Do ouro ao ferro, ciclos de explorao mineral
Minas Gerais deve sua origem, sua formao e seu nome, como tambm grande parte de sua economia, at os nossos dias, s suas riquezas minerais. Mas persiste entre os economistas e os historiadores a opinio de que o Estado, pela riqueza de seu solo mineral, poderia j ter alcanado estgio superior de desenvolvimento socioeconmico se estas riquezas, ao longo dos trs sculos de ocupao do seu territrio, resultassem em uma maior retribuio por sua explorao.  reconhecida a importncia da minerao para o mundo contemporneo, mas  tambm fundamental lembrar que precisa evoluir nos seus impactos humanos, ambientais e sociais, como  ressaltado internacionalmente.
A minerao  finita, deixa impactos s vezes perenes no meio ambiente e, durante sua atividade, gera vrios transtornos de natureza social nos seus locais de explorao e, ate quatro anos, o royalty pela explorao mineral, devida aos municpios, era baixo. Aspecto mais grave, e dramtico, nos nossos dias,  revelado hoje, em Minas Gerais, pelas muitas as barragens de rejeitos, vrias com riscos de rompimento, que j provocaram perdas de vidas e imensa deteriorao ambiental, como revelam os rompimentos de Mariana, da Samarco, e do Crrego do Feijo, em Brumadinho, ambas empresas da Vale. 
O Ciclo do Ouro, mesmo com a condio colonial e a espoliao portuguesa/inglesa, o excedente econmico permitido legou-nos as cidades histricas e um acervo patrimonial e artstico excepcional. O Ciclo do Minrio de Ferro, embora com outras condies econmicas, no difere muito quanto a no produzir maiores riquezas de natureza econmica nas regies da minerao, com melhoria das condies de vida das populaes das cidades. Vrias cidades mineradoras, de vastas regies, inserem-se plenamente nestes ciclos e oferecem, com sua histria, uma frtil narrativa sobre os ciclos de espoliao mineral de Minas Gerais e as rebeldias, lutas e resistncias dos mineiros.
A febril busca pelo ouro, como tambm a vital necessidade de encontrar terras mais frteis para a sustentao alimentar, levaram a uma rpida ocupao territorial. Em cada regio promissora na minerao fixava-se um povoado, assim como multiplicaram-se os caminhos que interligavam as zonas de minerao e os arraiais que iam surgindo, formando-se, em breve tempo, uma rede urbana tambm pioneira no Brasil. Francisco Iglesias, em Trajetria Poltica do Brasil, de 1992, diz que nenhuma outra Capitania teve desenvolvimento to rpido: a populao cresceu, os ncleos urbanos se instalam e se multiplicam, de modo a caracterizar a capitania como uma unidade de precoce urbanizao e industrializao.
Na Histria do Brasil, o sculo XVIII  preponderantemente mineiro, com o Ciclo do Ouro. O veloz deslocamento populacional para a regio das minas e a rpida formao de uma rede urbana, com todos os elementos propcios ao estabelecimento de uma nova sociedade, permitir que adquira personalidade prpria quanto  organizao da vida cidad, propiciando ainda o surgimento de um frtil movimento cultural. A Capitania de Minas Gerais ser um novo momento econmico, poltico e cultural no Brasil-colnia provocar a transferncia, em 1763, da capital da Colnia de Salvador, na Bahia, para o Rio de Janeiro, facilitando a comunicao e o controle das minas e sua produo, bem como o escoamento do ouro.
Durante todo o sculo XVIII, a Capitania das Minas do Ouro fornecer a riqueza que permitir a Portugal vencer, por quase meio sculo, sua crnica insuficincia financeira, como tambm fortalecer economicamente a Inglaterra, sua principal parceira comercial, mas exigir ateno e cuidados constantes da gesto colonial, seja para manter a extrao do metal e do diamante, para cobrar impostos ou para sufocar constantes rebelies. A leitura contempornea do perodo, com a viso historiogrfica revisionista, enfatiza o enfoque poltico e econmico que nos mostra que  a minerao do ouro que provoca a ocupao do territrio e tambm o primeiro ciclo espoliativo de Minas Gerais.
Em 1707, com a morte de Dom Pedro II (1683-1706) sobe ao trono portugus Dom Joo V, que governar at 1750. Ser o perodo em que Portugal, com o ouro de Minas, viver perodo de maior estabilidade financeira e alguma prosperidade, de construes e festas. Livro de Lucas Figueiredo, Boa ventura  a corrida do ouro no Brasil (1697-1810) (Record/2011),  uma intensa pesquisa sobre a retirada do ouro e diamante de Minas e seu impacto nas economias de Portugal e Inglaterra. Para Figueiredo, que realizou minucioso estudo sobre o perodo, enquanto no final do reinado de Dom Pedro II a Colnia havia rendido 1,4 tonelada de ouro por ano, j no incio do perodo de Dom Joo V esse volume triplicou, passando a 4,4 toneladas. E isto era apenas o incio. Um longo e ascendente ciclo de riqueza, poucas vezes visto na Europa, estava comeando em Portugal.
Tanto quanto so fartos os textos e publicaes sobre a atividade extrativista de ouro e diamantes de Minas so tambm discordantes as estimativas que tentam calcular o montante da produo. E tudo indica que nunca se chegar a um consenso mnimo sobre valores extrados nos sculos XVIII e XIX. Em geral, os clculos tm como base a quantidade tributada, ou seja, o ouro arrecadado pelo imposto do quinto. O mtodo  precrio para se alcanar as reais quantidades produzidas em razo do contnuo contrabando e a fuga generalizada dos mineradores do fisco. Igualmente incerto era o clculo do ouro retirado por escravos, sobre o qual incidiu, por algum tempo, a tributao. Alm disto, os registros, mesmo os contidos nas correspondncias diplomticas, eram frgeis e pouco precisos, alm de vrios livros terem se perdido ao longo do tempo.  ampla, no entanto, a concordncia, entre os historiadores de que o ouro e o diamante mineiros tiveram grande impacto nas economias portuguesa e inglesa.
Wihelm Ludwig von Eschwege (1777/1855), o Baro de Eschwege, que ostentava os ttulos de Coronel dos Reais Engenheiros de Portugal e Intendente Geral das Minas, mineralogista alemo que prestou servios a Portugal de 1802 a 1829, veio para o Brasil a convite de Dom Joo VI para pesquisar riquezas minerais, especialmente o ouro e pedras preciosas, e incentivar a nascente indstria siderrgica. Chegou em Vila Rica em 1811 onde ficou at 1821, dedicando-se a intensas pesquisas e iniciativas para a extrao de ouro e a produo de ferro. Foi proprietrio da Mina da Passagem e realizou pesquisas em toda a regio prxima de Ouro Preto. Em 1833, j na Europa, publicou Pluto Brasiliensis, at hoje uma referncia para a questo mineral mineira, em que afirma que a exausto precoce da produo de ouro se deve a tcnicas atrasadas de extrao. Em geral, retirou-se o ouro aluvional, com a garimpagem nos leitos dos rios e crregos, a instalao de mundeos nos morros para carreamento e separao da lama aurfera, e com as betas e perfuraes de minas, mas com instrumentos inadequados, com o uso do brao humano escravo. A autoridade colonial portuguesa pouco ou nada interessou-se pela adoo de novas tcnicas de explorao, limitando-se a justificar a queda na produo ao contrabando e aos extravios, para o que s tinham como meios a represso e a fiscalizao.
A verso hoje aceita pelos historiadores  que a corte de Dom Joo V (1707 a 1750), inebriada pela riqueza fcil, entregou-se a aes de dissipao com obras de ostentao e afirmao de reputao mas pouco investiu na modernizao da atividade extrativa na Capitania da Minas do Ouro, como tambm muito pouco evoluiu a administrao portuguesa em outros controles da atividade. Dom Joo V, como registra a prpria Histria de Portugal, com a riqueza fcil, que pareceria no ter fim, tornou-se um dos monarcas ricos da Europa e, dizia-se, tentava imitar o fausto e a criatividade de Lus XIV, o Rei Sol, e Lus XV, o Bem-Amado, monarcas franceses no auge do Absolutismo. Com o ouro de Minas Dom Joo V construiu o Convento de Mafra, o Palcio das Necessidades, sustentou os gastos de uma corte parasitria e suas festas. O ouro de Minas pagou tambm grande parte da reconstruo de Lisboa aps o terremoto de 1755. Para obter os ttulos de Patriarca de Lisboa e de Fidelssimo, pagou  Cria Romana fortuna em ouro, diamantes e dinheiro, at hoje motivo de discusso e controvrsias entre historiadores portugueses. 
