeado prefeito de Belo Horizonte indicado pelo prprio Tancredo, cargo em que se manteve por quase dois anos. Antigo udenista, nascido em Santo Antnio do Amparo em 1931, advogado pela UFMG, marcou-se como conciliador e convivente. Deputado estadual em 1962, pela antiga UDN, foi lder de Magalhes Pinto na Assembleia. Deputado federal em 1971, integrou tambm o PDS e a Arena, partidos governistas, e, com o fim do bipartidarismo, em 1979, foi um dos fundadores do PP (Partido Progressista), criado justamente para permitir a transio do regime militar, que j se prenunciava. 
Presidiu a Caixa Econmica do Estado de Minas Gerais (Minascaixa) no Governo Aureliano Chaves, liquidada extrajudicialmente durante o Governo Collor, em 1990.
Hlio Garcia apoiou Newton Cardoso (1987 a 91) para seu sucessor, seguindo-se perodo conturbado na gesto pblica e na poltica mineira, com questionamentos e denncias. Nascido em Brumado, na Bahia, em maio de 1938, veio para Belo Horizonte aos 15 anos para trabalhar na Magnesita, que possua fbricas na Bahia e em Contagem. Foi por trs vezes prefeito de Contagem, em 1972, em 1982 e em 1997. Foi eleito deputado federal em 1979 e, em 1995. Mais tarde tornou-se vice-governador no governo de Itamar Franco.
Hlio Garcia reelegeu-se novamente, para o perodo 1991 a 1995, realizando governo de conciliao, sem grandes realizaes, em meio a uma crise financeira que no permitia ao Estado investimentos bsicos ou indutores de desenvolvimento. Foi sucedido por Eduardo Brando Azeredo (1995 a 1998). Azeredo, filiado ao PSDB, vinha da Prefeitura de Belo Horizonte, onde assumiu por dois anos (de abril de 1990 a dezembro de 1992) na condio de vice do prefeito Pimenta da Veiga, que deixara o cargo para se candidatar ao Governo do Estado. Criou a Lei Estadual de Incentivo  Cultura, a Lei Robin Wood e realizou a primeira etapa do Expominas. Elegeu-se senador em 2003.
O engenheiro Itamar Augusto Cautiero Franco, de Juiz de Fora, governou Minas Gerais de 1999 a 2003, exatos quatro anos depois de deixar a Presidncia da Repblica, que assumira a 2 de outubro de 1992, ocupando-a por dois anos, com o impedimento de Fernando Collor de Mello. Deixou a Presidncia com ampla aprovao popular. Prefeito de Juiz de Fora em dois mandatos, filiado inicialmente ao PTB e depois ao MDB, sempre em oposio ao regime militar, elegeu-se para o Senado em 1974 e 1982. Itamar lanou o Plano Real a 30 de junho de 1994. Foi embaixador do Brasil em Portugal. No Governo de Minas, realizou gesto de conteno financeira e austeridade administrativa. Chegou a decretar uma moratria, alegando incapacidade de pagamento do Estado, pelo que foi penalizado pelo Governo Federal com sucessivos cortes de receitas devidas a Minas. Itamar tambm interrompeu o processo de privatizao da Cemig, iniciado por seu antecessor, que j havido vendido cerca de 30% do seu capital acionrio a um consrcio norte-americano. E com aes ousadas, com uso da Polcia Militar, impediu a privatizao de Furnas, que havia sido includa por Fernando Henrique no Programa Nacional de Desestatizao.
Itamar teve atuao decisiva na eleio do seu sucessor, o ento deputado federal Acio Neves, que reelegeu-se para um novo perodo. Foi seguido por Antnio Anastasia, que fora seu vice-governador e secretrio de Planejamento. Construiu uma segunda etapa do Expominas e a Cidade Administrativa no bairro Serra Verde, regio Norte de Belo Horizonte, com a transformao da Praa da Liberdade em centro turstico-cultural. Em 2020, por ao da Secretaria de Estado da Cultura e Turismo, passou a ser o Circuito Cultural Praa da Liberdade, com aes e abrangncia ampliadas. Valorizou ainda regio norte de BH com a Linha Verde e a ativao do Aeroporto de Confins, que realiza programa de expanso em 2010. Elegeram-se governadores do Estado posteriormente Fernando Pimentel, do PT, de Belo Horizonte, e Romeu Zema, de Arax, do Partido Novo. 
Alteram-se, como  natural, com a evoluo histrica, alguns traos e paradigmas da Minas colonial. H, na paisagem urbana mineira, o fenmeno bastante recente do veloz crescimento de vrios municpios, muitos ultrapassando os 100 mil habitantes. Mas o municipalismo e o ruralismo, assim como outros traos herdados dos primeiros tempos, no sculo XVIII, ainda se encontram preservados em vrias regies, cidades e arraiais mineiros. Hoje, tanto quanto se consolidou a preocupao com a proteo ambiental  agora alada a conscincia planetria  amplia-se igualmente a conscincia em torno da imperiosa necessidade de preservao dos valores, tradies e prticas culturais. De resto, como resistncia  globalizao, valorizam-se os atrativos locais singulares ou exemplares, devidamente preservados.
Cabe salientar, em registro final, que aps quatro anos seguidos de queda do PIB a partir de 2014,a economia de Minas dever acumular quatro dcadas de baixo crescimento. Minas chega, ao final da segunda dcada do sculo XXI, com o PIB per capita ainda 10% inferior ao PIB per capita brasileiro (A economia de Minas: quatro dcadas de baixo crescimento, Paulo Haddad, em Estudos de Belo Horizonte e Minas Gerais, BDMG Cultural, 2018). Acrescenta Haddad que Minas precisa vivenciar um novo ciclo de grande transformao. E aponta, como questo grave, a dualidade espacial de Minas. Do ponto de vista do seu desenvolvimento econmico podemos distinguir duas Minas: Dos 853 municpios do Estado, 491 tinham PIB per capta inferior  metade do PIB per capta brasileiro em 2011. Quase todos municpios do Norte de Minas, no Vale do Jequitinhonha, no Vale do Mucuri, algumas microrregionais do Vale do Rio Doce e da Zona da Mata. E acrescenta: Esses bolses regionais de subdesenvolvimento e de pobreza se contrapem  prosperidade econmica e ao progresso social das reas do Tringulo Mineiro, do Sul de Minas, do Alto Paranaba, do Noroeste e da rea Central de Minas.