Ao final do perodo de Dom Joo V, Portugal voltara a uma situao de dificuldades financeiras. Com sua morte assume o trono seu filho, Dom Jos I, inepto e sem vocao para o governo, chamado de o Rei Sombra. E o marqus de Pombal, Sebastio Jos de Carvalho e Melo, primeiro-ministro de Dom Jos I, no perodo de 1750 a 1777, reformador e reorganizador do governo portugus, no conseguiu recuperar a produo, em curva descendente, com novas tcnicas de extrao. Roberto Simonsen, no clssico Histria Econmica do Brasil, diz que entre 1700 e 1770 a produo de ouro no Brasil foi praticamente igual a toda a produo de ouro do resto da Amrica verificada entre 1493 e 1850 e alcanou cerca de 50% do que o resto do mundo produziu nos sculos XVI, XVII e XVIII.
O prprio Eschwege considera inseguras as estatsticas sobre a produo de ouro no sculo XVIII. Os nmeros, como advertem quase todos os autores que se debruaram sobre a questo, so incertos e inseguros e decorrem de clculos aproximados. Numa sntese apurada entre os diversos autores que abordaram o tema, Lucas Figueiredo (obra citada) traz o seguinte resumo: Virglio Noya Pinto, em O ouro brasileiro e o comrcio anglo-portugus(Brasiliana, 1929), autor do mais fidedigno estudo sobre a produo de ouro de Minas, referncia para outros historiadores, diz que ela atingiu 874 toneladas no perodo de 1696 a 1800, embora advirta que seu clculo  conservador. J Eschwege fala em 740 toneladas, Pandi Calgeras em 1.048 toneladas, Roberto Simonsen em 1.200 toneladas. Adolf Soetheer, historiador pioneiro no clculo da produo internacional de ouro, afirma que no perodo de 1493 a 1520 a quantidade mundial extrada ficava em torno de 5,8 toneladas por ano, o que permite, por comparao, avaliar o extraordinrio volume da produo mineira.
Em 1703, Portugal celebra com a Inglaterra o famoso Tratado de Methuen, nome do hbil diplomata e negociador ingls John Methuen, que exerceu grande influncia junto  Corte Portuguesa e que elaborou e obteve a aprovao deste contrato, extremamente danoso a Portugal. Enviado a Lisboa, em 1702, j certamente em razo do interesse ingls no ouro recm-descoberto no Brasil, Methuen conquistou a confiana da Corte Portuguesa e influiu decisivamente em vrios negcios, inclusive em posicionamentos com relao  Frana e  Espanha. Este Tratado definia as relaes de dependncia e subordinao de Portugal  Inglaterra e , no seu pleno contedo, um diploma mercantilista, estipulando as relaes de trocas comerciais de exportao e importao de produtos dos dois pases.
O Tratado rezava que o dbito portugus, que sempre manteria sua balana de pagamentos negativa, seria pago com ouro. E Portugal, alm da notria insuficincia de produtos alimentcios e utenslios diversos, com uma economia frgil e um governo entre perdulrio e pouco empreendedor, ainda tinha grande subordinao  Inglaterra, nas relaes polticas e jogos diplomticos. A rigor para a Inglaterra, a exportao portuguesa era quase limitada aos vinhos, no havendo limites para a produo industrial inglesa, em crescente desenvolvimento. Hoje, a viso de historiadores portugueses  que o Tratado de Methuen era astucioso e foi um eficiente mecanismo pelo qual a Inglaterra se apropriou do ouro vindo de Minas Gerais. E pode iniciar a primeira Revoluo Industrial. Estas relaes constituem um novo elemento na histria da espoliao mineral de Minas Gerais.
Rodrigo de Souza Coutinho, Conde de Linhares (1745-1812), em discurso de 1789, resume bem as consequncias do Tratado: O reinado de D. Pedro, poca em que se descobriram as grandes minas do Brasil, foi tambm o do Tratado de Methuen, o qual destruindo todas as manufaturas do reino, e fazendo cair todo o nosso comrcio nas mos de uma nao aliada e poderosa, ficou contra ns a banca de comrcio em tal maneira, que o imenso produto das minas foi limitado para sald-la. As minas retardaram por algum tempo os efeitos daquele desigual Tratado, e foram contudo renegadas, quando principiou a conhecer-se a runa da indstria nacional. No reinado de D. Joo V produziram aquela aparente riqueza, que no sendo fundada na indstria, e diminuindo continuamente por uma balana muito ruinosa, veio enfim desvanecer-se. A pouca justia com que se criminalizaram as minas foi bem conhecida no reinado de Dom Jos I, de saudosa memria, que procura remediar  sombra do Tratado de Methuen tanto dano da nao, e que era o verdadeiro motivo da nossa decadncia. O ouro mineiro financiou a evoluo industrial inglesa, especialmente o desenvolvimento das indstrias de tecidos, alimentos e ferragens. A dependncia s se reduzir com o Marques de Pombal e sob o impacto da reconstruo de Lisboa, aps o terremoto de 1755. Uma minuciosa anlise do Tratado de Methuen e suas repercusses em Portugal est em Minas do ouro e do Barroco - Adam Smith e o Ouro de Minas Gerais, do livro O Tratado de Methuen, do professor Washington Peluso Albino.
A partir de 1727, descobre-se o diamante na regio do Serro do Frio e do Tijuco, hoje Diamantina. A descoberta abre uma nova e valiosa fonte de riqueza para Portugal e ir expandir a ocupao da regio, em geral inspita para as atividades agrcolas, mas atraindo populao. Estima-se em cerca de 750 quilos de diamantes o total da produo em todo o sculo XVIII. Em 1734, para proteger a explorao e garantir sua participao, a Coroa Portuguesa cria o Distrito Diamantino e a Intendncia dos Diamantes no Arraial do Tijuco, diretamente ligadas ao governo em Portugal. A descoberta atrai muitos aventureiros e a Coroa, a partir de 1745, estabelece uma demarcao, procurando impedir o livre acesso  regio dos diamantes. Fronteiras e registros so criados, onde se cobravam autorizaes e tambm direitos de fornecimento de alimentos.
Durante todo o sculo XVIII, Portugal experimentar vrios regimes de contratos e de fiscalizao da extrao e exportao dos diamantes. At 1740 vigorou o regime da Livre Extrao, seguido pelo de Contratos que permaneceu at 1771, j na poca pombalina, quando foi estabelecido o monoplio rgio, com rgidas normas contidas num novo Regimento Diamantino, que ficou conhecido como o Livro da Capa Verde. Criou-se uma administrao prpria, a Junta Diamantina, tambm subordinada a Lisboa. Controles rgidos foram adotados, com normas de entrada e sada da regio, prises e fiscalizao administrativa, constituindo o mais desptico regime de toda a gesto colonial portuguesa. Mas mesmo com estes procedimentos e os diferentes tipos de controle, sempre houve contrabando, roubo e gesto corrupta, sem que Portugal soubesse tambm administrar os preos do diamante no mercado internacional. O regime especial durou at a primeira dcada do sculo XIX, mais precisamente 1808, com a presena de Dom Joo VI no Brasil, quando ocorre o esgotamento do diamante, a populao passa a exercer presso pela liberao, enfraquece-se o controle administrativo da extrao, aumenta o contrabando e busca-se uma economia alternativa para a regio, empobrecida.
Mas foi esta situao excepcional, fechada e autoritria, que produziu em Diamantina uma sociedade um tanto diferenciada das demais cidades. Mas gerou patrimnio cultural, bastante preservado, e que tornou-se Patrimnio Cultural da Humanidade, ttulo concedido pela Unesco, em 1999. A excelente pesquisa da historiadora Jnia Furtado, O Livro da Capa Verde  O Regimento Diamantino de 1771 e a vida no distrito diamantino no perodo da Real Extrao, de 2008,  um minucioso e competente relato histrico do perodo. Memria do Distrito Diamantino, de Joaquim Felcio dos Santos, de 1894,  um clssico sobre a regio da Comarca do Serro do Frio, incluindo Diamantina, origem, desenvolvimento e a extrao do diamante. A extrao do diamante, e de outras pedras preciosas, desde ento alcanou extensas regies do Norte-Nordeste de Minas, onde os gelogos registram a existncia de uma das mais ricas formaes pigmatticas do mundo, at hoje em franca explorao, sem que os governos federal e estadual tenham at hoje conseguido real controle fiscal da atividade, ainda marcada pelo garimpo predatrio que, assim como outras atividades minerrias, no deixa riquezas para as populaes das reas exploradas.
Captulo ilustrativo da espoliao mineral de Minas Gerais e seus aspectos econmicos, sociais e humanos,  revelado pela dominante presena dos capitais ingleses na explorao do ouro, at hoje muito pouco estudado e desvendado. A Inglaterra, tradicional aliada de Portugal, soube aproveitar a abertura dos portos e o comrcio internacional determinado por Dom Joo VI a partir de 1808. Dom Joo VI chegou ao Brasil sob proteo da esquadra inglesa, fugindo da invaso napolenica, cujas tropas j se encontravam em territrio portugus. Por contingncias estratgicas, que levavam a alinhamentos diplomticos, Portugal aliou-se  Inglaterra como defesa contra vizinhos sempre perigosos  autonomia da nao. Portugal ficou incorporado  Espanha de 1580 a 1640. Mas sempre temeu o poderio francs. A Espanha levou quase 50 anos para reconhecer a Restaurao portuguesa. A Holanda, expulsa do Brasil, recusou-se a fazer as pazes e ameaava os domnios portugueses na frica e sia. Vivendo perodo de extrema fraqueza, econmica e diplomtica, Portugal viu no comrcio a nica forma de equilibrar-se economicamente e foi obrigado a tomar uma deciso, em nome da segurana nacional e do domnio poltico de suas colnias, especialmente o Brasil, o mais rico: alienou sua autonomia econmica e condenou-se, por longo tempo, a ser vassalo da Inglaterra, situao que teve grandes repercusses no Brasil.
Em acordos firmados em 1642, 1654 e 1661, sob os quais existe ampla documentao histrica, os comerciantes ingleses j vinham obtendo excepcionais privilgios: extensa jurisdio extraterritorial, liberdade de comrcio com as colnias, controle sobre as tarifas que as mercadorias importadas da Inglaterra deveriam pagar, presena de agentes ingleses em todas as possesses portuguesas. Em troca, a esquadra inglesa comprometia-se a defender as colnias portuguesas de qualquer invaso estrangeira. As relaes especiais estabelecidas com a Inglaterra  antecipao em vrios aspectos da dominao do imperialismo contemporneo sobre as naes frgeis e de elites equivocadas  vo explicar por que o ouro e os dimanantes das minas brasileiras, no sculo XVIII, ficaram aqui em muito pequena parte e em Portugal pouco tambm, indo somar-se  correnteza do industrialismo britnico (Os grandes enigmas da nossa histria, Nilson Lage, 1981). E conclui: Ficou evidente porque o motivo pelo qual o movimento constitucionalista do Porto (1821) articulou-se no exlio londrino e respeitou os privilgios ingleses.
Os poderosos interesses econmicos ingleses, fortalecidos pelo Tratado de 1703, costurado por John Methuen, gozavam de privilgios especiais, obtidos por uma srie de acordos concludos durante a metade do sculo anterior (Preeminncia inglesa no Brasil, Alan K. Manchester, Brasiliense, 1933). O Tratado de 1703, obtido pelo diplomata John Methuen, consegue que Portugal aceite uma Grande Aliana, com contedo defensivo e ofensivo, em que os portos portugueses, incluindo o Brasil, ofereciam base para a armada inglesa em operaes no Mediterrneo e no Atlntico Sul. Os acordos comerciais, contidos no Tratado, iniciaram um perodo promissor para as relaes anglo-portuguesas, perodo em que o ouro de Minas Gerais ter peso facilitador no sentido de permitir a Portugal adquirir produtos industrializados ingleses, e vender suas mercadorias, em especial os vinhos. Diz Alan K. Manchester que na verdade, no comeo do sculo XVIII, todo o comrcio de transporte de Portugal era praticamente feito atravs dos ingleses, em vista do amplo comrcio entre Lisboa e suas colnias, um negcio lucrativo para os britnicos. Com base em extensa pesquisa histrica e documental, o livro Boa ventura  A corrida do ouro no Brasil (1697/1810), do jornalista e escritor Lucas Figueiredo, diz que pobre em metais preciosos e com um limitado estoque de mo de obra, Portugal padecia de um mal ainda pior: a nobreza desmerecia qualquer espcie de trabalho braal. Tal quadro ensejou, ainda segundo o autor, mais de um sculo de administraes perdulrias e financeiramente incompetentes. A dominao inglesa, segundo a viso contempornea dos que estudam a trajetria econmica portuguesa, impediu a industrializao do pas que, quando se deu a famosa Revoluo do Cravo Vermelho, em 1974, que removeu os resqucios da poca salazarista, no tinha parque industrial mesmo para a fabricao de produtos elementares. 
Aps a Independncia, a Constituio de 1824, outorgada por Dom Pedro I, autorizou o ingresso de capitais estrangeiros na minerao, permitindo solicitaes de empresas inglesas para se instalarem em Minas Gerais. Antes, em agosto de 1817, Dom Joo VI props a criao de sociedades de minerao com o objetivo de reverter a decadncia das minas. E nomeou o Baro de Eschwege inspetor das sociedades que se organizassem em Minas, com o objetivo de incentivar os proprietrios de lavras a prticas mais modernas na extrao do ouro. 
A primeira companhia inglesa a instalar-se em Minas Gerais foi a Imperial Brazilian Mining Association, em 1824, que comea a explorar as minas de ouro de Cata Preta, perto do Inficcionado (hoje Santa Rita Duro), Congo Soco, perto de Caet, em Antnio Pereira, distrito de Ouro Preto, e Serra do Socorro em 1826, prxima de Congo Soco. Foi organizada por um ingls, Edward Oxenford, que residiu em Vila Rica e que conhecia bem as potencialidades minerais da regio. A mina do Congo Soco revelou-se como a mais frtil e j vinha sendo explorada, desde 1808, por vrios proprietrios e, especialmente, por Joo Batista Ferreira de Souza Coutinho, que mais tarde se tornou o Baro de Catas Altas. A empresa inglesa funcionou at 1856. 
Em seu O ouro em Minas Gerais, publicado em 1894, Paul Ferrand, professor da Escola de Minas, trazido por Henri Gorceix da Escola de Minas de Paris, faz detalhada descrio dos vrios aspectos e momentos da empresa bem como de todos os empreendimentos ingleses em Minas Gerais. Por sua importncia como empreendimentos minerrios, por suas longas e singulares histrias e por refletirem de maneira circunstanciada todos os aspectos dos empreendimentos ingleses em Minas, merecem maiores comentrios as Minas de Morro Velho e de Passagem. Em 1830 fundou-se em Londres a Saint John Del-Rey Mining Company Limited, que comeou a explorar ouro na Serra do Lenheiro, em So Joo del-Rei. Em 1834, devido a resultados insatisfatrios, esta empresa adquire a antiga mina de Morro Velho, em Nova Lima, que pertencia a George Francis Lyon, superintendente da Mina de Congo Soco, em Baro de Cocais. A empresa inglesa explorou Morro Velho at 1960, quando a vendeu a uma empresa de Cleveland, Ohio, EUA, a Hanna Mining Company, iniciando a fase do capitalismo americano em Nova Lima.
A histria da Mina de Morro Velho, as lutas operrias e polticas por melhores condies de trabalho, jornadas, salrios, taxa de insalubridade e assistncia mdica, que marcaram tragicamente sua trajetria,  contada por Yonne de Souza Grossi, no livro Mina de Morro Velho  a extrao do homem, de 1981, tese de mestrado na UFMG, com prefcio de Edgar da Mata Machado, professor e humanista, lder catlico, ex-secretrio do Trabalho de Minas. A histria de Morro Velho tornou-se exemplo maior e marco histrico da insero do Brasil na etapa imperialista do capitalismo internacional, predominantemente ingls, interessado nas jazidas de ouro e minrio de ferro. Uma das mais produtivas minas de ouro do mundo, a maior em extenso, at 1888 tinha 2.500 trabalhadores, sendo 1.690 escravos, nmero que dobra na estatstica de 1930 e ento passa a decrescer pela evoluo da tecnologia de explorao. As estatsticas sobre a mo de obra na mina revelam a grande presena de escravos, por vrios anos superior  de homens livres. Nos anos de 1839 a 1847 os escravos representavam cerca de 85% do total da fora de trabalho. Entre 1863 e 1867 a mo de obra escrava se mantinha em 65% do total de trabalhadores. Em 1863 haviam 1.691 escravos, conforme registros histricos da mina (Trabalho escravo e capital estrangeiro no Brasil  O caso de Morro Velho, Douglas Cole Libby, 1984).
A mina sempre foi bastante lucrativa para seus acionistas e sua produo de ouro sempre seguiu uma trajetria ascendente, com poucas interrupes. Em 1940 produzia 90% do ouro extrado em toda Minas Gerais. Chegou a obter uma mdia de 13,4 gramas de ouro por tonelada de rocha desmontada, enquanto outros pases produtores de ouro, como a frica do Sul, alcanava de 7 a 10 gramas. A mdia de Morro Velho era considerada preciosa e rara, enquanto as minas dos Estados Unidos e Canad produziam em torno de 7 a 10 gramas. Em 1955 a produo de Morro Velho foi de 3.225 quilos e, em 1972, com melhoramentos tecnolgicos, chegou a 5.400 quilos. A mina chegou a ter 8.163 empregados, com 2.044 trabalhando no subsolo. Estes nmeros decaem pela evoluo da maquinaria nos trabalhos de extrao, chegando a 4.602 empregados em 1960, dos quais 2.397 trabalhando no subsolo. Em 1980 tinha 3.619 empregados com 2.138 no subsolo (Mina de Morro Velho  a extrao do homem, Yonne de Souza Grossi). Sua histria registra trs grandes acidentes, em 1857, 1867 e 1886. Em 1867 um incndio destruiu grande parte do escoramento, causando desmoronamentos, matando 21 escravos e um mineiro ingls. O desastre mais grave foi em 1886, tambm causado por um grande desmoronamento, matando dezenas de escravos e trabalhadores livres, inclusive europeus, paralisando as atividades da mina por vrios anos. A St. John calou-se a respeito e as reportagens jornalsticas da poca no concordaram sobre o assunto (Douglas Cole Libby).
A empresa obteve, por grande perodo de sua atuao, iseno de impostos e manteve-se livre de fiscalizaes quanto aos regimes de trabalho e suas condies. Influente junto aos governos e aos polticos, conseguiu eximir-se de questionamentos. As lutas polticas e sociais em Morro Velho, descritas no livro de Yonne Grossi, a organizao sindical, a represso policial aos movimentos reivindicatrios, as condies de trabalho na mina, a incidncia da silicose, causadora de insuficincia respiratria, doena comum aos operrios, constituem captulos histricos e referenciais da atividade minerria em Minas Gerais e da presena do capital estrangeiro e seu modo de organizao do trabalho. Das lutas polticas e sindicais de Nova Lima surgiu Jos Gomes Pimenta, o Dazinho, presidente do Sindicato dos Mineiros (1961/62), fundador da Juventude Operria Catlica de Nova Lima, eleito deputado estadual em 1962 e cassado e preso em 1964. Portador da silicose, morreu em 2007. O estrito controle da empresa, presente a cada momento da vida dos habitantes, pelo poderio econmico e fonte de emprego, pesou na histria da localidade entre 1834 e 1959, perodo do capital ingls, diz Yonne de Souza Grossi. Embora tenha sido geradora de empregos, nas suas diversas atividades, o ouro de seu subsolo no enriqueceu Nova Lima nem representou melhoria da qualidade de vida de seus moradores ou mesmo a implantao de servios pblicos ou de infraestrutura, sempre insuficientes at nos dias atuais. Morro Velho no deixou qualquer instituio para a cidade, escola, hospital ou investimento em infraestrutura urbana. Os ingleses se mantinham segregados da cidade, com vila residencial prpria, cemitrio prprio, igreja, clube de recreao e outras atividades e condutas mais isoladas.
Entre Mariana e Ouro Preto, a Mina da Passagem  a segunda mais longeva das empresas britnicas que vieram para Minas Gerais no sculo XIX e uma das mais lucrativas. No estreitamento do caminho de Vila Rica a Mariana, no Morro de Santo Antnio, dava-se a passagem, s margens do Rio do Carmo, donde a denominao. Embora a explorao do ouro na regio seja antiga, sediando o incio da explorao aurfera dos primeiros anos de ocupao territorial,  importante assinalar o perodo chamado franco-ingls, que inicia com a Anglo-Brazilian Gold Company Limited, que permanece de novembro de 1863 a fevereiro de 1873, quando paralisa suas atividades por trs anos.  vendida em 1875 a um Sindicato Francs, que adota a denominao de The Ouro Preto Gold Mines of Brazil Limited, e que permanecer de maro de 1883 a maio de 1927, quando terminam os domnios empresariais de proprietrios estrangeiros. Era uma das poucas de capital francs no Brasil mas com nome ingls e sede administrativa em Londres. A empresa adquiriu minas em Raposos e Borges, prximo a Caet. Anteriormente, a empresa detentora da Mina da Passagem adquirira, em diferentes pocas, quatro minas na regio de Passagem de Mariana, denominadas Mineralgica, Fundo, Paredo e Mata-Cavalos, exploradas desde o sculo XVIII por vrios mineradores. A Mineralgica fora adquirida em 1819 pelo Baro Eschwege, que a explorou at 1923, quando deixou o Brasil. As outras foram compradas pelo minerador ingls Thomas Bawden, em 1850, que as passou para a Anglo-Brazilian em 1863. A Mina de Mata-Cavalos, considerada a mais importante das quatro, aps passar por vrios proprietrios, foi comprada pela empresa inglesa em 1865.
A companhia operou at 1927, quando foi comprada pelo Grupo Ferreira Guimares, integrada por banqueiros e industriais de Minas Gerais, liderados pelo industrial Benjamim Ferreira Guimares. Foi criada, pelos novos proprietrios, a Companhia Mina da Passagem Sociedade Annima, que operou at 1954, ampliando extraordinariamente suas galerias. Permaneceu paralisada at 1960. Vrias tentativas de reativao foram feitas mas sem gerar atividades contnuas e, de 1967 a 1973, permaneceu paralisada. Em dezembro de 1973 a Companhia Anglo Brasileira de Construes adquiriu seu controle acionrio mas tambm no obteve sucesso no empreendimento. Inundada, exigindo investimento elevado para drenagem da gua, ainda sustentou algum trabalho minerrio de pouco resultado. A mina tem 12 km de extenso. Seu controle acionrio passou a Walter Rodrigues, mdico, sem trajetria ou experincia na minerao e, desde 1984, no tem qualquer atividade extrativa. Foi objeto do interesse de grupos empresariais, entre eles a empresa canadense Gold Corporation, que realizou sondagens para verificar a continuidade do filo em profundidade abaixo dos 450 metros, mas no efetivou o negcio. Outros grupos interessados concluram que seria elevado o investimento para a retirada da gua que cobre as galerias mais profundas. Hoje  explorada turisticamente pelos filhos de Walter Rodrigues.
Rafael de Souza Freitas, em seu livro O ouro gosta de sangue  a Mina da Passagem de Mariana: 1863-1927 (Fapemig, 2015), tese de doutorado  USP, diz que o elevado investimento estrangeiro em Minas Gerais, no sculo XIX, est inserido na etapa de consolidao do capitalismo em escala mundial, do liberalismo econmico triunfante e da formao do imprio ultramarino ingls, cuja ponta de lana eram as grandes companhias de negcios da era vitoriana. Vivia-se, ainda segundo o autor, a era do capital, das mquinas e do progresso. Ocorre a mecanizao do trabalho e os ingleses estiveram  frente de vrios instrumentos do progresso, as locomotivas, estradas de ferro e novas mquinas que aceleravam a extrao mineral, como as perfuratrizes, como tambm o uso da dinamite. Acrescente-se que a administrao racional inglesa, embora eficiente na busca de resultados, nem por isto se pode dizer enriquecedora dos que trabalhavam: Homens, mulheres e crianas que produziram a riqueza, mas no tiveram acesso a ela mais que o necessrio  mera sobrevivncia, diz ainda Rafael de Souza Freitas.
Afirma que so poucos os relatos detalhados sobre a rotina e as condies de trabalho no subsolo das minas inglesas em Minas Gerais. Igualam-se, com poucas diferenas, s nefastas condies de trabalho dos escravos durante o sculo XVIII, que abriram suas minas pelo trabalho braal. Coincidem, no entanto, os depoimentos de vrios visitantes sobre as condies de trabalho no interior da mina, sob intenso calor, com cheiro de enxofre, umidade, o contnuo som das pancadas dos malhos e das brocas, a derrubada das rochas, o eco das vozes pelas galerias, operrios livres e escravos quase desnudos e cobertos de suor se movimentando na escurido, a fraca luz das candeias, o contnuo medo da morte por acidente ou sufocamento, a dificuldade respiratria causada pela incurvel silicose que fechava os pulmes pela poeira da slica, levando  morte por asfixia e insuficincia cardaca, o temor do envenenamento pelo vapor do arsnico quando da separao do ouro. Os ingleses, embora estivessem proibidos de participar do comrcio negreiro desde 1843, pela famosa Lei de Lord Brougham, no podiam comprar, vender ou ter posse de escravos. Usaram ento do subterfgio de alug-los de proprietrios prximos s minas, aproveitando-se de lacuna da citada lei e da lenincia do governo brasileiro. 
Os negros africanos trabalharam em todos os setores da extrao, ao lado de operrios brancos. Neste campo, e especialmente sobre a mo de obra escrava, so esclarecedoras as pesquisas de Douglas Libby Cole, historiador, professor da UFMG, publicadas em vrios trabalhos sobre as minas de ouro controladas pelo capital ingls. Relatrio da Superintendncia da Mina apresenta, nos anos 1896/97, o seguinte quadro de trabalhadores: 580 nos trabalhos subterrneos, incluindo minerao e transporte; 220 nos trabalhos de vagonetes, pilagem, fundio e cloretao; 80 na superfcie, mecnicos, carpinteiros, pedreiros e outros servios, totalizando 880. Destes, 30 eram ingleses, 440 brasileiros, 300 italianos e 110 austracos e outros europeus. Em 1914 a mo de obra amplia-se: para 1.195, sendo 1.114 homens, 10 mulheres, 71 meninos (em torno de 14 anos).
A Mina da Passagem possui registros de que sua produo, de 1896 a 1904, apresentou variaes de 9,3 a 13 gramas de ouro por tonelada desmontada, ndices considerados bastante lucrativos e que esto um pouco acima dos padres internacionais. As minas, no sculo XIX, tornavam-se inviveis quando a mdia caia abaixo de 7 gramas por tonelada. H registros (Rafael de Souza Freitas) de que a mina fornecia ainda prata, arsnico, bismuto e turmalinas, que eram aproveitados e geravam receitas. No h estudo mais aprofundado sobre os impactos econmicos das Minas da Passagem em Mariana ou quanto a investimentos em obras pblicas. Em Passagem, assim como em Morro Velho, os ingleses, tinham residncias isoladas, tinham cemitrio prprio e igreja protestante anglicana.
Dom Joo VI, pela Carta Rgia de 28 de fevereiro de 1810, determinou a abertura dos portos, significando uma clara contrapartida aos ingleses que o protegeram na vinda para o Brasil, contra as investidas de Napoleo e outras naes interessadas na Colnia. Em janeiro de 1827 decreto imperial permitiu a associao de capitais brasileiros a estrangeiros, que no mais precisariam de liberao especial para explorar minas no Brasil. No perodo de 1824 a 1898 instalaram-se em Minas Gerais 18 companhias inglesas destinadas  explorao do ouro. A ateno de capitais ingleses, segundo alguns historiadores, deveu-se  publicao na Europa de relatos de viajantes que estiveram em Minas Gerais, com destaque para John Mawe, John Lucccock e Francis Burton, tido como agente a servio do governo ingls. Todos enfatizaram a existncia do ouro de maneira abundante em muitas regies da Provncia. O Baro de Eschwege tambm divulgar que o Brasil ainda dispunha de formidveis tesouros em seu subsolo e que um vasto campo de trabalho haver ainda para os vindouros. Mas advertia que nada se dever esperar enquanto os servios no forem realizados em bases seguras por companhias de minerao bem administradas e no forem promulgadas leis mais oportunas.
A primeira foi a Imperial Brazilian Mining Association, em 1824, que adquiriu as minas do Congo Soco, perto de Caet, da Cata Preta, perto do Inficionado (hoje Santa Rita Duro) e de Antnio Pereira, em Ouro Preto, conforme aponta Paulo Ferrand, que faz descrio detalhada das operaes e resultados destas minas. A Brazilian Company, em 1832, iniciou a explorao de ouro na Mina da Cata Branca, no flanco do Pico de Itabira do Campo, hoje Itabirito. A mina funcionou at 1844, quando desabou soterrando 30 homens, a maioria escravos. A mesma empresa explorou minas em Morro das Almas, prximo da Serra do Caraa. Em 1833 a companhia inglesa National Brazilian Mining Association arrendou, por 50 anos, mina em Cocais, distrito da cidade de Baro de Cocais, na regio Central do Estado. Em 1851, com a inundao da mina e um desmoronamento, o contrato foi rescindido. Em 1861, a East Del Rey Mining Company Limited iniciou explorao de ouro nas minas de Capo e de Papa Farinha, perto de Sabar, transferindo-se, trs anos depois, para as minas do Morro So Vicente e Morro das Almas. Os trabalhos da primeira explorao terminaram em 1875 e os da segunda em 1876.
Em 1862, a Don Pedro North Del Rey Gold Mining Company Limited iniciou explorao no Morro de Santana e em Maquin, prximas a Ouro Preto e Mariana, ainda em atividade nos primeiros anos do sculo XX. Em 1862, a Santa Brbara Gold Mining Company Limited instalou-se em Pari, a 12 km de Santa Brbara, mantendo-se produtiva at o sculo XX. Em 1864, a Roa Grande Brazilian Gold Mining Limited instalou-se em Roa Grande, perto de Caet. Outra iniciativa foi a BrazilianConsols Gold Mining Company Limited, que se instalou em 1873 na mina de Taquara Queimada, entre Mariana e Antnio Pereira. A Pitangui Gold Mining iniciou explorao de Ouro em Pitangui, atividade que durou at 1887.
Constituda em Londres, em 1880, instalou-se em Caet a Brazilian Gold Mines Limited, mantendo-se ativa at 1887. Em 1887, foi constituda a Societds Mines dOr de Faria, destinada a explorar ouro na Mina do Faria, entre Nova Lima e Honrio Bicalho, e que funcionou at 1893. A partir da Proclamao da Repblica, em 1889, houve rearticulao de capitais estrangeiros e brasileiros, com o surgimento de novas companhias: Companhia de Minerao do Furquim (1890), em Furquim, distrito de Mariana, Companhia das Minas de Ouro-Falla, 1891, em So Gonalo do Sapuca, a Companhia Mineralrgica Brasileira (1891), em Falco e Venda do Campo, em Ouro Preto e a Empresa de Minerao do Caeth (1892), para explorar as minas de Carrapato, Carvalho e Arraial Velho, ao sul de Caet. Vrias iniciativas menores, familiares, tambm se dedicaram  extrao do ouro, em diferentes regies do Estado.
Eschwege, no seu Pluto Brasiliensis, publicado em 1833, divulgou relao bem completa sobre a explorao do ouro em Minas Gerais, listando 500 minas ou ocorrncias aurferas, em produo ou desativadas, bem como o montante da mo de obra empregada, entre homens livres e escravos e a produo apurada em 1814. O ingls William Jory Hernwood, que foi superintendente da Imperial Brazilian Mining Association na Mina do Congo Soco at 1856, publicou em 1871 obra detalhada sobre as minas de ouro do Estado. O viajante ingls Richard Burton, diplomata a servio do governo britnico, em seu Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, que esteve em Minas em 1867, tambm faz detalhada descrio das minas, englobando aspectos mineralgicos, econmicos, as relaes de trabalho nas minas, o uso da mo de obra escrava e seu rude trabalho braal.
No prefcio ao livro O ouro em Minas Gerais, de Paul Ferrand, o gelogo e professor da Escola de Minas, J. H. Grossi Sad, referindo-se ao intenso perodo da minerao de ouro em Minas Gerais no sculo XIX, diz que no ocorreu desenvolvimento industrial de maior significado no Estado com base na minerao de ouro. E ainda: A regio central de Minas Gerais, especificamente o Quadriltero Ferrfero, foi ambientalmente devastado, com contaminao dos cursos dgua por mercrio. Para o Ribeiro do Carmo h registro fidedigno: entre 1884 e 1893 foram lanados 576 quilos de mercrio nas suas guas. O Rio teve seu leito, na dcada de 1970, inteiramente revolvido em busca de ouro por uma potente draga da empresa Tejucana, o que hoje  considerado um grave crime ambiental. Durante muitos anos os estreis e rejeitos da mina foram despejados no Rio do Carmo, prtica denunciada mas nunca contida inteiramente. Para o gelogo o governo colonial, seguido pelo imperial, em momento algum agiu no sentido de industrializar Minas Gerais. No existem aes significativas que rompessem com o declnio econmico do Estado. Suas palavras corroboram a constatao de vrios estudos relativos  minerao de ouro em Minas Gerais no sculo XIX, de que pouco contribuiu para a economia do Estado e as condies de vida da sua populao, embora as empresas tivessem auferido grandes lucros com a retirada do ouro do subsolo mineiro. Em 1881, Dom Pedro II visitou a mina de Passagem, quando tambm esteve na Mina de Morro Velho, deixando relatos em seu Dirio de Viagem, mas no deixou comentrios mais conclusivos ou opinativos sobre a mina.
Eschwege relata que, em 1821, ao retirar-se do Brasil, em Minas haviam cerca de 30 forjarias. Tratava-se, evidentemente, de uma indstria primria, com reduo do minrio de ferro em forjarias, confeccionando enxadas, argolas e correntes, foices e martelos, facas, pregos, anzis, serras e instrumentos de uso dirio, no trabalho e em domiclios. A Coroa Portuguesa sempre impediu, por vrios alvars e constante fiscalizao, o desenvolvimento de atividade industrial de maior porte. Dom Rodrigo Jos de Menezes, um operoso governador da Capitania, de 1780 a 1783, em uma exposio a Martinho de Melo e Castro, ministro portugus de Ultramar, em 1780, denominada Exposio sobre o estado de decadncia da Capitania de Minas Gerais, procura interessar a Coroa na atividade siderrgica. Ele prope, como forma de recuperao econmica, o estabelecimento de uma fbrica de ferro, pelo Estado ou por particulares. Se em toda parte do mundo  este metal necessrio, em nenhuma o  mais que nestas minas; qualquer falta que dele se experimente cessa toda qualidade de trabalho; seguem-se prejuzos irreparveis e  uma perdio total. Fabricando-se aqui pode custar um preo muito mdico. Facilitasse desse modo a compra dele, concorre este artigo para que se faa mais conta no mineiro extrair o ouro, tendo barato o ferro. Afirma ainda Dom Rodrigo que o ferro era excessivamente caro em Minas Gerais porque totalmente comprado aos suecos, hamburgueses e biscainhos.
No iderio autonomista dos inconfidentes constava a implantao de uma fbrica de ferro, aproveitando as imensas jazidas do minrio, conforme depoimentos nos Autos da Devassa. O governador Luiz da Cunha Menezes, em ofcio de 21 de abril de 1784, ao designar o alferes Joaquim Jos da Silva Xavier para misso especial, diz que ele tinha inteligncia mineralgica. O prprio Tiradentes, em depoimento  Devassa, em 18 de janeiro de 1790, menciona afirmao do inconfidente Jos Alvarez Maciel, mineralogista formado em Coimbra, a propsito da instalao de manufaturas e explorao de minrios, de que os nacionais desta Amrica no sabiam os tesouros que tinham e que poderiam aqui ter tudo se o soubessem fabricar. Maciel, no interrogatrio de novembro de 1789, depe: Perguntou-lhe o alferes Joaquim Jos se podia fabricar ferro em Minas, dizendo o respondente que sim.
Documento de valor histrico e econmico, sempre citado como um marco na evoluo da pesquisa mineral e da siderurgia no Brasil,  elaborado em 1799 pelo naturalista Jos Vieira Couto, qumico e metalurgista atendendo a consulta feita pela Coroa Portuguesa sobre a convenincia de se estabelecer a indstria do ferro na Capitania. Couto, nascido no Serro, em 1762, formado em Coimbra, em Portugal, onde tambm foi professor, pertenceu a vrias sociedades cientficas europeias, visitou vrios empreendimentos metalrgicos de pases europeus, e foi intendente geral das Minas de Diamante no Brasil e inspetor das minas do Tijuco, Ouro Preto e outras. Elaborou a monografia Memria sobre a Capitania de Minas Gerais, seu territrio, clima e produes metlicas, em que discorre sobre a necessidade de se restabelecer e animar a minerao decadente do Brasil e sobre o comrcio e exportao dos metais e interesses rgios. Couto sugeriu a implantao de vrias usinas de produo de ferro na Capitania e a construo de estradas para escoamento da produo. Sua Memria foi o documento bsico que orientou a poltica mineral que Dom Joo VI inicia no Brasil.
Foi efetivamente com o governo portugus estabelecido no Brasil, com a vinda de Dom Joo VI, em 1808, que vrias iniciativas de obteno do ferro foram incentivadas. Uma Carta Rgia de 1808 encarregou a Manoel Ferreira de Cmara Bittencourt e S (1764/1835), nascido em Itacambira, que fora nomeado Intendente Geral das Minas e dos Diamantes, conhecido como o Intendente Cmara, em outubro de 1807, de construir uma usina estatal de ferro no Morro de Gaspar Soares, hoje municpio de Morro do Pilar, na regio Central do Estado, em plena Serra do Espinhao, abundante em minrio de ferro. Com recursos da Fazenda Real, implanta, pela primeira vez no Brasil, pelo mtodo indireto de altos-fornos, fbrica de reduo de ferro. Durante sete anos, produziu-se 7 mil arrobas de ferro. Em 1815, vrias barras de ferro foram transportadas at Diamantina para serem mostradas  Cmara, episdio comemorado com festas populares, conforme relato da Revista do Arquivo Pblico Mineiro, fascculos I e II, 1902. Dificuldades levaram Cmara a pedir o auxlio do tcnico alemo Schonewolf, cedido por Eschwege, que construiu fornos suecos. Mas, por volta de 1830, a fbrica j se encontrava paralisada. Vida e obras do Intendente Cmara esto revelados no livro Do diamante ao ao, de 2018, do jornalista Amrico Antunes. 
Outra tentativa importante foi conduzida pelo Baro de Eschwege, em 1812, em Congonhas do Campo, na chamada Fbrica Patritica, que funcionou at 1821 e produziu sete mil arrobas de ferro. Nesta regio encontra-se uma das maiores jazidas de minrio de ferro, de alta concentrao de hematita, exploradas por longos nos por capital alemo e, recentemente, adquiridas pela Vale, mineradora brasileira exportadora.
Fbricas de menor porte, com processos mais rudimentares de obteno do ferro, espalharam-se por vrias cidades de Minas onde ocorriam jazidas de minrio. Santa Brbara, Mariana, Ouro Preto, Itabira e at Minas Novas possuram fbricas de ferro, atuando como forjarias na confeco de ferramentaria para a lavoura e construo. O governo imperial procurou, atravs de vrias iniciativas, incentivar a produo, permitindo associaes com capitais estrangeiros. Em 1817, o jovem engenheiro de minas francs Jean Antoine Felix Dissandes de Monlevade, formado pela Escola Politcnica de Paris, atrado pela fama mineralgica de Minas Gerais, se dedica a pesquisas e pequenas iniciativas de produo de ferro na Provncia. Em 1827 monta a fbrica de ferro na cidade que hoje tem seu nome, aproveitando as condies excepcionalmente favorveis no local, ao lado do Rio Piracicaba, com minrio abundante, florestas, calcrio. Conseguiu a produo de 30 arrobas por dia. Em relatrio ao presidente da Provncia de Minas Gerais, em dezembro de 1853, Monlevade afirma que a regio tinha todas as condies para a produo de ferro, como magnficas jazidas de ferro, florestas de fcil reproduo, aguadas altas indispensveis para mover mecanismos, entre outros atributos, conforme reproduz o professor Francisco Magalhes Gomes, professor emrito da Escola de Minas de Ouro Preto e da Escola de Engenharia da UFMG, no seu precioso Histria da Siderurgia no Brasil, de 1983. Segundo Monlevade, o futuro grandioso da terra mineira, hoje to decadente, no est no ouro, nos diamantes, mas sim no ferro, este grande agente da civilizao, como da segurana dos Estados, e sem o qual os pases mais civilizados em pouco tempo estariam reduzidos ao estado selvagem. Hoje, a usina, em plena operao, pertence ao Grupo Arcellor/Mittal.
Uma pioneira iniciativa resultante dos conhecimentos gerados na Escola de Minas  a Usina Esperana, que se implanta em Itabira do Campo, hoje Itabirito, em 1888. Advm da mentalidade de construir fornos altos para a produo de gusa do tipo mais moderno, com recuperao de calor, que dava um rendimento muito superior aos tentados anteriormente, que eram fornos de ferro forjado em cadinhos e forjas italianas ou catals, conforme diz Francisco Magalhes Gomes (Histria da Siderurgia no Brasil, 1983). A Usina Esperana, pioneira no gnero, operada por engenheiros formados em Ouro Preto, foi implantada em 1888 pela firma Amaro e Gerspacher, constituda por dois engenheiros da ferrovia Central do Brasil, Amaro da Silveira e Henrique Hargreaves, um metalrgico suo, Alberto Gerspacher, e Carlos da Costa Wigg, empresrio e investidor, seu principal acionista. 
A usina era servida pela estrada de ferro e possua duas jazidas de minrio, a do Pico do Itabirito e a da Cata Branca, ambas classificadas entre as mais valiosas de Minas. A usina, posteriormente foi adquirida pelo industrial Joaquim Jos de Queiroz Jnior, engenheiro civil formado pela Escola Politcnica do Rio em 1893, passando a chamar-se Usina Queiroz Jnior, que deixou descendncia que viria a ter presena e expresso cultural marcantes na vida mineira. A falncia da usina foi decretada em 1991 e hoje pertence ao grupo VDL Siderurgia. A outra usina construda nesta poca, mas j na Repblica, foi em Miguel Burnier, distrito de Ouro Preto, pelos scios Carlos da Costa Wigg e Jos Gerspacher, filho do construtor da Usina Esperana. Aproveitava jazida de minrio de ferro da regio e a presena de importante entroncamento ferrovirio, que fazia a ligao de Miguel Burnier com o Rio de Janeiro, passando por So Joo del-Rei, estendendo-se tambm, a partir de 1889, a Ouro Preto, Mariana e Ponte Nova. Em Rio Acima, em 1931, foi implantada usina por Jos Gerspacher e o industrial Pedro Gianetti. Outra usina, tambm com alto-forno, surgiu em Caet em 1923, implantada pela firma Purri e Cia, implantada por Jos Gerspacher, apresentando inovaes com relao s plantas anteriores. Tambm em 1923 iniciou-se a implantao de uma usina em Baro de Cocais, fundada pela Companhia Mecnica e Importadora de So Paulo, dirigida por Adriano Saldanha. A usina foi vendida, no seu primeiro ano,  firma Hime e Cia e incorporada  Companhia Brasileira de Usinas Metalrgicas. Hoje pertence ao Grupo Gerdau.
J no sculo XX, surge a iniciativa que se transformar no maior empreendimento siderrgico dos primeiros tempos: em 1917, dois engenheiros, tambm ex-alunos da Escola de Minas, Cristiano Frana Teixeira Guimares e Amaro Lanari, fundam a Companhia Siderrgica Mineira, em Sabar. O alto-forno, a carvo vegetal, para 25 toneladas/dia, foi projetado pelo professor Alberto Augusto Magalhes Gomes, catedrtico da Escola de Minas, e os desenhos pelo engenheiro Lus Orsini de Castro, tambm de Ouro Preto. A construo da usina foi dirigida pelos engenheiros Gil Guatomosin, formado em Ouro Preto, e Amaro Lanari e concluda em 1920. Uma vez mais, o tcnico Jos Gerspacher foi chamado para a operao inicial do alto-forno, o maior at ento construdo em Minas Gerais.
Em sua vinda a Minas Gerais, em 1920, o Rei Alberto, da Blgica, convidado pelo ento governador de Minas, Artur Bernardes, aps ser recebido com amplas homenagens por parte da sociedade mineira, interessou-se por garantir a participao do grupo industrial belgo-luxemburgus no empreendimento de Sabar. Em verdade, havia grande interesse belga em investir fora da Europa, conquistando posies nos pases em desenvolvimento. A Primeira Guerra Mundial provocara um desmantelamento e, em vrios casos, destruio da indstria siderrgica europeia, especialmente da Alemanha, Frana e Blgica. Entendimentos e consultas preliminares j haviam sido mantidos, com anuncia e envolvimento do governador Artur Bernardes, interessado em implantar a siderurgia em Minas. Foi constituda ento a Companhia Siderrgica Belgo-Mineira, com participao da Arbed (Acieries Reunies de Burbach-Eich-Dudelange), conforme o ato inaugural assinado a 21 de dezembro de 1921. 
O investimento da Arbed no s representou um avano tecnolgico para a incipiente siderurgia mineira como foi uma espcie de marco histrico e poltico que permitia a independncia perante os grupos norte-americanos e ingleses e seus projetos, criticados porque s contemplavam a exportao de minrio de ferro, sem a transformao industrial no territrio mineiro. Estabelecia-se, assim, uma espcie de contraposio ao projeto da Itabira Iron, que visava explorar as jazidas de Itabira, iniciativa de interesse de ingleses e norte-americanos, como veremos.
O grupo belga vai adquirir, na dcada seguinte, a usina implantada por Monlevade em Joo Monlevade, transformando-a, a partir de 1937, quando inaugura um alto-forno, em um dos maiores empreendimentos siderrgicos do Brasil, pelo seu porte e capacidade produtiva, passando, ao logo dos anos, a coordenar um conglomerado de empresas, com destaque para a Samitri em Mariana, fbrica de tubos, implantao de trefilaria em Contagem e a Companhia Agrcola e Florestal Santa Brbara. A repercusso socioeconmica desta empresa ser imensa no s na siderurgia mineira como no Vale do Rio Doce. Mas trar consequncias ambientais danosas, com a derrubada de amplas extenses da Mata Atlntica para a produo de carvo vegetal, opo adotada uma vez que Minas Gerais no dispe de carvo mineral. O uso do carvo vegetal como redutor e combustvel ser objeto de intensas e prolongadas discusses em Minas Gerais, envolvendo no s a Engenharia Metalrgica e os meios acadmicos, como tambm os ambientalistas e o prprio governo, discusso que se estende at os nossos dias, embora a legislao ambiental atual, com maior rigor, proteja as matas naturais. Hoje, os fornos eltricos j substituem, nas grandes usinas, o carvo vegetal, ainda utilizado na produo, em menor escala, do ferro-gusa. O carvo vem hoje do Norte de Minas, de grandes plantaes de eucalipto.
A pouca industrializao de Minas, o perfil de economia exportadora de produtos primrios, foram apontados pelo Plano de Recuperao Econmica, elaborado no Governo de Milton Campos (1946 a 1950), sob coordenao do engenheiro Amrico Rene Gianetti, formado pela Escola de Minas de Ouro Preto em 1923. O Plano  considerado o primeiro documento pblico de planejamento econmico global do Estado, com viso realista e carter tcnico. Sucessor de Milton Campos, Juscelino Kubistchek se beneficiar do Plano e tomar vrias iniciativas em favor do crescimento e da emancipao econmica de Minas, sendo exemplo maior a criao da Cemig, em 1952, marco histrico do incio da industrializao mineira.
Nas dcadas de 1950 e 1960 ocorreram vrias manifestaes nacionalistas, de defesa da riqueza mineral de Minas Gerais. Em 1959, alunos da Escola de Minas criaram a Sociedade de Intercmbio Cultural e Estudos Geolgicos que, no seu primeiro seminrio de estudos, ao debater as questes relativas ao minrio de ferro e mangans, publicou protesto contra a presena e aes da Hanna Mining no Estado, empresa norte-americana que adquirira jazidas e extensas terras da Saint John Del-Rey Mining Company no Quadriltero Ferrfero de Minas Gerais (Belo Horizonte, Nova Lima e Itabirito), e que realizava exportao sem qualquer investimento transformador, sem preocupao social, ambiental ou qualquer outra retribuio. Para fugir das crticas, a Hanna, de triste memria, envolveu-se na corrupo de polticos e de rgos de imprensa. Destas denncias, aliadas a outros protestos, surgiu a campanha Minrio no d duas safras, frase atribuda a Arthur Bernardes. 
Em agosto de 1954, Getlio Vargas preside em Belo Horizonte a inaugurao da Companhia Siderrgica Mannesmann, empreendimento da empresa alem de Duesserldorf, destinada a fabricar tubos sem costura e barras metlicas. As conversaes para instalao da usina tiveram a participao de Rmulo de Almeida, Glycon de Paiva e do general Edmundo de Macedo Soares e Silva, com amplo apoio do ento governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek. Sua unidade industrial instalou-se no Barreiro e a minerao em Brumadinho, na regio Metropolitana de Belo Horizonte. Em 2007 associou-se ao grupo francs Vallourec e denomina-se Vallourec & Mannesmann Tubes. Em 2007, implanta nova unidade em Jeceaba, localizada na regio do Campo das Vertentes, prxima a Congonhas do Campo e Conselheiro Lafaiete, em associao com a Sumitomo Metals.
Merece citao a criao, em Trs Marias, em 1956, da Companhia Mineira de Metais, iniciativa do Grupo Votorantim, uma das maiores exploradoras de zinco do mundo, outra riqueza mineral de Minas. A usina mantm-se em plena atividade, aps resolver problemas ambientais, e situa-se s margens do Rio So Francisco e ao lado da Hidreltrica de Trs Marias. Firmou sociedade com o peruano Grupo Milpo, formando o grupo empresarial Nexa Resources, que tem outras unidades industriais em Lassance, Paracatu e Juiz de Fora.
Em jazidas minerais do Estado e uma justa compensao, o jornal Dirio de Minas realizou, em 1962, a memorvel campanha Minrio No D Duas Safras, com apoio de vrios setores da sociedade mineira, como tambm do ento governador Magalhes Pinto, no seu incio. A campanha foi interrompida com o golpe militar de maro de 1964, do qual Magalhes foi um dos lderes. O regime militar considerou a campanha como de inspirao comunista.
O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), criado em 1962 pelo governador Magalhes Pinto, elabora em 1968 o Diagnstico da Economia Mineira. O documento, que visava orientar a ao do Banco, apontava estrangulamentos e potencialidades do Estado, denunciava o perfil exportador da economia mineira, concentrada em produtos primrios e semiacabados. Minas era grande produtora de minrios, exportados para o estrangeiro e outros Estados como matria-prima de pouco valor agregado por falta de transformao industrial. E, no setor agropecurio, a ausncia de indstrias de laticnios e de derivados da carne e de transformao do caf, criava nova dependncia espoliativa. Minas continuava, portanto, duplamente espoliada, exportando produtos primrios, de pouco valor agregado, sem novas unidades de transformao industrial, baixa gerao de receitas pblicas, pouca criao de empregos, pagando por mercadorias industrializadas fora do seu territrio.
O Diagnstico do BDMG, um marco histrico e tcnico no esforo de desenvolvimento, por alguns chamado de autpsia da economia mineira, tal a situao do Estado, despertou esforos por atrair investimentos, ao que ser implementada pelos governos de Israel Pinheiro (1966 a 1970) e, especialmente, de Rondon Pacheco (1970 a 1974), que criaram programas de atrao de projetos industriais, com incentivos diferenciados e oferta de terrenos com infraestrutura, isenes fiscais, participao acionria, como foi o caso da Fiat Automveis, em 1974. O BDMG e a Cemig criaram o Instituto de Desenvolvimento Industrial (INDI), em 1969, que atraiu cerca de 400 projetos industriais para Minas em variados setores, constituindo o frtil e significativo esforo de desenvolvimento industrial de Minas Gerais. Na sua estratgia de promoo de projetos industriais contou com assessoria de empresa norte-americana especializada. Foi criada a Companhia de Distritos Industriais, a Superintendncia de Incentivos Fiscais, a Fundao Joo Pinheiro e seu Centro de Desenvolvimento em Administrao e outros organismos de apoio aos investimentos empresariais em Minas. Foi um excepcional momento de recuperao econmica de Minas, com atrao de investimentos de vrios pases, a partir de um trabalho vitorioso de promoo de oportunidades apontadas em estudos de pr-viabilidade, indicando possibilidades de parcerias industriais, terrenos com infraestrutura, incentivos fiscais e apoio financeiro. O INDI foi o ncleo inicial das Secretaria de Indstria, Comrcio e Turismo, criada por Rondon Pacheco, e que teve como primeiro dirigente o engenheiro Francisco Afonso Noronha.
A Aominas, implantada em Ouro Branco em 1986, iniciativa de grupos empresariais mineiros, constituda inicialmente com capitais pblicos, hoje pertencente ao Grupo Gerdau, resulta de amplo movimento das entidades das classes empresariais mineiras defensoras da implantao de uma usina siderrgica integrada, para aos planos e no planos. A Gerdau possui hoje duas siderurgias menores, em Baro de Cocais e Divinpolis, e minerao em Miguel Burnier e Baro de Cocais. A Construtora Mendes Jnior implantou em Juiz de Fora uma siderrgica, posteriormente incorporada pela Belgo Mineira e hoje integrada  Arcelor-Mittal. Em Arax, no Tringulo Mineiro, frtil em ocorrncias minerais por sua formao geolgica, uma chamin vulcnica, a Companhia Brasileira de Minerao e Metalurgia, empresa do Grupo Moreira Salles, minera e concentra desde 1955 o nibio, valioso mineral enriquecedor de ligas metlicas, repassando ao Estado 25% de sua receita para o Estado, o que tem representado importante fonte de recursos para grandes investimentos pblicos. Com alto valor no mercado internacional, o nibio gera grandes receitas para a Comig, Companhia Mineradora de Minas Gerais, empresa constituda pelo Estado para recebe r os recursos da CBMM .
Ainda em Arax, a Vale Fertilizantes, sucessora da Bunges e da Arafrtil, explora a apatita, componente de fertilizantes. Em Tapira, a Vale explora ocorrncias de terras raras. E em Patrocnio implanta usina para aproveitamento de matrias primas para fertilizantes. A Vale, a CBMM, a estatal mineira Codemig e outras empresas, inclusive estrangeiras, tem manifestado especial interesse pelas ocorrncias de minerais classificados como terras raras na regio, junto com o grafeno, outro mineral que se prenuncia de grande valor e para os quais j surge demanda internacional, ampliada pela grande evoluo da indstria eletroeletrnica e de telecomunicaes e a sua aplicao para ligas em aos especiais. Ser uma nova riqueza de Minas Gerais que, segundo as primeiras exploraes, possui ocorrncias em quantidades econmicas.
O ouro do solo mineiro continua atraindo investimentos estrangeiros. O grupo Anglo Gold Ashanti, um dos maiores produtores de ouro do mundo, criado em Joahannesburgo, na frica do Sul, e que opera minas em nove pases, est hoje no Brasil, Minas Gerais, e em Gois. E tem minas de ouro em Nova Lima, Santa Brbara, Sabar e Baro de Cocais, com planos de investimento para elevar a produo. Adquiriu a Mina de Morro Velho, em Nova Lima e confirma estudos para voltar a operar a antiga mina, que existiu desde os anos iniciais do Sculo XIX, passando, em 1832, a ser explorada pela Saint del-Rei Mining Co. Est paralisada h trs h quatro dcadas com suas galerias mais profundas inundadas.
Em Paracatu, no Noroeste do Estado, a empresa canadense Kinross Brasil Minerao, adquiriu da Rio Tinto o controle total da Rio Paracatu Minerao, que extraia ouro desde 1980, em uma mina a cu aberto, considerada uma das mais lucrativas do mundo. A Rio Tinto  um conglomerado anglo-australiano, com sede em Londres, que explora minas de minrio de ferro, cobre, alumnio, carvo, titnico, urnio, boro e talco em 20 pases. A Kinross anuncia investimentos para elevar a produo de ouro para 17 toneladas/ano, consolidando-se, segundo a empresa, como a maior produtora de ouro do Brasil, com 22% da produo brasileira. A empresa enfrenta graves questes ambientais, com barragem de rejeitos e questionamentos de contaminao de guas.
